Ociosidade recorde da indústria dificulta competitividade de fornecedores

Anfavea projeta quadro otimista para 2019

Com uma ociosidade de 75% na indústria de caminhões e cerca de 45% na de automóveis e comerciais leves, o investimento para a manutenção da competitividade de fornecedores de componentes, sistemas e autopeças está ameaçado no Brasil, avaliam altos dirigentes de montadoras e entidades de classe do setor.

Sem crédito e capital de giro, muitas empresas que participaram de várias etapas  da cadeia já estão enfrentando dificuldades em razão do baixo nível de produção da indústria. Neste ambiente, estimam especialistas, as companhias terão muito mais problemas para conseguir retomar o ritmo se a demanda voltar a se recuperar.

“Já estamos olhando essa questão com muito cuidado”, diz o vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da MAN, Ricardo Alouche. “Esta é uma das graves consequências que esta crise provoca, ou seja, a baixa demanda produção inviabiliza o negócio de fornecedores, que lutam para se manter no negócio.”

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, a ociosidade de 75% é o maior percentual já registrado no segmento de caminhões, que com 26 mil unidades emplacadas entre janeiro e julho deste ano, registra queda de vendas de 14,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

No momento em que se fala muito sobre a indústria 4.0, as indústrias de médio e pequeno porte ficam sem condições financeiras e mão de obra qualificada para acompanhar o salto tecnológico.

O crescimento de 42,5% da exportação, que entre janeiro e julho resultou em 440 mil unidades vendidas ao exterior, ajudou toda a cadeia produtiva, mas nem de longe é suficiente para reanimar uma indústria que investiu numa capacidade instalada acima das 4,5 milhões de unidades por ano.

Na opinião dos principais dirigentes da indústria de caminhões, dificilmente o Brasil voltará ao patamar de 2001, quando a produção de veículos pesados de transporte superou 200 mil unidades.

As principais empresas projetam a estabilização de um mercado em torno de 120 mil unidades anuais, isto é, quando o país voltar a renovar sua frota de caminhões. Isso se dará provavelmente após  2018 quando um novo governo eleito retomar a agenda de investimentos na infraestrutura.

“Os pequenos e médios fornecedores sofrem muito mais neste momento de dificuldades”, reforça Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil. “Muitos correm o risco de ficar defasados tecnologicamente e não acompanhar a evolução da indústria pela baixa capacidade de investimento e renovação do maquinário”, acredita.

Para ele, o mesmo não acontece com as montadoras, pois todo o processo de desenvolvimento ocorre nas matrizes, que acabam repassando a tecnologias para suas filiais.  Segundo o presidente da Mercedes-Benz, a baixa produção deixa os fornecedores numa camisa de força, pois eles ficam sem uma retaguarda para pleitear crédito.

O contraponto é que, com a baixa produção da indústria, fabricantes de autopeças encontraram no mercado de reposição uma saída para as dificuldades, já que os consumidores passam a cuida mais da manutenção dos usados por evitarem ou não poderem comprar novos veículos. Mas a produção fica voltada para peças e procedimentos antigos.

De acordo com o Sindipeças,  as vendas líquidas nominais da indústria de autopeças no acumulado dos primeiros cinco meses deste ano cresceram 16,2% sobre o registrado em igual período de 2016, segundo levantamento mensal com 64 empresas associadas do Sindicato, que respondem por 32,2% do faturamento total da indústria de autopeças no Brasil.

O nível de utilização da capacidade passou de 61% em abril para 66% em maio deste ano, o maior grau de utilização desde maio de 2015. Isso ajudou a abrir novas vagas de trabalho em maio.

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