Marca top de linha, Volvo atua pela popularização do carro elétrico

Luiz Rezende presidente da Volvo Cars

A Volvo Cars espera o momento certo para oferecer aos consumidores brasileiros o carro 100% elétrico. Na opinião do responsável pela marca no Brasil, Luís Rezende, isso se dará num futuro bem próximo. A empresa já tem a tecnologia, mas ainda faltam por aqui um pouco de amadurecimento do consumidor e a retaguarda da infraestrutura, que já está em andamento.

Rezende acaba de comandar o teste drive de lançamento da XC 60, o SUV médio que tem muito impacto entre o consumidor premium. Com preço a partir de R$ 235 mil, o veículo atrai não só por seu refinamento, mas também pela sobriedade de uma marca reconhecida pela segurança e tecnologia embarcada de seus veículos.

Ainda jovem, mas já há nove anos na empresa, Rezende afirmou que a Volvo Cars, atualmente pertencente a um acionista chinês, mas com toda sua filosofia e comando concentrados em Gotemburgo (Suécia), ainda tem muito a conquistar no Brasil.

Se depender do time por ele comandado, a marca ajudará a popularizar as tecnologias que virão por aí, como a eletricidade, a autonomia e conectividade. Atributos que o XC 60 já têm, com seus amplos sistemas de conectividade e direção semiautônoma. A versão hibrida-diesel chega do modelo no ano que vem, quando também será lançado outro produto de impacto da marca, o XC 40.

Rezende concedeu a seguinte entrevista exclusiva ao FutureTransport.

 

FT – A Volvo vai investir no carro elétrico também no Brasil? Já há modelos híbridos aqui da marca?

Rezende – Com certeza. O XC 90, que é o nosso SUV médio, tem em seu mix 40% das vendas com motor a gasolina, 30% a diesel e os 30% restante propulsor T8, híbrido de 407 cavalos, 65 quilos de torque, aceleração de 0 a 100 km em 5,5 segundos, sem perder a personalidade, duas toneladas e cinco lugares.
A gente brinca que são três veículos em um: um a gasolina; um elétrico (você pode rodar só no modo elétrico). Juntando o diesel você tem 407 cavalos, uma potência maluca. Então o T8 é “três carros em um”, com tecnologia nova, fantástica.

Como o consumidor avalia comprar um elétrico?
A gente sente ainda alguma mistificação no mercado. Alguns consumidores têm alguns questionamentos sobre a tecnologia. Mas a Volvo é muito bem posicionada, muito bem esclarecida em relação a tudo isso. Por isso, a gente decidiu anunciar que a partir de 2019 todos os carros que nós vamos produzir terão versões eletrificadas ou serão 100% elétricos.

Vocês pretendem ajudar a popularizar o elétrico no Brasil?

A partir do anúncio do fim do motor a combustão, já não é mais novidade que uma XC 60, que a gente acaba de lançar no Brasil, também virá na sua versão elétrica, motor T8, assim como a XC 40, no próximo ano (2018). Quando for o momento correto, nós apresentaremos o Plug–in Hybrid.
O mercado consumidor está se adaptando a isso. Mas veja só, o poder acessível de quem compra uma SUV média, não necessariamente é o mesmo poder econômico de quem compra uma XC 60. Ao trazer um carro plug-in, numa versão XC 60, a gente acredita ainda mais na popularização dos veículos elétricos.
Num mercado de um XC 40, isso vai ser ainda mais interessante porque o mercado em que o XC 40 atua, uma SUV menor, é mais do que a soma, em vendas, do XC 60 e do XC 90, não só no Brasil.
Então cada vez mais a gente trazendo carros eletrificados plug-in no segmento de entrada, mais a tecnologia fica conhecida, mais a gente consegue divulgar e popularizar. É esse o caminho que perseguimos.

No Brasil, qual foi o impacto sobre o anúncio que vocês fizeram sobre o fim do carro a combustão?
Fantástico. Diversos jornalistas vieram conversar conosco. A Volvo tem três pilares muito claros e bem resolvidos. Primeiro deles é o nosso DNA: segurança. Sempre fomos e sempre seremos líderes nisso. Nós não jogamos (não iludimos) nessa parte de inovação.
O segundo é o meio ambiente, que a gente cuida muito, não só num modelo a gasolina, mas também no híbrido. Sempre buscamos em cada lançamento, desde o início de nossa história há 90 anos, poluir menos.
Para fazermos um híbrido, também somos tecnológicos, outro pilar em que a Volvo é muito reconhecida. O sistema de direção intuitivo nós lançamos praticamente sozinhos.
Nós não trouxemos o carro elétrico de vez por quê? Autonomia. Não necessariamente você vai querer só um carro elétrico. Mas daqui a pouco vamos ter o carro 100% elétrico, quando entendermos quando os consumidores estiverem prontos para o carro 100% elétrico.

Dá para imaginar um prazo para isso acontecer em nosso mercado?
É difícil estabelecermos um prazo. Mas não é um futuro distante. Não é. Até porque não é uma conversa isolada da Volvo. Muitas marcas estão envolvidas. Porque se a gente quer diminuir a poluição, diminuir o estrago que o consumo de combustível faz, esse é o caminho.

