SsangYong reativa vendas com novos parceiros e produtos de ponta

SsangYong

Desta vez, os coreanos da SsangYong prometem seriedade no casamento – não vão mais reatar à toa. Depois de duas passagens pelo mercado nacional (1995-1998 e 2001 a 2015), anunciam a parceria com um novo grupo brasileiro para a comercialização, a partir do primeiro trimestre do ano que vem, dos modelos Actyon Sports, Korando, Tivoli e XLV – todos em duas versões e ainda sem definição de preços.

Ao reunir a imprensa especializada para anunciar uma nova estratégia para o mercado nacional, os executivos da montadora coreana e os novos parceiros brasileiros, agora da Venko Motors, do Grupo paulista JLJ, ficaram boa parte da entrevista coletiva fazendo um mea-culpa pela interrupção temporária de toda estrutura da marca, que, para alguns consumidores, havia “falido”.

O diretor de importação da SsangYong, Jong Dee Lee, acabou admitindo um “erro” na paralisação temporária do negócio, e, por isso, pediu “desculpas” ao consumidor brasileiro. Ele atribuiu o descompasso ao programa Inovar Auto, que sobretaxou em 30% veículos importados, à volatilidade do câmbio e ao desarranjo financeiro do grupo anterior que representava a marca por aqui.

“Desta vez chegamos para ficar porque acreditamos muito no potencial do Brasil e na qualidade dos nossos produtos para atender com muita satisfação o consumidor local”, afirmou Dee Lee. “Nos últimos anos, a SsangYong passou por um processo de modernização de suas unidades fabris e também da ‘ocidentalização’ dos seus veículos”, afirma Gerson Pittorri, presidente da SsangYong Brasil.

Para mostrar compromisso e seriedade, o primeiro passo é “abraçar”, “acolher” todos os 16.511 consumidores que compraram um produto SsangYoung desde a primeira passagem da marca pelo Brasil, que se deu por meio de um importador de Barbados. Todos os consumidores locais poderão ser atendidos em 16 concessionários já credenciados pelo novo representante, com assistência técnica e todo o portfólio de autopeças.

Para dar suporte a toda a operação, a empresa disponibilizou no interior de São Paulo um espaço com 10 mil metros quadrados onde concentrará um centro de distribuição, formação técnica dos concessionários e a direção dos negócios da marca coreana, que agora investe na qualidade e robustez dos seus produtos.

A Venko, que já representou a chinesa Chery no Brasil, terá o direito de comercialização da marca coreana pelos próximos dez anos, podendo ser renovada por períodos subsequentes de cinco anos. O know-how do Gupo JLJ se dá também pela representação até 2016 da Rely, divisão de comerciais leves da própria Chery. Com as duas marcas, o grupo chegou a ter uma rede de 120 concessionários e acumulou vendas e 55 mil unidades.

A nova estratégia é posicionar a marca Ssangyong como fabricantes de veículos premium. A marca tem como ponto forte fabricar picapes e SUVs com motores a diesel, característica que absorveu quando atuou em parceria com a Mercedes-Benz para o desenvolvimento de motores e produtos.

“O ponto relevante é que a Ssangyong se encontra em uma nova etapa da sua história, imersa em um ambiente de inovação e modernização”, diz Pitorri. “Com isso, a montadora pretende ter veículos parcialmente renovados a cada ano e a renovação completa a cada quatro anos. Tudo isso vai se refletir diretamente na rede de distribuição”, reforça o  executivo.

A expectativa da Venko é comercializar em 2018 3 mil unidades, por meio de 50 concessionários que vão formar a rede no Brasil. Desse total, 16 pontos de atendimento são remanescentes das duas fases anteriores da marca aqui. De acordo com a Venko, esses concessionários foram selecionados porque continuam atendendo seus clientes, mesmo sem a atuação da marca oficial no país.

Inovação

Assim como todos os fabricantes, a direção da SsanYong também investe em tecnologias da autonomia de direção e eletrificação dos motores. O seu desenvolvimento na Coreia do Sul está a passos largos e poderá fazer parte do portfólio brasileiro assim que o mercado local tiver demanda e capacidade para absorver os veículos com tecnologia de ponta.

Jong Dee Lee afirmou que o Brasil poderá ter uma produção local se os negócios tiverem um bom crescimento no país. Atualmente, o volume anual projetado para a SsangYong é de 280 mil unidades – 40% das vendas da marca coreana se concentram na Europa. A América do Sul também tem força nas vendas.

O ponto descontraído da coletiva foi quando o executivo coreano foi questionado pelo FutureTransport se a concentração da produção na Coreia do Sul não poderia sofrer um abalo em caso de um eventual conflito militar com a Coreia do Norte. Rindo, ele respondeu que não existe possibilidade de guerra entre os dois países.

“Não há bomba atômica, tensão, medo, não existe nada disso”, divertiu-se.  “Por mais que existam manchetes e preocupação no resto do mundo, na Coreia do Sul não há o menor vestígio de tensão em relação à Coreia do Norte. Eles lançam torpedo como demonstração de força, mas não nos afeta. Tudo não passa de um jogo político”, disse, para espanto de muitos jornalistas brasileiros.

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