VEs ainda não conquistam corações e mentes no Brasil

Ves não conquistam corações e mentes no Brasil

Um evento voltado não só para a tecnologia inevitável do futuro, mas também alinhado a um comportamento social que virá com os novos tempos. Essa pode ser a síntese do 13º Salão Latino-Americano de Veículos Híbridos-Elétricos, realizado no ExpoCenter, em São Paulo.

Mesmo depois de uma década de existência, ainda é de se estranhar o espaço acanhado em que é realizado o Salão dos VEs (Veículos Elétricos). Em relação a um autoshow convencional, como o Salão do Carro de São Paulo, o público também é infinitamente menor.

Parece que o brasileiro ainda não despertou para a importância das novas tecnologias que já estão tomando o mundo desenvolvido. Países europeus e asiáticos já anunciaram altas sobretaxas para fabricantes que não cumprirem metas de eletrificação da produção.

“Principalmente, em razão das mudanças climáticas, os governos do mundo desenvolvido decidiram que agora é a hora da mudança”, afirma Silvestre Cavalcante, gerente nacional de vendas de ônibus da BYD, empresa chinesa que há quatro anos está estabelecida no Brasil para prospectar a produção e venda nacional de veículos elétricos.

Como o governo anestesiado e esperando para ver o que vai acontecer, os passos estão muito tímidos, refletindo o comportamento do público. Como a indústria não é cobrada e os impostos sobre veículos elétricos são altos, o mercado, também em crise, não anda.

“Quem não acompanhar agora o processo, vai ficar no submundo da tecnologia, respirando ar poluído”, afirma o profissional da BYD, que montou estande no salão com a exposição de ônibus e veículos com motores elétricos. “No Brasil, além do elétrico, outras fontes alternativas, como o gás, concorrem para uma nova padronização, mas o elétrico terá seu espaço de destaque”, lembra Cavalcante.

Compartilhamento

Além dos motores tradicionais a combustão, abala também a indústria automobilística estabelecida o novo comportamento da juventude, que já não vê mais necessidade da posse do veículo. Muitas marcas já entenderam isso e partem para o compartilhamento do produto, onde uma frota racionalizada poderá atender a muito mais gente, gerando inclusive fonte de renda.

“Hoje em bairros como Pinheiros e Vila Madalena, os mais jovens já torcem o pescoço quando você diz que comprou um carro”, diz Cavalcante. “A meninada já tem uma nova cabeça, prefere se locomover a pé ou de bicicleta perto de casa. Em deslocamentos mais longos, a preferência se dá pelo transporte público ou o Uber”, considera.

No Brasil, para emplacar o elétrico, a BYD tem feito um trabalho de convencimento junto à classe política, responsável por elaborar a legislação, principalmente, em âmbito municipal. Além do convencimento técnico sobre o poder da tecnologia, é preciso convencer o político também que a proposta também lhe renderá votos.

Teste drive

Quem compareceu ao salão dos veículos híbridos-elétricos teve a oportunidade de dirigir em um circuito fechado modelos da Volvo (XC 90 híbrido-elétrico), da BMW (i3), Renault (Twizy), da BYD, entre outras marcas.

Marcada pelo silêncio, chama a atenção na direção de um carro elétrico sua rápida resposta na aceleração. Tudo parece ser muito simples num VE, desde seu abastecimento na tomada até os motores, que são muito mais compactos, racionais e menos dependentes de autopeças.

O maior argumento a favor do elétrico, além da emissão zero, é o seu baixo custo em termos de combustível (90% menor em relação ao motor a combustão interna), manutenção quase zero e sem a menor necessidade do uso de lubrificantes.

No Brasil, o maior empecilho continua sendo a alta carga tributária – a mesma cobrada em carros de alto luxo, como a Ferrari. Como a indústria local sequer cogita, por enquanto a produção, a baixa escala torna as vendas muito mais difíceis.

Mas não está longe a edição, em que o motor a combustão será lembrado como coisa do passado. E os motores elétricos ganharão corações e mentes.

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