RN Logística compra caminhão a gás da Scania

R410 movido a GNV

Além de apresentar os modelos de sua Nova Geração de caminhões, que começou a ser entregue aos primeiros clientes em fevereiro deste ano, a Scania levou à 22ª edição da Fenatran (Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas) seu pesado com motorização a Gás Natural Veicular (GNV) e biometano e um caminhão movido 100% a Gás Natural Liquefeito (GNL) e biometano, cujas vendas foram abertas oficialmente no evento para entrega a partir de abril de 2020. A estratégia rendeu frutos imediatos e a montadora fechou oficialmente durante o evento sua primeira venda de um R410 movido a Gás Natural Veicular para a RN Logística. O veículo será usado na rota São Paulo-Rio de Janeiro para o transporte de produtos da francesa L’oreal.

“A RN Logística tem um apelo muito forte na questão ambiental. É um caminho sem volta, todos vão precisar migrar para soluções mais sustentáveis e, como a Scania, nós apostamos nisso. Temos a estimativa de alcançar cerca de 30% em economia com combustível e ainda contribuir com a redução das emissões de CO2. Nossa parceria com a Scania é recente, mas só vem aumentando e podemos falar em novos negócios nos próximos dias”, diz Rodrigo Navarro, diretor comercial da RN Logística. Além da L’oreal, a empresa tem outros clientes de porte, como Samsung, HP, Nestlé e Starbucks.

Segundo dados da Scania, o R410 movido a gás consegue uma redução de emissões de CO2 que pode chegar a até 15%, em relação a similares a diesel, e pode alcançar até 90% se o combustível usado for o biometano. Os pesados Scania a gás têm 410 cavalos de potência e são vocacionados para médias e longas distâncias. Têm motor Ciclo Otto (o mesmo conceito dos automóveis) e são 20% mais silenciosos.

Caminhões a GNL para a Ambev

R410 movido a gás

A Scania também fechou parceria com a Cervejaria Ambev para demonstração de dois caminhões R410 movidos a Gás Natural Liquefeito. Por um período de dois anos, os veículos, da recém-lançada Nova Geração da marca, vão operar em rotas no interior de São Paulo, com comando logístico da Transportadora Translecchi e das concessionárias Scania Quinta Roda e Codema.

Os caminhões receberam implemento sider, para transporte de bebidas. Segundo informações da Scania, um deles começou a rodar no início de outubro em uma pré-demonstração com carga genérica, mas simulando a operação real da Cervejaria Ambev. Nessa prévia, já foi possível levantar dados via conectividade dos trajetos e antecipar possíveis ajustes no sistema de gás e em características operacionais que ocorrem nesse tipo de pré-demonstração.

“Na Cervejaria Ambev, temos uma meta de reduzir em 25% as emissões de carbono ao longo da nossa cadeia de valor, até 2025. Isso nos mobiliza a sempre expandir nossas parcerias, buscando empresas que compartilhem nosso objetivo de encontrar as melhores soluções tanto para o nosso negócio, quanto para o meio ambiente”, diz Bernardo Adão, gerente de sustentabilidade e logística da Cervejaria Ambev. “A parceria com a Scania é mais um pilar em nossa ampla e diversa plataforma de sustentabilidade”, comenta.

A expectativa é de que até o final de outubro os dois veículos estejam inseridos na operação real da Ambev em sua base em Jaguariúna. Desse ponto, os caminhões partirão em rotas de, no máximo, 800 km. No período de pico do verão, quando a demanda por cerveja cresce, os dois R 410 deverão rodar em regime de 24 horas por dia, nos sete dias da semana. A previsão é de uma rodagem entre 15 a 20 mil km por mês, em média. A meta é que a redução de emissões de CO2 chegue a até 15% em comparação a similares a diesel. A compra do gás liquefeito será feita pela Cervejaria Ambev, em parceira com a Gás Local. A base de abastecimento será na estrutura da Gás Local em Paulínia (SP).

“Vamos iniciar esse teste dentro da cervejaria em Jaguariúna. Será possível testar diversos tipos de circuitos e avaliar onde será a melhor aplicação dessa solução. A expectativa é bem alta em relação ao resultado dessa experiência e, uma vez avaliados os resultados, vamos desdobrar para outras operações da Ambev”, declara Jean Pierre Carillo de Faria, Head de inovação logística da Cervejaria Ambev. “Na Cervejaria Ambev dizemos que sustentabilidade não faz parte do nosso negócio, ela é o nosso negócio. Ano passado anunciamos metas de sustentabilidade e uma delas é a redução da emissão de CO2. Até 2025 esperamos reduzir em 25% a emissão de CO2. Um dos maiores geradores de CO2 é o transporte de longa distância, então, possuir uma alternativa como essa, de substituição do óleo diesel para o gás, faz muito sentido para nossa busca desses objetivos”, complementa.

