VW Delivery: projetado para as atuais e futuras gerações

novo Delivery

Quando a reportagem do FutureTransport estacionou o Delivery 6.160 em frente a uma churrascaria na Avenida Goiás, por volta das 12h da quarta-feira (24.01), em São Caetano do Sul (ABC), o painel do mais novo caminhão da MAN-Volkswagen marcava inacreditáveis 6,7 km/l de consumo de diesel S10. Lastreado com cerca de 2 toneladas, a marca não deixa de ser surpreendente mesmo para um leve.

Era o final de um trajeto que começara cerca de duas horas antes na sede da MAN, localizada na rua Volkswagen, nº 291. Foram cerca de 40 quilômetros num circuito misto, saindo do bairro do Jabaquara, passando pelas rodovias Imigrantes, Rodoanel, Anchieta, entrando por São Bernardo do Campo, retornando à Anchieta, adentrando a São Paulo, nas Juntas Provisórias, até chegar ao almoço em São Caetano do Sul, na Avenida Goiás, endereço de uma outra grande montadora, a General Motors.

 

 

Realmente, foi uma sensação muito prazerosa dirigir o caminhão que envolveu anos de planejamento, aporte bilionário, e que testou todo o conhecimento e a capacidade da equipe da MAN no Brasil, desde seu presidente Roberto Cortez, passando por seus colaboradores mais próximos e fiéis, até os metalúrgicos do chão de fábrica.

Hoje se sabe: todo um time ousou sonhar que do Brasil poderia sair um caminhão para vender no mundo inteiro. A partir de São Paulo e Resende, com seu sistema modular, todos agiram como as novas gerações que projetam produtos em escala global. Sabendo da competência local, a sede da MAN, na Alemanha, dobrou a aposta nos brasileiros.

E, sem puxa-saquismos, o resultado é surpreendente. Todo esse pessoal da MAN conseguiu entregar um caminhão que já agrada ao adentrar cabine. O acabamento envolve o conceito de um automóvel. Quem é familiar à marca Volkswagen, como este repórter, parecia estar guiando um irmão mais parrudo dos carros de passeio da marca.

Como um aluno em sua primeira aula ao volante, vamos relembrar o passo a passo do test-drive. Primeiro passo, já instalado na cabine, ajustes de retrovisores. Fácil: botãozinho eletrônico, no braço da porta. Ajuste de volante, moleza: profundidade e altura. Assentos, confortáveis, com tecidos bem acabados e, dizem os técnicos da MAN, durável.

 

 

No painel, computador de bordo informando instantaneamente dados sobre o consumo por meio de uma barrinha eletrônica. Lá fora um calor infernal, dentro o ambiente gostoso proporcionado pelo ar-condicionado. Era mesmo um caminhão? Nem parecia que estávamos carregando duas toneladas no chato trânsito da maior região metropolitana da América do Sul.

Estávamos numa versão Prime, a mais completa. O portfólio é ainda composto pelas City e Trend. Claro, quem conhece a indústria de caminhão, sabe que as configurações são quase que “infinitas”. Como quase não existe produto de prateleira, tudo pode ser configurado, dependendo do gosto e bolso do freguês. Mais aqui vai um apelo, principalmente aos grandes frotistas: senhores, proporcionem o melhor aos seus motoristas. O conforto é bom demais e rende mais produtividade ao final do dia, que se traduz em mais dinheiro para a companhia.

Para dizer que não há uma crítica, o único senão é a qualidade do plástico no acabamento de portas e painel. Mas, se a VW ousa utilizar este tipo de material mesmo em automóveis, por que não em caminhões, onde o luxo interno ainda não é, pelo menos por aqui, uma pré-condição de venda?

À bardo do 6.160, o câmbio tem engates fáceis para um caminhão leve. São seis marchas à frente na transmissão Eaton manual a cabo. O motor Cummins ISF 2.8l SCR – sem a necessidade do aditivo Arla – entrega um torque surpreendente em saídas.

No teste, não passamos dos 80 km/h, mas poderíamos andar muito mais rápido sem que o motor “gemesse”. Para quem gosta de estrada, a sensação é que dá para andar quase 1.000 quilômetros num dia.

Freios: também impressionou a resposta rápida. Na parada dos semáforos, ou nas cabines de pedágio, o sistema CBI de freio a disco nas rodas dianteira agiu com extrema precisão para um veículo cujo Peso Bruto Total (PBT) soma 6 toneladas. Como num carro, o freio de estacionamento acionado por alavanca passou confianças em trechos íngremes que exigem paradas no carregado trânsito urbano, como alças de acesso a viadutos.

 

 

A suspensão também ajuda a passar a sensação de conforto. No 6.160, como no Express que virá por volta de abril, o sistema dianteiro é independente com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos de dupla ação. Na traseira, é rígido, com molas parabólicas de duplo estágio e amortecedores hidráulicos.

Sobre o design do Delivery, vamos só dizer que vimos muitos e muitos motoristas, de carros, caminhões e vans, esticarem o pescoço para fora das janelas dos seus veículos por onde passamos para apreciar o VW. Pelo esforço que fizeram, acho que o caminhão leve da VW impressionou bem os passantes.

Depois do almoço, até a sede da MAN, dirigimos a versão de 9.170 toneladas, também lastreadas, dessa vez com sacos de areia. Muito mais pesada, conseguimos também uma marca de 5,6 km/l. Freios, motor, suspensão, entre-eixos, já são mais reforçados para atender aplicações mais exigentes. Em tudo também impressionou.

Conversando com o pessoal da MAN, na figura de Paulo Razori Junior, engenheiro de marketing do produto, responsável pela área de vendas, marketing e pós-vendas, a MAN quer fazer do novo Delivery um campeão no mercado doméstico pelo menor TCO, custo total operacional, do mercado. “Não é só o menor consumo, mas também um amplo pacote, que inclui diversos serviços de assistência e manutenção, sem contar a maior durabilidade do produto em toda a sua vida útil. Por tudo, isso acreditamos no potencial do novo Delivery”, diz.

Com versões que vão de 3,5 toneladas a 11 toneladas, o marketing da VW posiciona o novo Delivery em várias categorias do segmento leve. Em todas terá condição de brigar pela liderança, mas a disputa mais aguardada será no segmento de entrada, atualmente ocupado por modelos importados ou veículos nacionais derivados de vans.

O sonho da MAN é grande, resta agora pela frente a dureza do mercado, ainda mais o nosso abalado por uma crise sem precedentes. Mas, em se tendo um bom produto, todo o resto vem junto. Disso muito bem sabem executivos do porte de Ricardo Alouche, vice-presidente de marketing, vendas e pós-vendas da VW-MAN.

Ao dobrar a aposta do time brasileiro, a MAN foi surpreendida em um evento na Alemanha com uma versão elétrica do novo Delivery, que, em seguida, esteve exposto na Fenatran do ano passado. Não foram poucos os executivos da concorrência que bisbilhotaram o modelo no estande da MAN.

Pelo que pudemos sentir no encontro com os executivos da VW-MAN, nesta última quarta-feira, o elétrico não é apenas uma propaganda. Ah, antes da eletrificação e da conectividade do Delivery, a montadora ainda tem boas surpresas, como o câmbio semi automatizado, que vai melhorar ainda mais as aplicações urbanas do caminhão leve.

Pelo que parece, o Delivery veio para durar muitas gerações, inclusive as que vão conviver com caminhões muito mais limpos em termos de emissões.

 

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