Usar em vez de ter, uma visão da mobilidade do futuro

compartilhamento de veículos

Viajar a trabalho, visitar familiares, ir ao médico, ter atividades de lazer, férias ou viagens de negócios, internet móvel e conferências telefônicas – estamos cada vez mais móveis e estamos simultaneamente em mais lugares do que nunca.

O rápido avanço da tecnologia está descortinando uma nova era para a humanidade. Nas próximas décadas, mais da metade da população de todo o mundo viverá nas áreas metropolitanas, exigindo novas formas de inteligência na mobilidade.

O uso compartilhado do automóvel mudará a maneira como enxergamos os transportes individual e público num futuro muito próximo.

Atualmente, as discussões de como viveremos no futuro passam, muitas vezes, pelo conceito de cidades livres de automóveis. Será isso mesmo possível?

Além de ocupar muito espaço nas vias públicas, carros com motores de combustão convencional são vistos como vilões, ou seja, não deveriam fazer parte da boa vida urbana pela poluição que provocam, contribuindo para o aquecimento global. Já carros como elétricos, híbridos plug-in ou movidos a hidrogênio resolvem o problema da emissão limpa, mas ainda assim causarão congestionamentos.

Mas, talvez, os automóveis não sejam vilões. Talvez no futuro possam fazer parte da solução, desde que toda a frota seja disponibilizada de uma forma mais inteligente em relação aos dias de hoje.

A mobilidade do futuro caminha para o conceito de “usar em vez de ter“.

Hoje, cada vez mais, especialmente a “Millennials generation“, faz seus percursos nas grandes cidades se apoiando nesta ideia.

Uma mistura de mobilidade flexível está se tornando comum à medida que os habitantes da cidade podem transitar mais livremente entre os diferentes modos de transporte.

A questão importante aqui é como eles podem chegar ao seu destino da maneira mais rápida e fácil possível e não quais os meios de transporte que eles usam.

Os aplicativos de mobilidade urbana para smartphones e tablets irão ajudar a navegar de forma eficiente na selva urbana e a encontrar as melhores rotas.

Eles combinarão ofertas de transporte público local, compartilhamento de carros, serviços de táxi e bicicletas em um único aplicativo e ainda poderão apontar qual a opção de conexão mais barata para o usuário.

Gradualmente, essas ofertas se tornarão ainda mais inteligentes. Elas integrarão os dados de tráfego atuais em tempo real e incluirão a situação de estacionamento no destino.

Sistemas de pagamento integrados estão sendo desenvolvidos para que os clientes possam pagar sua jornada convenientemente com um único clique, mesmo usando vários meios de transporte.

Tudo leva a crer que pode surgir uma rede de veículos particulares atuando como parte complementar de frotas públicas (em várias cidades da Europa, o compartilhamento free-floating – onde é possível pegar o carro em uma região da cidade e devolver em outra, deixando o carro livre para outro usuário – já está incorporado ao sistema).

Sob esta ótica, os ônibus deverão se adaptar e suas rotas serão focadas nas demandas da população.

Este desenvolvimento para o transporte “intermodal” significará que diferentes meios de transporte públicos e privados não competirão mais entre si. Em vez disso, a contínua digitalização encadeará seu uso de forma inteligente e eficiente.

Portanto, a mobilidade do futuro exige conceitos integrados. As montadoras, os operadores de transporte público – seja ele sobre pneus ou sobre trilhos –, terão que se desenvolver mais em prestadores de serviços de mobilidade, conectados e gerando sinergia.

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