Nissan e Unicamp farão estudo sobre o uso do bioetanol na mobilidade elétrica

bioetanol na mobilidade elétrica
Marcelo Knobel, reitor da Unicamp (esq.) e Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil

O uso do biocombustível como uma opção para a mobilidade elétrica será tema de pesquisa a ser feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a montadora Nissan. O contrato foi assinado nesta sexta-feira, na sede da universidade, em Campinas (SP), por Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil, e por Marcelo Knobel, reitor da Unicamp.

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O elétrico Nissan e-NV200, movido por uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), funciona com energia elétrica gerada por meio da reação eletroquímica do etanol.

Segundo informações da montadora, o estudo segue o conceito da Nissan Intelligent Mobility, visão da marca para transformar a maneira como os carros são conduzidos, impulsionados e integrados na sociedade. Os trabalhos sobre o uso do bioetanol na mobilidade elétrica serão conduzidos pelo Laboratório de Genômica e BioEnergia da Unicamp, reconhecido internacionalmente pela sua experiência em pesquisas com biocombustíveis. Os trabalhos incluirão pesquisas, análises e o desenvolvimento de produtos e processos relacionados a tecnologias veiculares e biocombustíveis, além de avaliações das tendências do setor sucroenergético.

O objetivo da Nissan é avaliar e viabilizar diferentes formas de alimentação para os veículos elétricos visando atender às preferências regionais de matriz energética em todo o mundo. O uso do bioetanol na mobilidade elétrica é pesquisado pela montadora japonesa desde 2016, quando a apresentou no Brasil o Nissan SOFC, o primeiro protótipo de veículos que utiliza o combustível em conjunto com soluções de eletrificação. O veículo, movido por uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), funciona com energia elétrica gerada por meio da reação eletroquímica do etanol.

Tecnologia

A empresa explica que, apesar da utilização do etanol, não se trata de um conjunto híbrido, já que não há combustão. O álcool entra no sistema apenas para produzir, por meio de uma reação química, o hidrogênio. O elemento químico, por sua vez, será responsável por abastecer a célula de combustível, que gera a eletricidade. A combinação dessa com outras duas tecnologias, o motor e as baterias elétricas que têm como base o conjunto tecnológico do Nissan Leaf, garante ao Nissan SOFC uma autonomia superior a 600 km.

O primeiro período de testes de abastecimento e utilização do SOFC no dia a dia foi realizado até 2017 pela equipe de pesquisa e desenvolvimento da Nissan do Brasil. “Os testes demonstraram que a tecnologia se adapta perfeitamente ao uso cotidiano e ao combustível brasileiro, ainda mais pelo fato de o país dispor de infraestrutura para abastecimento com etanol em todo o seu território. O veículo protótipo usou como base o modelo elétrico Nissan e-NV200”, relata a empresa, em comunicado à imprensa.

“O acordo firmado com a Unicamp propiciará a Nissan entender a evolução e o futuro do etanol e assim vamos poder avaliar e desenvolver novos projetos que criarão soluções de mobilidade elétrica no país, dentro da visão de mobilidade inteligente da Nissan”, afirma Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil.

“Parcerias com empresas como a Nissan são fundamentais para que a Unicamp forme profissionais e realize pesquisas que atendam às necessidades da sociedade contemporânea”, diz Marcelo Knobel, reitor da Unicamp. “Esta parceria é particularmente importante por focar em novos usos para o bioetanol, área em que o Brasil é protagonista e que pode assegurar vantagens competitivas para o país na busca pelo desenvolvimento sustentável”, complementa.

Ciclo de vida completo

“Preparando-se para a comercialização oficial no Brasil do modelo Nissan Leaf – atualmente, em fase de pré-venda –, a Nissan busca incentivar as pesquisas e desenvolver o ciclo de vida completo do carro elétrico no país. Tanto que vem desenvolvendo parcerias locais para o estudo e criação de tecnologias e infraestrutura com foco na mobilidade elétrica, como é o caso do acordo assinado agora com a Unicamp”, diz o comunicado da Nissan.

No ano passado, a montadora e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) assinaram um Memorando de Entendimento com o objetivo de estudar soluções para o futuro das baterias usadas de veículos elétricos. Durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro do ano passado, a Nissan e a UFSC demonstraram na prática uma das possibilidades de uso das baterias de segunda vida do Nissan Leaf. Os conjuntos foram utilizados no fornecimento de energia para a iluminação de uma área do estande da marca japonesa. Também no salão, a empresa firmou uma parceria com a Enel X para promover conjuntamente atividades para o desenvolvimento de soluções de mobilidade elétrica no país.

Já em fevereiro de 2019, teve início a parceria com o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) e o Instituto de Tecnologia Aplicada e Inovação (ITAI), cujo foco é o desenvolvimento nacional de carregadores bidirecionais para veículos elétricos. Esses carregadores criam um novo ecossistema fazendo com que os carros funcionem como uma solução para compartilhamento de energia com a casa do consumidor, edifícios comerciais e a rede. Os pesquisadores estão utilizando o Nissan Leaf para estudar também o impacto desses carregamentos na rede elétrica brasileira. Segundo a montadora, o modelo é ideal para a pesquisa e desenvolvimento dessas novas tecnologias, por ser capaz de devolver energia para a rede por meio do sistema Vehicle-to-Grid (V2G), que o torna uma espécie de “bateria sobre rodas”.

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