Transporte de cargas por contêiner sobre trilhos deve crescer de 10% a 20% ao ano

contêiner sobre trilhos

Apesar de a economia do país permanecer fragilizada, há segmentos importantes da indústria que começam a retomar o fôlego. Um deles é o transporte ferroviário de cargas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), mesmo em um ambiente recessivo, de 2014 a 2016, o modal conseguiu se manter com crescimento regular e, a partir deste ano, deve voltar a avançar de forma mais significativa.

De acordo com o presidente da entidade, Vicente Abate, um dos principais responsáveis por esse progresso será o transporte ferroviário de cargas conteinerizadas. “Apesar do transporte ferroviário ser tradicionalmente forte nas commodities, principalmente com grãos e minério de ferro, e do transporte de cargas gerais ser de apenas 3% historicamente, há uma visão das concessionárias e do mercado que esse número aumente nos próximos anos, para um total de 10% a 15% em média. Para isso, é necessário que se tenha mais trens dedicados ao transporte de cargas via contêiner, com corredores para exportações e importações”, afirma.

O presidente da Câmara Brasileira de Contêineres, Transporte Ferroviário e Multimodal (CBC), Silvio Campos, por sua vez, estima um desenvolvimento ainda maior para o segmento. “Temos uma projeção de crescimento de aproximadamente 20% ao ano no transporte de cargas por contêiner. Um dos modais que mais se beneficiará dessa evolução, sem dúvida, será o ferroviário”, acrescenta o executivo.

Quanto às concessionárias, a MRS, uma das maiores companhias do setor no país, comprova esse avanço. “Nos últimos três anos a MRS vem registrando aumento acima de 30% ao ano na movimentação de contêineres. Em 2015, por exemplo, transportamos 67,7 mil TEU’s (unidade de medida padrão do setor, que corresponde a um contêiner de 20 pés), volume 31,4% superior ao de 2014“, destaca o gerente geral de negócios dedicados a cargas gerais da companhia, Guilherme Alvisi.

O presidente da Abifer ressalta ainda que essa evolução, se comparada desde a época em que o transporte ferroviário deixou de ser estatal, em 1997, até os dias atuais, mostra-se muito superior. “Em 1997 transportava-se aproximadamente 3 mil contêineres e atualmente são movimentados cerca de 417 mil. Depois de 20 anos, o país já transporta mais de 139 vezes do que aquela época”, diz.

Porém, para ele, isso ainda é pouco e o setor pode se desenvolver ainda mais. Para atingir as estimativas e até superá-las, uma das alternativas é investir em inovações tecnológicas e em novos serviços. “Temos que aumentar ainda mais a capacidade do vagão e diminuir o tempo de descarga, gerando aumento de produtividade e redução de custos”, salienta Abate.

Alvisi cita uma das soluções oferecidas pela MRS, que considera um diferencial neste mercado. Trata-se dos chamados trens expressos, que possuem horários fixos de chegada e de partida, a exemplo dos trens de passageiros. “Há alguns anos os trens não saíam se não tivessem com um número de vagões ocupados com contêineres considerados suficientes para que a operação fosse rentável. Agora, com as grades fixas de horários, eles partem na hora estipulada, independentemente se estiverem com apenas um contêiner ou com a lotação completa”, pondera.

“Exemplos disso são os nossos trens que vão para Santos, em que antigamente demoravam de três a quatro dias para chegar ao porto da cidade e hoje, com as grades fixas de horários, nossa rota mais longa leva menos de 24 horas”, observa Alvisi.

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