Reticentes no passado, “Big Oil” já admitem preocupação com veículos elétricos

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Até mesmo as “Big Oil” já estão revendo suas previsões sobre quantos veículos elétricos estarão nas ruas do mundo até 2040.

A Exxon Mobil, a BP, a Agência Internacional de Energia e mesmo a Opep estão aumentando suas previsões para o número de veículos elétricos (EVs) operando naquele ano, de acordo com informações da Bloomberg New Energy Finance (Bnef).

No primeiro trimestre deste ano, FutureTransport publicou matéria em que, a mesma Bloomberg, detalhava um cenário no qual os veículos elétricos eliminariam 13 mb/d (milhões de barris/dia) de demanda de petróleo em 2040 (veja matéria).

E as revisões puxam bem para cima os números anteriores. A Exxon Mobil aumentou sua previsão quase 50% em relação ao ano passado, para 100 milhões de EVs. A BP também prevê 100 milhões. E a nova previsão da Opep é quase seis vezes maior do que era no ano passado, em 266 milhões de EVs na estrada até 2040.

As próprias previsões da Bloomberg são ainda mais otimistas. Ela prevê que 530 milhões da frota mundial de veículos serão elétricos até 2040. Esse é um aumento de cerca de 124 milhões em comparação com a previsão feita no ano passado – 530 milhões são quase um terço da frota total de veículos do mundo.

A previsão Bnef inclui veículos híbridos plug-in, o que ajuda a aumentar a taxa de adoção. Mas observou que os plug-in estarão em declínio e serão apenas 15% do total de EVs até 2040. Então, o que impulsionou a mudança no último ano?

Os custos caíram, as escolhas aumentaram e a legislação mudou. As baterias de íons de lítio custavam cerca de US$ 1.000 por quilowatt-hora em 2010. Hoje, esse custo decresceu até US$ 300, de acordo com a Bnef. As previsões colocam os custos de um pacote inteiro por menos de US$ 100 até 2026.

E há mais veículos elétricos a caminho. A Tesla tem cerca de 500 mil pedidos do Modelo 3, mostrando que existe demanda por esse carro. O novo Bolt EV da Chevrolet mostra que as grandes montadoras também podem fazer veículos elétricos de longo alcance e acessíveis. Mercedes-Benz e Volkswagen têm novos modelos a caminho, a Volvo transformou sua marca de alta performance, a Polestar, em marca independente para a produção de veículos elétricos de alto desempenho além de anunciar o fim dos motores a combustão em todos os seus modelos a partir de 2019. Sem falar na recente parceria entre a Toyota e a Mazda nos EUA (veja matéria).

Mais opções significam que a concorrência aumenta, o desenvolvimento acelera, e o apelo deve ser ampliado. É também um sinal de que as montadoras estão começando a adotar tecnologia EV. Finalmente, a legislação.

Os governos da França e do Reino Unido prometeram eliminar os carros a gasolina e a diesel até 2040. Embora essas proibições possam ser promessas difíceis de manter, são certamente sinais de uma mudança radical no transporte tal como o conhecemos. Portanto, a popularização do EV está a caminho. Mesmo as companhias de petróleo, céticas até algum tempo atrás, estão prognosticando agora.

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