No ambiente de violência, o mercado escreve certo por linhas tortas

veículos blindados

Na escalada de violência que vive o Brasil, chamou a atenção na última Intermodal, maior feira de Logística da América Latina, o grande espaço ocupado por veículos blindados para fazer o transporte de cargas consideradas de alto valor agregado. Um dos implementos chegava a ter quase 30 metros de comprimento.

Quem acompanha de perto esse setor, sabe que os primeiros veículos apareceram no começo desta década. Era um negócio de nicho, mas que vem crescendo rapidamente frente ao aumento da violência e aumento no número de roubos de cargas – estimativas apontam até 30 caminhões interceptados por criminosos por dia no Rio de Janeiro.

De caminhões trucados, passaram a implementos imensos. A blindagem é resistente a tiros de fuzil, com proteção especial a partes vulneráveis, como a área de arrefecimento. “Que bandido vai ter coragem de entrar na frente de uma carreta dessa, que esmaga qualquer carro à sua frente”, indagava o motorista-segurança, todo uniformizado, em um estande em que o veículo era exibido.

 

Rodotrem da Prosegur, um Mercedes-Benz Axor, considerado o maior veículo de transporte de alto valor agregado da América Latina, tem capacidade para 55 toneladas de carga.

 

Brink’s, IBL, Prosegur, entre outras empresas de segurança privada, antes focadas no transporte de valores (dinheiro), vêm aumentando sua participação na movimentação de produtos de alto valor agregado, como remédios, cigarros, celulares e eletroeletrônicos cobiçados pela marginalidade pela fácil absorção do varejo informal.

O custo desse transporte por blindados é invariavelmente maior, pois envolve veículos muito mais pesados e com escolta de até quatro homens – motorista mais três para escolta armada. Os locais de parada são todos programados e obedecem a rigorosos padrões de segurança. As jornadas costumam durar em média 12 horas no longo curso para várias rotas pelo do Brasil, que já não tem mais áreas seguras em seu imenso território.

Os caminhões também são rastreados em tempo integral, inclusive, com auxílio de câmeras instaladas na cabine e no implemento, que só pode ser aberto com códigos de segurança para evitar imprevistos e ataques.

O caminhão que chamou a atenção na Intermodal é um rodotrem Mercedes-Benz Axor, considerado o maior veículo de transporte de alto valor agregado da América Latina. O caminhão da Prosegur tem capacidade para 55 toneladas de carga.

“A Prosegur busca estar sempre alinhada às necessidades dos clientes, independentemente da área de atuação”, afirma Sérgio França, diretor comercial de estratégia da Prosegur Cash, divisão responsável pelos serviços de logística de valores e gestão de numerário.

Para atender as demandas do mercado, a companhia pretende investir R$ 10 milhões no segmento de transporte de cargas especiais em 2018. Dessa forma, a Prosegur ampliará a sua frota, com a aquisição de veículos, novos equipamentos, ferramentas e sistemas para a gestão do serviço.

“A Prosegur começou a atuar no segmento de cargas especiais em 2011, e desde então, esse mercado cresceu muito e a tendência é que a demanda continue em uma linha ascendente”, afirma o executivo.

Em 2018, a companhia pretende ampliar sua frota dedicada à operação de cargas especiais em cerca de 60%. Além disso, a empresa prevê um crescimento de 54% na receita desse segmento.

Não é só para a Prosegur que o céu está de brigadeiro. Outras empresas que atuam no segmento também vêm avançando com frota, equipes e tecnologia para dar conta da demanda que surge.

Daí o grande espaço que elas ocuparam na última intermodal, realizada no São Paulo Expo, com uma estrutura muito maior da que a feira ocupava em Santo Amaro nas edições anteriores.

Quando há necessidade, o mercado escreve certo por linhas tortas. Se o país está doente, os homens de negócios inventam as soluções, pois, no transporte, o mundo não pode parar nunca.

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