O que está em xeque com o Polo é a capacidade da Volkswagen em decifrar um novo Brasil

novo polo

Após o lançamento da última geração do Polo, algumas ironias apareceram nas redes sociais em relação ao novo hatch médio da Volkswagen. Entre os comentários jocosos, estão os que associam o recém-lançado modelo a um “Gol” turbinado.

A maioria dos comentários, é claro, é emitida sem nenhuma base empírica. Fora os jornalistas especializados, o grande público ainda não teve o contato com o veículo nas concessionárias ou nas ruas, pois as primeiras vendas só começam a ser atendidas em dezembro. Isso conta muito para o sucesso de um veículo.

Jornalistas muito sérios destacam que o Polo é um carro de nível superior e o mais próximo de sua categoria aos rígidos padrões europeus, em que as exigências em relação à segurança, emissões, dirigibilidade, eletrônica embarcada e conforto são de longe muito superiores aos oferecidos pela maioria dos modelos vendidos no mercado nacional.

Mas polêmicas à parte, no caso do Polo o que parece estar sob avaliação do consumidor ou do público admirador é a evolução do traço, no caso da Volkswagen, notadamente conservador. A empresa sinalizou com o novo Polo que não abre mão de manter sua tradição e firmeza do traço.

A Volks é uma marca com conceito e respeitabilidade enormes entre os brasileiros. Seus carros são confiabilíssimos. Em praças como a de São Paulo, por exemplo, ter um modelo VW é o mesmo que ter no bolso um cheque visado – a revenda é certa.

Sem contar que, em termos nostálgicos, quase todas as famílias brasileiras acumulam experiências com ícones da marca, como o Fusca, Brasília, Passat, Kombi, Gol… Isso garante um valor incomensurável à montadora.

Mas, num instante em que o mundo enfrenta revoluções tecnológicas em vários segmentos, da comunicação à indústria, será que alguma coisa não mudou no jeito de o brasileiro ver as coisas?

Muitos entendem que sim. É imensa a oferta de produtos das mais de 50 marcas que atuam no mercado nacional, interferindo no gosto local. Ferramentas de busca permitem ao consumidor comparar produtos e avaliar a evolução dos carros mundo afora.

Com isso, o conceito do brasileiro, antes formulado à base do que as ‘Big Four’ (VW, General Motors, Fiat e Ford) ofereceram durante décadas, está sendo fortemente alterado. O quanto mudou esse gosto ainda não se sabe exata e claramente.

 

Com o Polo, a Volkswagen dá início a uma nova estratégia agressiva de renovação completa de seu portfólio. O quanto ela vai acertar nessa nova fase vai depender do que ela interpretar sobre as mudanças no gosto do brasileiro, principalmente das gerações mais novas, que são muito mais informadas que as anteriores.

 

Erros de avaliação no pré-crise fizeram com que a montadora perdesse importante participação de mercado nos últimos anos com o “envelhecimento” de seu portfólio, principalmente do Gol, veículo que manteve a liderança de vendas por 28 anos no Brasil.

Por isso, as “brincadeiras” nas redes sociais com a “semelhança” visual do novo Gol com o Polo, um veículo que traz novos padrões de carroceria e acabamento interno, mas com ares de um velho conhecido do consumidor.

Será que o veículo vai realmente encantar? Só trabalho competente e árduo da montadora dará a resposta nos próximos meses.

O fato é que, no Brasil, principalmente, nada parece fazer sentido se o design não agradar, mesmo que um novo carro seja o melhor de sempre. Sem esse apelo, é difícil que exista o ‘estouro da manada’, aquele efeito inexplicável que faz com que determinado modelo caia no gosto do consumidor e venda que nem água.

Ultimamente, o tal “estouro da manada” esteve mais associado a veículos asiáticos, como modelos da Honda, Toyota e Hyundai. Primeira colocada em vendas atualmente, a GM também remodelou o desenho dos seus veículos para agradar um novo padrão de design que começou a surgir no Brasil.

Vamos ver o quanto ainda a Volkswagen conhece e entende o brasileiro, um consumidor que ela mesma ajudou a formar.

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