No Brasil, nem as novas tecnologias reanimam o carro 1.0

carro 1.0

No intenso movimento pendular da indústria automobilística nacional, o Brasil deixou para trás o posto de país do carro 1.0, o chamado carro popular.

Em 2017, os carros com motor de 1.000 m³ somaram 34,5% das vendas entre os veículos nacionais, enquanto os de 1.000 cm³ a 2.000 m³ abocanharam 63,7% ; Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Nem as tecnologias surgidas recentemente, como motorizações downsizings, de três cilindros, mais eficientes em termos de emissões, desempenho e economia de combustível, foram suficientes para voltar a seduzir o consumidor.

Foram principalmente essas novas tecnologias, exigidas pelo programa Inovar Alto, que o carro nacional ampliou em 15% sua eficiência energética e de emissões no período 2012-2017.

O programa do “carro popular” surgiu em 1990, no governo do presidente Itamar Franco, com o resgate do Volkswagen Fusca. Naquele ano, o mercado somou 4,3% de carros populares.
Onze anos depois, em 2001, a Anfavea registrava a venda de 68,8% de carros 1.0. Foi o auge deste tipo de motor, que dividia opiniões – considerado por alguns, bom para o circuito urbano, mas fraco para um país continental.

A Fiat foi uma das montadoras que mais cresceram naquela fase, pois havia desenvolvido modelos mais adequados para aquele tipo de motorização.
De 2001 para cá, a motorização 1.0 foi diminuindo sua participação de mercado, até chegar a 33,2% no ano passado.

A base da indústria no subcontinente sul-americano ainda é formada por carros compactos, mas agora equipados com propulsores de maior desempenho.

Essa inversão sinaliza um movimento em busca de veículos mais sofisticados, principalmente, depois de a crise alijar cerca de 2 milhões de consumidores do mercado.

Se, antes fazia sentido para as montadoras e suas matrizes desenvolver aqui modelos equipados com motores de 1.000 cilindradas para atender a maioria dos consumidores, agora a política mudou, inclusive com a obtenção de maior lucro por parte delas.

Não é preciso ser nenhum especialista para ver que quem ficou no mercado, após a crise, é consumidor com maior poder de compra, o que explica o crescimento de vendas de carros de grande porte, como os SUVs, equipados com motores de até e acima de 2.000 cm³.

Mas nem esse movimento por veículos mais sofisticados é totalmente novo. Desde o crescimento econômico que o Brasil experimentou na década de 2.000 já se percebia o desejo de consumidores, mesmo os considerados da classe C, por veículos mais potentes e sofisticados.

Há quem diga que, no subconsciente, o brasileiro se assemelha muito mais ao americano, que só consome carros grandes, mesmo que gastões.

Segundo esse conceito, o brasileiro não tem a mesma filosofia do europeu, onde menos é mais.

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