Com 10% de aumento de vendas em janeiro, Anfavea reafirma confiança e investimentos no Brasil

Indústria automobilística

O ano começou a todo o vapor para a indústria automobilística. Com 199,8 mil carros emplacados em janeiro, o setor atingiu alta de 10,2% sobre janeiro de 2018, a melhor base de comparação visto que há uma sazonalidade em relação a dezembro. O aspecto mais positivo é que 2019 começou com ritmo diário de vendas de 9.000 unidades.

Em caminhões, o salto é maior ainda. Com 7.000 veículos vendidos em janeiro, a alta é de 53,2% sobre o mesmo mês do ano passado. Desde julho do ano passado, o mercado de caminhões registra uma média mensal de cerca de 7.000 unidades, indicando que o setor pode se aproximar de um mercado de 100 mil caminhões em 2019.

Na avaliação do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, todos os segmentos de caminhões começam a se recuperar. No ano passado, a base de crescimento estava concentrada nos pesados e extrapesados em razão da grande movimentação do agronegócio.

Em toda a indústria automobilística, em janeiro, foram produzidas 197 mil veículos – queda de 10,9% ante as 218,9 mil produzidos no mesmo mês do ano passado.

Com a menor produção, caiu de 255 mil para 245 mil unidades estocadas nos pátios das montadoras e concessionárias, o que é suficiente para abastecer o mercado por 37 dias no ritmo de vendas de janeiro.

O lado preocupante em janeiro é da queda expressiva das exportações, principalmente, em razão da crise da Argentina. Em relação a janeiro de 2018, as vendas ao exterior despencaram 46%, passando de 46,4 mil para 25 mil veículos.

De acordo com Megale, as montadoras buscam suprir a perda de vendas para a Argentina com negociações com Chile e Colômbia, entre outros mercados sul-americanos, mas ele ressalta que é difícil suprir os volumes antes exportados para os argentinos pela importância econômica com o principal parceiro do Brasil no subcontinente.

Em valores, as exportações caíram em janeiro de 2019, em relação ao mesmo mês de 2018, de US$ 1 bilhão para US$ 712 milhões.

Emprego

A recuperação da indústria nas vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus ainda não se reflete de maneira significativa no índice de empregos diretos do setor. Janeiro mostra os mesmos números de dezembro, com 130,5 mil ocupados.

Incremento da tecnologia e aproveitamento melhor de toda a mão de obra ainda impedem a abertura de novos postos de trabalho, que só reaparecerão se o crescimento se mantiver robusto e demandar a abertura de novos turnos pelos fabricantes.

Antonio Megale afirmou que a crise afetou a lucratividade das empresas durante a crise, que reduziu pela metade as vendas de veículos três anos atrás. Por isso, entende a movimentação de empresas, como a GM, que ameaçou deixar o país e iniciou negociação com trabalhadores para reavaliar salários e flexibilizar a terceirização, como forma de ajustes internos.

No entanto, o presidente da Anfavea considera que o país continua atraente para os fabricantes de veículos, que, segundo ele, pretendem manter os investimentos para modernizar e ampliar a produção. Ele lembra que nenhum outro mercado do mundo cresce no atual ritmo do brasileiro.

“Não tenho dúvidas que atingiremos a marca de 4 milhões de veículos no início da próxima década”, reforçou, lembrando que o Brasil ainda tem uma proporção de um carro para cada seis habitantes, média muito menor quando comparada a de outros países no mesmo nível de desenvolvimento econômico brasileiro.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta