São Paulo: grande cidade, grandes problemas

AMARILIS BERTACHINI– Enquanto aguarda o desenrolar de recursos e liminares que nos últimos três anos surgem de última hora e travam a licitação para operação do transporte público de passageiros, a cidade de São Paulo continua se deparando com dificuldades básicas na locomoção por ônibus. Apenas um terço da frota tem ar-condicionado, ou cerca de 4.484 veículos dos 13.628 coletivos que compõem a frota operacional, e somente 1.121 ônibus disponibilizam wi-fi para os passageiros. Na maior capital do país, onde a conectividade é tida como fato consolidado, é difícil entender esses antagonismos. A cidade não consegue solucionar desde os problemas que parecem mais simples até os mais complexos, como o obsoleto sistema de monitoramento da frota que não permite ajustes imediatos na configuração da rede. 

Parte desses problemas explica a queda na procura pelo transporte por ônibus que mostrou retração de 2,7% na demanda. Cansado de enfrentar um serviço de má qualidade, o passageiro tem encontrado alívio nas alternativas que surgem com os aplicativos de veículos compartilhados e com os inovadores modais que ajudam a suprir trechos de linhas que não chegam até o destino final do usuário, como as bicicletas compartilhadas e os patinetes. Vale destacar que cresceu também o número de deslocamentos a pé pela cidade, conforme informação do próprio Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss).

A cidade tem conseguido manter uma renovação de frota em torno de 10% ao ano o que melhorou significativamente a qualidade dos ônibus em circulação nas linhas principais. No ano passado, foram 1.507 novos ônibus no sistema e, para 2019, estão previstas 1.720 novas unidades. “A qualidade do material rodante está cada vez melhor”, afirma Francisco Christovam, presidente do SPUrbanuss.

A infraestrutura, porém, continua apinhada de problemas e os empresários do setor mantêm o pleito para que a municipalidade faça sua parte. Falta prioridade ao transporte coletivo, as faixas dedicadas ao ônibus continuam sendo invadidas sem critério ou respeito, todos querem desfrutar do privilégio que deveria ser exclusivo, e o programa de implantação de novas faixas seletivas, que hoje totalizam 500 quilômetros, não progrediu. 

Para suportar o sistema, que transporta uma multidão de 6 milhões de passageiros por dia, são necessários cerca de R$ 3 bilhões em subsídios à tarifa de ônibus, cuja arrecadação está estimada em R$ 5,3 bilhões. As gratuidades são desfrutadas por 56% dos passageiros, onerando todo o sistema. Segundo o sindicato, o valor do subsídio por passageiro equivalente está em R$ 2,48 (a tarifa é de R$ 4,30).

Uma boa notícia salta em meio aos dados do município: hoje 96% da frota de São Paulo é acessível, ou seja, 13.496 veículos estão equipados com rampa de acesso para pessoas com dificuldade de locomoção. No setor, os motoristas também conquistaram uma vitória no ano passado, com a aprovação de uma diferença salarial para os condutores de ônibus de grande capacidade, como articulados, biarticulados e trólebus. “Foi um reconhecimento profissional”, atesta Christovam.

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