O preparo da Martins para encarar um futuro promissor

Martins Logística Internacional

Apesar da crise política, é cada vez mais claro o descolamento no mundo dos negócios. São vários os indicadores que apontam a retomada com mais vigor do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Entre os diversos dados, está o aumento de 54% nas vendas de caminhões no primeiro trimestre, indicando crescente atividade econômica.

De olho neste novo momento, o FutureTransport está ouvindo os empresários do transporte e logística numa série sobre o atual cenário. Nesta terça-feira (10.04), Lourival Martins, proprietário do Grupo Martins, recebeu a reportagem em sua sede na Grande São Paulo. É de lá que pretende impulsionar a pujança do negócio.

Em uma longa conversa, o operador logístico disse que quem sofreu menos na crise está um passo à frente da concorrência. Após uma reestruturação e investimentos, ele espera crescer entre 15% e 18% neste ano, além de expandir a atuação para o Rio de Janeiro e Santa Catarina, estados em que pretende atuar nos serviços de desembaraços aduaneiros.

 

 

“Quem não sofreu nada na crise, morreu, não existe mais”, acredita. “Já as empresas que sofreram muito ou menos na turbulência estão mais preparadas para um mercado que terá uma disputa muito mais acirrada em 2019. Vai se sobressair e recompor suas margens quem tiver um ponto de diferencial”, finaliza.

Além dos processos fiscais portuários, o operador ainda atua no transporte, armazenagem e distribuição. A empresa realiza operação logística em várias cadeias produtivas. Como diferencial, persegue a transparência com os clientes e o menor tempo na movimentação. Em sua carteira, estão mais de 300 clientes, entre eles a Continental Pneus, Toyota e C&A.

Neste ano, a Martins Logística Internacional, empresa do Grupo Martins, foi escolhida para o BID da Honda para serviços de assessoria aduaneira nas exportações de motores e embalagens de retorno com destino aos EUA, México e Japão. Ao ganhar a confiança dos japoneses, a empresa pretende operar em novos processos da cadeia logística da montadora.

No cenário da Martins também está a entrada no setor de encomendas expressas e e-commerce, já que várias empresas prospectam este nicho diante do  enfraquecimento dos Correios. A expertise da Martins no comércio exterior também é vista como uma aproximação natural neste novo mercado.

Com um novo horizonte surgindo, a Martins espera ganhar maior musculatura. “O aquecimento da economia vai fazer com que as empresas que trabalham o comércio exterior busquem os operadores logísticos”, avalia Martins. Por isso, ele acredita que haverá um bolo maior para ser repartido entre empresas mais preparadas para o futuro.

Fatores de sucesso

De origem simples, Martins encarna o personagem do self-made man. Ele representa uma parcela empresarial que constrói seu negócio com muita base na persistência, observação e perspicácia. De motorista de perua de lotação há cerca três décadas, atualmente comanda uma empresa que faturou R$ 87 milhões em 2017 e projeta um crescimento de 18% para 2018 – já chegou a ter uma receita de R$ 120 milhões. No horizonte, está um faturamento de R$ 200 milhões.

Com 25 anos de atividade, a empresa passou por varias fases. Mas sempre disse ter norteado seu crescimento com base no atendimento nas necessidades do mercado, entregando serviços cada vez mais confiáveis aos seus clientes.

Para se manter na crise, a empresa teve de se reestruturar. Encolheu ao reduzir pessoal e a operação em 40% com a forte diminuição da demanda. Repactuou as dívidas, mas não deixou de realizar investimentos. Atualmente, o quadro de pessoal já está maior que o anterior à crise.

Além da infraestrutura, há novas tecnologias de ponta como a de um aplicativo que permite acompanhamento online do trâmite da carga. O dono da empresa faz questão de acompanhar pessoalmente o quadro de motoristas, escolhidos após rigoroso processo de seleção. “Há profissionais aqui ganhando até R$ 13 mil por mês”, revela.

Em troca da melhor remuneração, Lourival Martins cobra profissionalismo e comprometimento do pessoal. De acordo com ele, os acidentes são raros na empresa – dois nos últimos anos sem consequência grave para os motoristas. Todo o trabalho é acompanhado de métricas para avaliar todos os resultados, buscando melhorias continuas.

Ele acredita que foi na busca pela eficiência que, em 25 anos, conseguiu ampliar seu grupo. “Nós aqui da Martins sempre nos propomos a fazer o melhor”, diz. “Até porque acabou o oba-oba no mercado. Acabou a enganação. Os embarcadores exigem KPIs, frota renovada, tecnologia e pessoal qualificado. Não tem, tá fora.”

Concentrado nas novas oportunidades, o empresário espera ver este ano o armazém de 11 mil m² construído quatro anos atrás com capacidade de 7.400 posições na cidade de Poá, às margens do rodoanel na Grande São Paulo, com 100% de ocupação este ano. Ao custo de R$ 10 milhões, o centro de distribuição ainda está com 50% da capacidade ociosa.

“Eu esperava ver tudo isso repleto quatro anos atrás, quando a economia estava bombando”, lembra. “Mas nós não perdemos nada. Pelo contrário, agora temos essa grande estrutura quando a economia retomar, sendo um ponto de diferencial nosso”, avalia.

Com os maus momentos ficando para trás, a Martins empregará R$ 8 milhões para renovação de frota. Ela compra extrapesados Volvo e leves da Iveco. Estuda comprar pesados da Mercedes-Benz. Com novos contratos, está no horizonte a contratação de mais pelos menos 40 funcionários especializados. “Nossa meta é sempre ser referência”, explica.

Com pessoal qualificado, tecnologia, infraestrutura e vontade de ampliar os negócios, o Grupo Martins considera estar no caminho certo para entrar num futuro de muitos desafios. “Empresas como a nossa encaram o desafio de sempre atender a demanda não importa em quais condições.”

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