Mercedes-Benz lança versão de ônibus mais potente da marca em meio a uma previsão de queda de 35% no mercado

O ano não indica qualquer cenário animador para o mercado de ônibus, mas a indústria tenta manter-se ativa e preparada para a demanda, seja ela qual for. É o caso da Mercedes-Benz do Brasil que acaba de anunciar a versão 430 cv do motor OM 457 LA, da linha de rodoviários, que passa a ser o ônibus mais potente da marca no país. Mas a expectativa de vendas de qualquer modelo de ônibus este ano não é das melhores.

Para Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing de ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, o impacto da pandemia de Covid-19 deverá causar uma retração de 35% no mercado nacional de ônibus, o que representa descer de uma estimativa inicial de 20 mil a 21 mil ônibus para algo entre 13 mil e 14 mil unidades. Isto, considerando uma retomada do mercado, ainda que em condições parciais, no final de julho ou início de agosto. Se esse retorno das atividades não acontecer, Barbosa já avisa que essa previsão mudará novamente.

“Ainda existem algumas oportunidades, mas o transporte de passageiros foi muito impactado”, avalia Walter Barbosa.

Os segmentos que mais sofreram foram os de ônibus urbanos e rodoviários. Alguma demanda tem surgido na área de fretamento porque a necessidade de distanciamento entre as pessoas, para evitar a disseminação do coronavírus, faz com que algumas empresas peçam um limite menor de funcionários transportados por veículo. Isso significa a necessidade de mais ônibus para fazer o mesmo serviço de fretamento. Porém, de acordo com Barbosa, é insustentável para as empresas de fretamento comprarem veículos novos para trabalhar apenas por um tempo. Segundo o executivo, essas empresas têm solucionado o problema com a locação ou com a compra de ônibus usados.

No caso dos urbanos, o volume de passageiros caiu tanto que a receita das empresas operadores despencou, em média 75%, diz Barbosa. “Acho que vamos ver os meses seguintes à pandemia com alguns cuidados especiais, os ônibus passarão por processos de higienização, todas as pessoas terão que usar máscaras dentro do ônibus, os motoristas são orientados para não permitir muita gente dentro dos ônibus e, após o trauma da pandemia, não sei se voltaremos ao que tínhamos antes”, comenta.

Com a chegada do coronavírus, encomendas que já estavam na carteira de pedidos da montadora foram canceladas. “Os grandes grupos tinham programado carros conosco, em torno de uns 300 carros para este ano, não é um volume muito grande, mas o ano ainda estava começando quando veio a Covid-19 e aí o segmento foi fortemente afetado e as compras estão temporariamente suspensas. Não há projeção de compras para o segundo trimestre, estão todos à espera para ver como vão retomar suas atividades” conta Barbosa.

A fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) está se preparando para reiniciar a produção de a partir do dia 11 de maio, de forma gradativa, com escala de funcionários dentro do acordo feito com o sindicato. “Tenho carro para atender ao mercado, o fornecimento não vai parar”, avisa o diretor da empresa. Em termos mundiais, no grupo Daimler, o impacto nas vendas de ônibus não foi tão significativo na Europa porque lá o ônibus não é o principal meio de transporte, analisa Barbosa.

As vendas de chassis para ônibus da Mercedes-Benz no país, no primeiro trimestre deste ano caíram 10,3%, com o licenciamento de 2.075 unidades frente a 2.314 emplacadas em igual período do ano passado. O mercado total de ônibus registrou queda de 21,8% na comparação dos períodos, com o emplacamento de 3.661 ônibus entre janeiro e março deste ano.

