SsangYong chega com produtos competitivos para garantir seu posto no futuro

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Em um mercado em que mais de 50 marcas atuam mesmo diante de uma das maiores crises econômicas da história, certamente haverá espaço ao sol no Brasil para a SsangYong, que reaparece pelas mãos do grupo paulista Venko Motors.

Com uma linha de produtos renovada e atributos premium, os modelos da marca coreana vão dar trabalho aos concorrentes.

Tivoli é um SUV mais baixo que o comum, mas não curto – essa característica tem colaborado para seu sucesso de vendas em países como a própria Coreia e da Europa

Ao ser comprada pelo grupo indiano Mahindra em 2011, houve investimentos na evolução e lançamento de produtos. Mas os clientes tupiniquins não puderam acompanhar esta nova fase, já que o importador local viu o negócio ruir, aparentemente por má gestão.

Meia década depois, a SsangYong quer surpreender a galera com modelos interessantes, como o SUV compacto Tivoli, o XLV (um Tivoli alongado), o esporte utilitário diesel Korando e a picape Actyon Sports, esta reestilizada. Todos os modelos chegam de uma vez só em uma rede que está sendo remontada para cobrir boa parte do território nacional.

Para evitar prejuízos na imagem, o trabalho começa por mapear os 17 mil proprietários de modelos Ssangyong vendidos no mercado brasileiro desde 2000 e que ficaram órfãos depois que o importador anterior saiu do mercado. Um por um está sendo contatado para saber da necessidade de peças antigas e eventual interesse em comprar um zero.

“Apesar de se virem abandonados, não há um ódio pela marca”, afirma Marcelo Fevereiro, diretor de Operações da SsangYong Brasil. “Surpreendentemente, muitos mantêm seus veículos. É uma base inicial que não podemos desprezar, já que conhecem bem o atributo da SsangYong.”

O FutureTransport teve a oportunidade de se deslocar até Salto (120 quilômetros distante de São Paulo), onde está a sede do grupo Venko Motors, para dirigir os modelos que estão em fase de homologação no mercado nacional. A Venko tem uma tradição e conhecimento do mercado automobilístico por já ter representado a chinesa Chery.

No geral, pode-se dizer que os atuais modelos SsangYong estão em compasso com o que há de melhor no mercado. Embora não exista nada de extremamente surpreendente em termos de acabamento e dirigibilidade em seus veículos, preços sugeridos e o pacote de equipamentos na nova linha de produtos podem realmente surpreender as expectativas.

Mesmo em um segmento já tão disputado como o dos SUVs médios ou compactos, o Tivoli certamente vai incomodar. Com duas versões e preços que vão de R$ 85 mil a R$ 100 mil, o Tivoli tem um design externo provocador. Olhando de longe, a frente é meio estranha, mas o conjunto todo é muito interessante e fisga a atenção do entusiasta por carros.

O Tivoli é um SUV mais baixo que o comum, mas não curto – essa característica tem colaborado para seu sucesso de vendas em países como a própria Coreia e da Europa. Com 4,20m de comprimento x 1,80m de largura x 1,59m de altura, o carro tem entre-eixos de 2,60m, proporcionado boa estabilidade. O sistema óptico tanto traseiro quanto dianteiro formam uma moldura interessante.

No habitáculo, há uma sensação de falta de espaço – talvez pelo teto levemente rebaixado. No banco traseiro, essa percepção é maior ainda. Os assentos todos em couro, o painel envolvente e com linhas modernas (lembra muito o estilo dos veículos da Ford) e o pacote recheado de itens de fábrica, no entanto, colaboram para o status de um carro de nível mais avançado.

Em saídas, o Tivoli é um pouco lento – falta fôlego. O motor responde melhor na estrada. O Tivoli vem equipado com propulsor de 1.6 litro, gasolina, com 128 cavalos de potência a 6.000 rpm e torque de 16,3 Kgf.m a 4.600 rpm. Inicialmente, a transmissão Aisin automática de seis velocidades e trocas sequenciais será a única opção oferecida no Brasil.

