VW Delivery Express chega pronto para eletrificação e autonomia

VW Delivery Express

[Wagner Oliveiraenviado especial a Resende] – Na travessia da pior crise da indústria de caminhões no Brasil, a MAN/ Volkswagen apresenta a nova família Delivery, cujo maior expoente é o modelo de entrada, o Express, com PBT (Peso Bruto Total) de 3,5 toneladas.

Nunca antes na história desse país um grande player de caminhões havia desenvolvido localmente um caminhão especifico para este segmento, que vem sendo ocupado há um bom tempo por comerciais leves, como a Mercedes-Benz Sprinter, Iveco Daily, Ford F 4000, Hyundai HR, Kia Bongo, entre outros nacionais e importados.

Embora seja classificado também como um comercial leve, é preciso admitir que o Express tem a alma e o coração de um caminhão, pois foi concebido como tal.

Sua cabine é igualzinha ao que equipa os outros cinco modelos da nova família Delivery, que vai se juntar às outras 7 versões atualmente em produção – a cabine antiga não será descontinuada. Portanto, o mercado terá à disposição 13 produtos com a nomenclatura Delivery.

Delivery 6.160
Uma das grandes apostas da montadora é na versão Delivery 6.160. Sua potência chega a 160 cavalos. Um dos seus destaques é fácil manobrabilidade, característica que pôde ser testada pela reportagem no campo de provas da montadora em Resende

O entusiasmo durante a apresentação da nova família Delivery era enorme. Reunido com toda a diretoria Resende para receber jornalistas do Brasil e América Latina em uma ala da fábrica reservada para a noite da avant premier, o presidente da montadora, Roberto Cortez, destacou que o modelo marca uma nova etapa na trajetória de sucesso da Volkswagen Caminhões e Ônibus/ MAN.

‘’Os novos caminhões estão prontos para ganhar o mundo”, reforçou Cortez. É isso que também precisa-se destacar: o novo Delivery é global, concebido dentro dos padrões internacionais para ser sucesso de vendas não só localmente.

Assim, a nova família será comercializada em várias partes do mundo. A partir do Brasil, chegará a todo o continente Americano, África, Oriente Médio e Ásia. Novos empregos deverão ser criados em Resende para sustentar a produção.

Nos últimos cinco anos, a MAN investiu cerca de R$ 1 bilhão para tirar da prancheta o novo Delivery – o tempo parece exagerado, considerando as ferramentas virtuais à disposição, mas e empresa garante que não retrocedeu um milímetro mesmo com a crise desde que decidiu apostar no projeto.

Delivery 9.170
Delivery 9.170 tem motor Cummins de 3.8 litros e também SCR, de 165 cavalos A transmissão é manual de seis velocidades

O desenvolvimento do trem de força e demais componentes ficou a cargo da engenharia nacional, que contou com a colaboração das empresas parceiras no conceito modular em que opera a MAN no interior do Rio de Janeiro. Já o desenho da cabine foi feito pela MAN na Alemanha.

Todo o conjunto do novo Delivery agrada muito. Tanto por dentro como por fora, o caminhão tem o traço de identidade da linha de automóveis da Volkswagen. Painel, portas, volantes, estofamento, porta-objetos, tudo lembra muito um carro VW, assim como os elementos que compõem a frente imponente do caminhão.

O FutureTransport teve a oportunidade de guiar as várias versões do novo Delivery, que vão de 3,5 a 13 toneladas. A dirigibilidade é muito boa, o raio de visão da cabine impressiona, assim como acesso a todos os comandos do painel.

O câmbio manual de seis velocidades tem engates precisos – muito parecido com o de um carro de passeio da Volkswagen. A VW disponibilizará o câmbio automatizado para o modelo de 13 toneladas a partir do ano que vem, mas deverá ser opção ao resto da família. Testamos o 13 toneladas automatizado, benefício que facilita ainda mais a condução – no trânsito das grandes cidades é um item indispensável para o condutor.

Delivery 13.180
Delivery 13.180 é o primeiro modelo equipado com terceiro, é o caminhão com maior capacidade de carga da nova família Delivery. Com motor Cummins ISF, de 3,8 litros e tecnologia SCR, com torque máximo de 600 Nm e 175 cv de potência e transmissão manual ESO-6206, contará ainda com transmissão automatizada

A única critica no primeiro contato fica ao interior do novo veículo: a qualidade do plástico usado no acabamento de portas e partes da cabine é um tanto franciscano. Mas, segundo explicações da VW, tudo foi pensado visando o menor custo operacional desde aquisição do veículo até a operação final.

Todas essas características de design, acabamento e trem de força serão fundamentais, segundo a VW, para conquistar o comprador de um veículo de entrada, como o Express. O perfil desse cliente é formado por pequenos transportadores que muitas vezes dirigem seu próprio caminhão.

“Não tenho dúvidas de quando os primeiros compradores testarem o Delivery, o boca-a-boca vai aumentar muito nossas vendas”, prevê Ricardo Alouche, diretor de vendas, marketing e pós-vendas da MAN.  “Vamos estabelecer um novo parâmetro na indústria de caminhões.”