Finame volta a ser atrativo

Para facilitar a venda de ônibus, a montadora está alinhada com o Banco Mercedes-Benz do Brasil para oferecer condições atrativas, a atenção está voltada para os clientes que estão com financiamentos em andamento. “Neste momento é difícil ter clientes que possam renovar a frota, então, o objetivo é auxiliar e apoiar os empresários para que grande parte deles possa honrar os pagamentos e manter caixa para preservar usa operações”, declara Barbosa. Ele diz que, para clientes em situação mais delicada, o banco concedeu carência de seis meses para Finame e de três meses para CDC, sobre os contratos vigentes, ou seja, eles podem voltar a pagar somente a partir de julho. “Estamos fazendo várias flexibilizações, queremos manter os clientes saudáveis para que, daqui a alguns meses, eles possam respirar e, aí sim, fazer suas renovações”, diz.

Ele assinala que antes da Covid-19 o CDC era tido como o melhor produto financeiro, mas, agora, o Finame voltou como uma alternativa. “Daqui pra frente o Finame volta com carga plena porque o custo é o mais barato do mercado, além da carência. Até ano passado, perto de 85% dos negócios eram CDC, a partir de agora, os novos negócios que vierem certamente serão através do Finame”, afirma.

Novidades nos rodoviários

ônibus mais potente na linha de rodoviários

O lançamento do motor de 430 cv é parte de um pacote de novos itens da Mercedes-Benz para a linha O 500 de ônibus rodoviários, voltados a melhorias na eficiência, economia de combustível e maior segurança nas estradas. O aumento de potência do motor OM 457 LA tem como base uma nova parametrização dos módulos eletrônicos, com novas curvas de potência e de torque, ele chega em 430 cv a 2.000 rpm e a 2.100 Nm a 1.100 rpm.

“O mercado estava solicitando um ônibus mais potente, especialmente para carrocerias DD (Double Decker) e HD (High Decker) de 14 e de 15 metros”, ressalta Barbosa. “A maior potência traz um ganho de eficiência nos motores de ônibus mais pesados, levando a um melhor desempenho em topografias mais severas. Além disso, somando-se a outras medidas, como o pacote Fuel Efficiency e o estilo de condução do motorista, pode-se chegar até 10% de economia no consumo de combustível, reduzindo custo operacional para as empresas de transporte”. Com a nova potência de motor, a marca passa a contar com os modelos O 500 RSD 2443 6×2 e O 500 RSDD 2743 8×2.

E para atender à nova legislação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que permite instalação de carrocerias de 14 metros para veículos 4×2, a montadora começou a oferecer o O 500 RS com PBT de 19.600 kg. Barbosa explica que a Resolução 210 do Contran mudou o critério de teste de tombamento. Antes o veículo ficava sobre uma rampa, tinha que sofrer uma inclinação de 28 graus e permanecer com todos os pneus na rampa. Agora, o veículo precisa ser efetivamente tombado e a carroceria tem que suportar pelo menos 50% do PBT. Isso exigiu reforços estruturais nas carrocerias e gerou ligeiro aumento de peso nos veículos. “Desenvolvemos um 14 m para atender a essa nova legislação. Antes tínhamos um 14 m com PBT de 18.500 kg e agora passa a ter 19.600 kg. O cliente pode configurar o veículo com 50 assentos, ele suporta mais carga”, assegura o executivo. O aumento de PBT foi obtido a partir de algumas mudanças no chassi, como a introdução de novos eixos dianteiro e traseiro e de freio a disco.

No pacote de soluções para segurança e economia, o novo rodoviário O 500 RSDD 8×2 passará a ser equipado, de série, a partir de julho próximo, com piloto automático adaptativo (ACC), sistema de frenagem de emergência (AEBS) e sistema de aviso de faixa (LDWS).

Além da nova potência, a linha de ônibus O 500, começa a oferecer três versões de caixas de transmissão: mecânica, automatizada e automática e fica a critério do cliente escolher a melhor combinação de motor e câmbio para o perfil de operação de sua frota. “A maioria dos operadores prefere ou a automática ou a automatizada porque proporciona maior conforto para motoristas e usuário. Mas mantemos as três opções porque alguns ainda preferem a transmissão manual”, declara Barbosa.

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