Percebendo que tinha desenvolvido um modelo atraente, mas econômico no espaço interno, principalmente para bagagens, a Ssangyong desenvolveu o XLV, derivado do Tivoli. É a mesma plataforma alongada. O porta-malas do XLV subiu para 720 litros, atraindo famílias. Só que o alongamento do carro tirou um pouco do encanto do design do Tivoli. Não se faz omelete sem quebrar ovos.

Actyon tem motorização de 2.2 litros Turbo Intercooler Euro VI, que gera 178 cv de potência a 4.000 rpm e torque de 41 Kgf.m a 1.400-2.800 rpm. A transmissão é automática de seis velocidades. A tração é part-time 4WD, que permite mudar de 2WD para 4WD (e vice-versa) por meio de um toque no botão

A boa surpresa do dia em Salto ficou por conta da picape Actyon. Com desenho externo mais conhecido dos brasileiros por conta da experiência da década passada, a caminhonete é surpreendente na força, dirigibilidade e no bom acabamento interno. É robusta, traçada e a diesel, atributos muitos valorizados para consumidores deste tipo de veículo.

Com duas versões e preços que variam de R$ 120 mil a R$ 135 mil, vai dar trabalho no segmento de picapes médias, onde a Fiat Toro vem reinando. Por sua caçamba e força, pode travar uma disputa interessante até com picapes muito mais caras, como as tradicionais Toyota Hylux, Ford Ranger e GM S10.

A Actyon tem motorização de 2.2 litros Turbo Intercooler Euro VI, que gera 178 cv de potência a 4.000 rpm e torque de 41 Kgf.m a 1.400-2.800 rpm. A transmissão é automática de seis velocidades. A tração é part-time 4WD, que permite mudar de 2WD para 4WD (e vice-versa) por meio de um toque no botão.

“A Actyon, sem dúvida, foi a grande responsável pela boa reputação que a marca tem entre os brasileiros”, afirma Gerson Pittorri, presidente da SsangYong Brasil. As dimensões permitem à Actyon Sports ocupar no país o nicho das picapes médias, com a facilidade de manuseio e de manobras para quem roda no dia a dia na cidade e até mesmo em ruas mais estreitas”.

A picape da SsangYong tem dimensões de 4.990 mm de comprimento, 1.910 mm de largura e 1.780 mm de altura (1.790 mm com rack de teto). A distância entre-eixos é de 3.060 mm. A caçamba da caminhonete também é um ponto a favor: permite 720 quilos de capacidade. É bem larga, cabe facilmente uma moto.

A Venko Motors também aposta bastante no Korando. O diferencial do modelo está em seu motor tubo diesel Euro 6, incomum para o segmento. O nível de ruído do motor diesel é muito baixo e deve atrair consumidores interessados nesta nova experiência, num veículo que vai estar posicionado entre R$ 135 mil e R$ 150 mil.

O propulsor tem 2.2 litros e entrega 178 cavalos a 4.000 rpm e torque de 41 Kgf.m a 1.400-2.800 rpm. A transmissão Aisin automática é de seis velocidades e trocas sequenciais. O veículo conta com sistema de tração AWD e bloqueio do diferencial central. O tanque tem capacidade para 57 litros de combustível.

Embora a Ssangyong ressalte o design, ele se parece com o mais do mesmo neste abundante segmento de SUVs. O acabamento interno também não se diferencia tanto da concorrência. Sua dirigibilidade também está em linha com a média do mercado. São itens de segurança como airbags dianteiros, freios dianteiros e traseiros a disco, controles de estabilidade e tração e assistente de partida em rampas, luzes diurnas de LED, entre outros.

Com a pretensão de chegar a 50 concessionárias no final de 2018, a Ssangyong está com pressa de recuperar o tempo perdido no Brasil. A linha é interessante e tem tudo para ser um grande negócio para o grupo Venko Motors.

A marca coreana vem se aperfeiçoando continuamente e também já esta investindo em novas tecnologias, como a do carro elétrico. É uma marca que vê um grande futuro pela frente. A aposta em uma produção verticalizada numa única fábrica na Coreia, conseguindo assim escala e preços competitivos. Já está em 128 países e quer mais.

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