Embora já esteja em produção na fábrica de Resende, cuja linha foi reorganizada para receber a montagem do novo caminhão, o Delivery só será apresentado oficialmente ao mercado durante a Feira Nacional do Transporte (Fenatran) em outubro, com a presença do presidente mundial da MAN, Andreas Renschler.

Em novembro, o Delivery faz sua estreia internacional ao ser apresentado ao México. Nos demais países, ele começa a ser comercializado a partir do começo de 2018.

A pretensão da MAN com o Delivery é atingir um volume de produção anual em Resende de 100 mil caminhões, claro, incluído até todos os demais veículos da montadora, que agora é full liner – vai de modelos leves a extrapesados, com os modelos MAN TGX, passando pelos Constelation.

“Soa ambicioso?” questionou Cortez ao se referir aos 100 mil veículos/ano. “Talvez!”, respondeu. “Se antes o hemisfério Sul era suficiente para as nossas marcas, nós agora podemos sonhar mais alto”, cravou durante a cerimônia de apresentação. “Podem me chamar de otimista. Os novos tempos estão de volta. E se depender de nós, nunca mais irão embora.”

O Express terá preço inicial de R$ 118 mil. A MAN vai oferecer aos clientes do modelo a possibilidade de implementação dentro da própria fábrica, o que, dependendo da aplicação, terá custo de mais R$ 7 mil.

Com a implementação dentro da fábrica, o cliente poderá contar com materiais mais leves para o aproveitamento melhor dos mil quilos de carga líquida que o Express está autorizado a transportar, com carteira B e sem restrição de tráfego em zonas urbanas e do rodízio, já que é classificado como comercial leve.

Do volume de 100 mil unidades – isso quando o mercado nacional sair da crise –, a nova família Delivery poderá alcançar 30% dentro da produção total da MAN em Resende. Na projeção de Ricardo Alouche, as restrições de circulação vão aumentar o mercado de caminhões e comerciais leves para 40% do mercado doméstico, reduzindo o espaço dos médios.

Segundo o diretor de vendas, marketing e pós-vendas da MAN, a vocação nacional para este tipo de veículo, que precisa enfrentar ruas estreitas, buracos e muitos aclives e declives, atraiu o investimento de R$ 1 bilhão para o Brasil. “Com a projeção de crescimento desse mercado, entramos no segmento na hora certa”, diz.

A MAN espera revolucionar o segmento de leves. Na avaliação desse portal, é bem provável que a concorrência acabe seguindo a montadora, pois realmente ela chega com um produto que cria a possibilidade para o pequeno transportador alcançar um veículo que lhe de respeito e rentabilidade no mercado – a MAN reforça que todo o desenvolvimento foi pensado no menor custo da operação.

Existe a questão do preço acima da concorrência. O Express chega custando de 7% a 12% a mais, se comparado dentro da própria família. Mas a MAN acredita que, com a recuperação do mercado, concorrentes terão de realinhar seus preços, já que, hoje, segundo a montadora de Resende, muitos operam com prejuízo.

Versão elétrica?

Segundo a engenharia da MAN Volkswagen, no próximo ano a empresa também prepara uma novidade para o novo Delivery. Ao que tudo indica, o caminhão terá uma versão com motor elétrico, além de também já ter sido concebido para ser um veículo de direção autônoma. A montadora evitou dar maiores detalhes sobre o projeto.

Produtos

A nova família Delivery é composta do Express com motor Cummins de 2.8 litros EGR de 150 cavalos – sem a necessidade do uso do aditivo Arla 32.

O modelo Delivery 4.150 também tem motor Cummins de 2.8 litros com 150 cavalos, também sem a necessidade do uso do Arla 32.

Uma das grandes apostas da montadora é na versão Delivery 6.160, que também tem motor de 2,8 litros, mas com sistema SCR – necessita do Arla 32. Sua potência chega a 160 cavalos. Um dos seus destaques é fácil manobrabilidade, característica que pôde ser testada pela reportagem no campo de provas da montadora em Resende.

O Delivery 9.170 tem motor Cummins de 3.8 litros e também SCR, de 165 cavalos A transmissão também é manual de seis velocidades.

O Delivery 11.180 é indicado para entregas urbanas e conta um motor Cummins ISF, de 3,8 litros, tecnologia SCR, com torque máximo a 600 Nm e 175 cv de potência e transmissão manual ESO-6106. O modelo contará ainda com transmissão automatizada.

Já o Delivery 13.180 é o primeiro modelo equipado com terceiro, é o caminhão com maior capacidade de carga da nova família Delivery. O veículos atende a diversas aplicações, tendo sido projetado de acordo com a legislação de circulação de Veículo Urbano de Carga (VUC) nas cidades onde há restrição de tráfego. Com motor Cummins ISF, de 3,8 litros e tecnologia SCR, com torque máximo de 600 Nm e 175 cv de potência e transmissão manual ESO-6206, contará ainda com transmissão automatizada.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta