Mercedes lança comércio eletrônico de caminhões e anuncia que preços vão subir

O e-commerce chega aos veículos pesados. Neste sábado (23/05), a Mercedes-Benz do Brasil apresentará ao mercado uma nova ferramenta que promete transportar o cliente para dentro da concessionária, com uma sala virtual de negócios para vendas de veículos comerciais, incluindo caminhões, ônibus e vans da linha Sprinter.

Mercedes lança e-commerce

Com o nome de Showroom Virtual Star Online, a nova plataforma será uma maneira de aproximar os clientes da marca neste momento de distanciamento físico por causa da epidemia de Covid-19. Por meio do computador ou do celular, toda a rede de 180 concessionárias da marca ficará acessível ao cliente que pode ser direcionado à loja mais próxima para obter informações sobre disponibilidade de novos veículos naquela unidade, veículos seminovos das dez lojas SelecTrucks, oferta e cotação de peças, agendamento de serviços de manutenção e possibilidade de financiamento e consórcios do Banco Mercedes-Benz. O próprio dealer também poderá colocar nessa ferramenta ofertas para clientes de sua região.

Na avaliação de Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, é possível conduzir todo o processo de venda dos veículos de forma virtual e, somente na concretização do contrato, ter o mínimo de aproximação física, como para coletar assinaturas, por exemplo. A empresa já tem um canal de WhatsApp aberto 24 hs para comunicação com clientes e motoristas. O executivo acredita que, a partir de agora, o canal físico de vendas e a comercialização pela internet vão coexistir e farão parte do “novo normal”.

“Essa ferramenta já vinha sendo pensada, veio para ficar e também é fruto do avanço da Mercedes-Benz no campo da inovação, tecnologia digital e Internet das Coisas dentro do conceito concessionários e clientes 4.0, assim como já ocorre com nossos produtos, serviços e fábricas que também já são digitais. Tínhamos que fazer essa disruptura para trazer vantagem para o cliente”, declara. A montadora escolheu para esse projeto a startup MobiAuto, uma plataforma de tecnologia desenvolvida para promover maior eficiência na relação de compra e venda de veículos. O valor investido nessa iniciativa não foi revelado e ainda não há uma estimativa de vendas de veículos com o uso dessa plataforma. “Estamos baseados no sentimento de que é uma direção certa, mas não sabemos qual será o resultado”, comenta o executivo.

Alta nos preços

Mas, apesar do moderno canal de vendas, é bom o cliente se preparar. Leoncini já avisou que, com a atual situação da economia, principalmente com a alta do dólar, a Mercedes-Benz será obrigada a aumentar os preços de seus caminhões para repassar os custos que subiram para a montadora. Todas as peças e componentes comprados a partir de agora, principalmente os importados que sofrem com o dólar no patamar de R$ 5,70, já chegarão com custo mais alto para a fabricante e esse ônus será repassado para o preço final do produto, provavelmente a partir de julho.

Os investimentos já programados, segundo Leoncini, serão mantidos, mas novos projetos ficarão congelados.

Mercado

Antes da Covid-19, a estimativa era de um mercado nacional potencial para 110 mil caminhões em 2020, com muitos indicadores apontando para uma economia maior, com crescimento consistente no PIB. Mas a chegada da epidemia foi devastadora para o setor. Em lugar da previsão de cerca de 9 mil caminhões por mês, o mês de março registrou licenciamento de 6.438 unidades e o mês de abril teve apenas 3.952 caminhões emplacados, uma queda de 56% em relação ao que havia sido projetado para o mercado.

“Ninguém sabe responder qual será o tamanho do novo mercado do Brasil”, diz Leoncini. Ele relata que a área de inteligência da empresa tem conversado com os clientes para tentar entender os movimentos do mercado. “Temos três crises: uma sanitária, uma econômica e uma política que também atrapalha muito a tomada de decisão, em qualquer segmento. Cada dia temos que fazer uma nova análise para vários cenários, fica difícil responder para a matriz qual o tamanho do Mercado Brasil para este ano, para caminhões, ônibus e vans”, explica.

Os números da Mercedes-Benz também caíram e foram “um baque significativo”, na expressão usada por Leoncini. As vendas da montadora sofreram retração de 39%, de 1.931 caminhões licenciados em março para 1.180 veículos emplacados em abril. “Vamos ver o que vai acontecer em maio”, comenta. Os emplacamentos foram também, em parte, prejudicados pela paralisação das unidades do Detran. Mesmo o governo tendo liberado a circulação sem o emplacamento, Leoncini explica que os frotistas não quiseram arriscar, até porque sem placa não é possível fazer o seguro do veículo.

Atraso no Novo Actros

A produção do Novo Actros, modelo cujas primeiras entregas estavam previstas para abril, sofreu atraso na produção pela paralisação da fábrica em março e abril. A produção foi retomada na semana passada e, a partir de junho, as concessionárias deverão receber os primeiros carros desse modelo para testes. Por enquanto, somente alguns clientes frotistas, que já haviam recebido os primeiros veículos para testes, estão rodando com o Novo Actros.

Um desses clientes é a Transportes Botuverá, de Rondonópolis (MT). “O novo veículo tem dado resultados excepcionais. O novo caminhão vem mostrando mais do que prometeram na entrega, em termos de conforto e economia de combustível”, declara Adelino Bissoni, sócio da transportadora. Pelos cálculos da Mercedes-Benz, o Novo Actros pode proporcionar redução de até 7% no consumo de combustível em relação a outros modelos. Segundo Bissoni, a Botuverá planeja adquirir dez unidades do Novo Actros no segundo semestre.

Produção em tempos de Covid-19

A produção de caminhões Mercedes-Benz recomeçou na semana passada com 50% dos funcionários na fábrica, para preservar o distanciamento. Foi montado um ambulatório de campanha e é feita a medição de temperatura de todos que chegam para trabalhar. No escritório, o time de vendas está 100 % em home office. Foi priorizada a produção do que já estava vendido em contrato e, paulatinamente, o volume vai sendo retomado. “Vamos ter um alongamento de algumas entregas, isso vai fazer parte deste momento”, admite Leoncini.

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