Segundo Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania, uma das vantagens do GNL é a maior autonomia em comparação ao gás natural comprimido, que passa de cerca de 400 km para perto de 1.200 km. “Não é só pensar sustentável, é agir. Ter um produto que também ofereça rentabilidade e economia operacional. O caminhão a gás está neste caminho”, afirma o executivo.

“Os veículos movidos a combustíveis alternativos, como o gás, desempenharão um papel fundamental na mudança para um sistema de transporte mais sustentável. A Scania lidera esta transformação e está empenhada em apoiar seus clientes com soluções rentáveis que contribuam com a sustentabilidade nos âmbitos econômico, ambiental e social”, diz Roberto Barral, vice-presidente das operações comerciais da Scania no Brasil.

“A diferença para o abastecimento de gás comprimido e liquefeito está no tipo de tanque utilizado. O gás liquefeito possui um modelo criogênico, que mantém o combustível líquido e em baixa temperatura. Ele funciona como uma garrafa-térmica, por exemplo, para manter tudo funcionando dentro do recomendado para que não haja perda do combustível”, informa a Scania, através de comunicado oficial. “A demonstração está sendo monitorada pelos Serviços Conectados Scania. Um módulo instalado no caminhão envia todas as informações das viagens, em um acompanhamento detalhado da operação e individualmente por motorista, por meio do Pacote Desempenho. A Transportadora Translecchi pode analisar itens como consumo de combustível, condução mais eficiente e segura e de controlar o desgaste desnecessário dos pneus. Além disso, o recém-lançado Programa de Manutenção Scania Premium Flexível vai garantir mais disponibilidade e eficiência, com uma redução de custos de até 25%”, acrescenta.

Mathias Carlbaum, vice-presidente global de operações da Scania, destaca a importância do papel da indústria de caminhões no controle da emissão de poluentes já que o transporte é responsável por 18% das emissões de CO2 do planeta. “Nosso propósito é liderar a transição para um sistema de transporte sustentável. Se somos parte do problema, sejamos os que trazem as soluções. Se não atuarmos agora, no futuro ninguém vai querer comprar nossos produtos nem investir na nossa empresa. Sustentabilidade e rentabilidade coexistem aqui e agora”, declara.

Carlbaum afirma que nos próximos dez anos o setor automotivo e de transporte mudará mais dos que nos 100 anos anteriores, principalmente pela entrada dos veículos autônomos, conectados e elétricos. “Para a Scania está claro que o futuro é elétrico. Daqui a cinco anos, cerca de 10% das vendas mundiais serão de veículos elétricos e dentro de dez anos, em 2030, serão um terço do volume. A eletrificação já começou, mas não é suficiente. Uma solução só não basta e a resposta que temos é a dos combustíveis renováveis”, ressalta o executivo.

Ele relata os investimentos da Scania nessas novas tecnologias com o exemplo do veículo autônomo AXL, sem cabine, que trabalha em áreas controladas, como uma mina, um canteiro de construção ou um porto. “Já temos veículos autônomos trabalhando na mineradora Rio Tinto, na Austrália, e nosso objetivo é até 2025 ter ao menos 25 áreas de veículos autônomos no mundo, muitas delas no Brasil e na América Latina”, diz. Outra solução inovadora da Scania é o NXT, um veículo que muda fisicamente para se adaptar a diferentes perfis de demanda ao longo das 24 hs.

No Brasil, a Citrosuco e a transportadora Morada Logística também estão comprovando os benefícios do caminhão a gás.

A conectividade é outro avanço para a sustentabilidade e rentabilidade. Hoje a Scania tem mais de 400 mil veículos conectados que geram informações detalhadas de suas operações. Esses dados são usados pela montadora para uma análise que mostra qual o veículo correto para a operação de cada cliente, com menor consumo de combustível e menos gastos com manutenção.

“Com a Nova Geração de caminhões Scania um novo patamar foi alcançado”, afirma Carlbaum. A Nova Geração promete economia de até 12% no consumo de combustível em relação à geração anterior e, em alguns casos, até já ultrapassou esse índice. A montadora recebeu mais de 11 mil encomendas da Nova Geração nos oito meses desde o início oficial das vendas. Com isso, a fabricante alterou sua projeção de crescimento no mercado de caminhões em que atua, acima de 16 t (semipesados e pesados), de 10 a 20% para um volume que ficará entre 40 a 50% superior a 2018. Uma das inovações da nova família é o sistema TMA (Tailor made for Application), que personalizar o veículo, os serviços e as soluções financeiras para os clientes da marca.

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