Volvo traça as megatendências para o futuro do transporte

As megatendências para o futuro do transporte

Amarilis Bertachini, Itajaí (SC) – O sistema de transporte de carga como conhecemos hoje, que aliás permaneceu quase inalterado nos últimos 50 anos, deverá sofrer mudanças radicais nos próximos dez anos. As condições básicas que vão possibilitar essa evolução são a conectividade, ou seja, o avanço tecnológico que permitirá conectar muito melhor a sociedade, os caminhões e a infraestrutura de transporte; a crescente automação do sistema de transporte, que é uma condição-chave para que tudo aconteça; e a expansão do uso dos veículos elétricos.

 

 

“Essas três megatendências serão as bases para o futuro. E nós estamos super engajados em todas elas”, anuncia Lars Terling, vice-presidente da Volvo Trucks Global.

 

Ele foi um dos palestrantes de um seminário sobre Tendências e Inovação no Transporte, promovido pela montadora durante a etapa nacional da Volvo Ocean Race, em Itajaí (SC). “Estou há quase 40 anos na Volvo Trucks, passamos por momentos marcantes, mas posso dizer que nos próximos dez anos teremos mudanças mais rápidas do que tivemos nos últimos 40 anos na Volvo Trucks. Portanto, serão momentos muito excitantes”, afirma Lars Terling.

O executivo fez uma projeção do que pode ser o futuro do setor de transporte no ano 2030, qual será o cenário daqui a 12 anos? Ele acredita que os motoristas terão ferramentas muito inteligentes que permitirão dirigir de maneira mais segura. A conectividade vai evitar muitos acidentes, o ambiente estará todo conectado e quando um caminhão se aproximar de uma intersecção, por exemplo, o motorista já receberá um aviso se outro veículo estiver chegando no mesmo cruzamento.

 

 

“Acreditamos que em 2030 os acidentes de trânsito serão muito raros devido ao fato de que podemos automatizar muitas coisas, conectar diferentes coisas para evitar acidentes. Os motoristas ainda comandarão tudo mas terão ferramentas muito inteligentes para dar condições de dirigir da maneira mais segura possível”, prevê.

A conectividade trará ganhos também operacionais, ajudará cada vez mais os transportadores monitorando a frota e viabilizando a interação do caminhão até o centro de distribuição, o que pode incluir até mesmo fazer o download remoto de novos softwares. “Hoje, globalmente, temos centenas de milhares de caminhões Volvo já conectados e podemos acrescentar novas funcionalidades”, destaca Terling.

Na área da automação, o executivo destaca que é essencial começar pela automação de um local, seja um terminal, uma mina ou um porto. Um dos motivos para isso é que em um ambiente controlado, uma área limitada, é mais fácil automatizar esse tipo de transporte do que em uma área urbana, onde a situação de trânsito é muito complexa. A montadora tem um projeto-piloto em operação há cerca de um ano e meio em uma mineradora sueca. “É o primeiro caminhão autônomo em área de mineração e está trabalhando dentro da mina autonomamente sem problemas”, conta o executivo. Uma das vantagens do veículo autônomo para o operador é que o caminhão pode entrar na mina imediatamente após ter ocorrido uma explosão. Isto porque normalmente a ação gera muitos gases perigosos e a mina tem que ser ventilada o que pode levar várias horas antes que um ser humano possa entrar na mina dirigindo o caminhão, mas este veículo autônomo pode entrar imediatamente após a explosão.

Outro exemplo de aplicação de veículo autônomo em ambiente controlado é a operação em andamento aqui no Brasil, com o caminhão Volvo VM autônomo em operação no trabalho de colheita de cana-de-açúcar da Usina Santa Teresinha, na região de Maringá (PR).

“Começamos por aí e talvez mais tarde seja mais fácil automatizar caminhões em pistas especiais, entre dois núcleos de uma autoestrada”, diz o executivo.

Impactos ambientais

Outro ponto relevante para toda a indústria automotiva é o impacto do transporte no meio ambiente. Tomando como base o ano de 2030, a previsão é que duas tendências deverão se consolidar. Uma delas é o uso de diferentes combustíveis em diferentes partes do mundo, alguns países trabalharão mais com gás, outros com diesel artificial ou com outros combustíveis disponíveis localmente. Mas o que deverá mudar drasticamente a indústria automotiva são os veículos elétricos.

“Nós acreditamos na eletrificação. Há alguns meses lançamos o Volvo FL Eletric, trocamos o motor diesel por um motor elétrico e em 2019 vamos começar a aceitar pedidos para o FL elétrico”, anunciou Lars Terling. Ele disse que a montadora começará a distribuição do FL Eletric na Europa, mas que é um conceito que será distribuído para o restante do mundo, sempre que a área estiver pronta para aceitar o veículo elétrico, e que este é um ótimo exemplo para o caminho de zero emissões.

No caso de longas distâncias, a eletrificação pode ser um pouco mais difícil. É possível até que venhamos a ver caminhões que receberão a eletricidade direto da estrada, o que, segundo o vice-presidente da Volvo, é uma solução relativamente simples, mas é um caminho que exige investimentos pesados na infraestrutura viária, envolve financiamento público, parcerias público-privadas, o que por enquanto dificulta essa iniciativa em todo o mundo.

Mudanças na logística

Terling prevê também que o planejamento de logística deverá mudar muito nos próximos anos com as novas tecnologias. Isto porque atualmente a infraestrutura para a distribuição de cargas nas áreas urbanas está supercarregada, com picos diários pela manhã e no final da tarde. Para otimizar as vias de trânsito já existentes, deverá aumentar a opção pelo uso da infraestrutura durante 24 horas, incluindo o período da noite para melhor distribuição do fluxo de cargas, o que eleva a capacidade do sistema sem necessidade de expandir o número de vias, evitando os congestionamentos.

“Em muitas áreas urbanas será permitido entrar para fazer entregas à noite, principalmente quando passarmos para os veículos eletrificados porque são muito silenciosos.

Existe uma série de cidades no mundo que já começam a aceitar isso, como Londres, Nova York, e Estocolmo, os shoppings abrem para entrega no período noturno e em lugar de ficarem de duas a  três horas na fila os caminhões levam 12 minutos para descarregar a mercadoria à noite”, relata.

“Acredito que com tudo o que vemos em andamento, quando falamos nessas três megatendências, o sistema de transporte até 2030 vai começar a ter uma aparência totalmente diferente, utilizando novas tecnologias, resolvendo muitos dos problemas que temos hoje com os congestionamentos, com a segurança e com os impactos ambientais. Isso é para nossos filhos, o benefício será para eles, o que é muito importante”, assinala Terling.

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