Qual a relação do consumidor brasileiro com veículos com as novas tecnologias?
O consumidor brasileiro é bem tecnológico. A gente sente este desejo de acessar novas tecnologias. O que limita muito é o poder econômico. Hoje, a infraestrutura está sendo cuidada para que isso ocorra. As empresas estão se movendo, nós da Volvo, estamos cuidando de fazer instalações.
A BMW saiu na frente fazendo isso (suporte para o carregamento de baterias). Existem shoppings já preparados. É algo que vai acontecer naturalmente de acordo com o crescimento do volume. Alguns prédios já estão sendo construídos com adaptação para que você coloque uma tomada. Não é nada complexo em termos de especificações.
Se você pensar em cidades em que predominam os condomínios, como Barueri (Alphaville), Campinas, Brasília, Goiânia, onde há muitos moradores em condomínio, fica mais fácil ainda a adaptação do carro elétrico.

O que lhe dá certeza de que a Volvo vai retomar a liderança dos SUVs médios com o XC 60?
A pré-venda é o principal sinal. A gente não divulgou o carro. Estamos fazendo isso com os jornalistas agora. Eu não anunciei. Só disse: está chegando. Mesmo não fazendo nada de impacto, já vendemos 200 carros. Até metade de outubro, nossas vendas estão esgotadas. O carro só chega oficialmente às concessionárias em setembro.
A gente sabe o poder que tem o XC 60. Os consumidores já estão na terceira geração. Além disso, o pacote tecnológico que esse carro traz, o que a gente foi capaz de fazer com a nova plataforma, pegar SUVs grandes, como a XC 90, e transferir para o XC60, é fantástico. Quase nenhum dos nossos concorrentes tem isso. É uma vantagem que vamos explorar muito. Temos outros fortes atributos, como a tração integral de série, que não tínhamos na geração anterior.

Qual é a estratégia de marketing para O XC 60, um carro acessível para muito poucos brasileiros?
A gente tem procurado reformular a forma como o veículo entra em contato com as pessoas, nos eventos dos quais a gente participa, nos locais em que expomos o carro, e também nas nossas concessionárias. A gente passou os últimos anos em reformulação da estrutura das lojas no Brasil. São 30, praticamente 80% delas dentro do último padrão global da Volvo, o que leva uma experiência genuína do produto para o nosso consumidor. A nossa ideia é dar essa experiência no showroom e em todos os lugares onde fazemos a exibição da marca. A gente, de certa forma, que estar presente na vida das pessoas, onde elas estiverem a Volvo vai estar com elas, demonstrando tudo o que podemos oferecer.

Como nos últimos anos, a Volvo Cars passou de um faturamento no Brasil de R$ 80 milhões para quase R$ 1 bilhão?
Foi todo um movimento. Anos atrás, quando nosso faturamento era menor, o mercado premium no Brasil, girava em torno de 9 mil carros – muito pequeno. Atualmente, esse mercado gira em torno de 40 mil, 45 mil.
O brasileiro aumentou sua renda num período. Além disso, outras marcas trouxeram carros mais acessíveis. Houve uma expansão de mercado, mas também consumidores que vinham acessando modelos topo de gama de Toyota, GM, Hyundai, Kia vieram buscar carros premium com a presença mais forte de marcas como a Volvo. Ao termos, por exemplo, uma concessionária em Natal (RN), o consumidor se sente mais confiante em comprar um produto da Volvo.

Qual o potencial da Volvo aqui?
Dependendo de nossa vontade, muito. Eu sou o mais jovem, e já tenho nove na Volvo. Nosso diretor de marketing, o João Oliveira, tem 14 anos, outros com 20, 25 anos, muitos têm na Volvo primeiro emprego. Nós somos apaixonados por esse trabalho. Então, vamos chegar onde Deus permitir que a gente chegue, acreditamos muito no que fazemos e no potencial da marca.

Vocês vão aumentar a rede de concessionários no Brasil?
Estamos tendo procura de novos interessados, principalmente, com o lançamento da nova XC 60. Estamos sempre avaliando os pretendentes, principalmente, em lugares ainda estamos descobertos, como o Centro-Oeste (Cuiabá-Campo Grande) e o Norte (Manaus-Belém).
Quando você tá com um produto que representa 60% do seu portfólio em fim de vida –, a primeira fase do XC 60 – é complexo você abrir novas regiões. É muito mais simples quando você tem um produto novo para te ajudar, principalmente dois produtos que serão de volumes expressivos como o XC 60 e o XC 40.

Qual o volume que a Volvo quer fazer no Brasil por ano?
Seis mil carros é a nossa missão. No portfólio atual, são quatro mil. Obviamente, esses números estão dentro de um mercado recessivo como nosso. Não fosse isso, poderíamos atingir um patamar bem maior. Basta lembrar que temos uma capacidade instalada para produzir 5,5 milhões de veículos, e o nosso mercado atual é de 2 milhões por ano.

Sendo a Volvo uma empresa de origem sueca, mas hoje pertencente ao capital chinês, como funciona essa triangulação com o Brasil?
Não tem triangulação. É uma linha reta. Como Brasil, nós nos reportamos a Américas, cuja base está nos Estados Unidos. A Volvo se dividiu em três grandes clusters: Ásia-Pacífico; Europa-Oriente Médio-África; e Américas. Cada líder dessas regiões é membro do board da Volvo, na Suécia. Todas as decisões são tomadas em Gotemburgo. Tem o acionista chamado Geely Holding, que pergunta: onde é que estão meus dados que vocês me prometeram?

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