Ao sair do fundo do poço, vendas de veículos crescem 10% no Brasil

Indústria automobilística

Depois da forte tempestade, os raios de sol ressurgem mais fortes. Perto de crescer 10% este ano no mercado interno, a indústria automobilística comemora exportações recordes, que puxam o crescimento de 27% na produção e quase zeram o número de empregados em licença remunerada.

Por esse conjunto de fatores, 2017 já é o ano da virada – após a indústria levar o seu maior tombo na história brasileira, ao registrar perda de 50% do seu mercado doméstico em razão da crise político-financeira dos últimos anos que pulverizou a confiança de consumidores e barrou entrantes da classe C.

O movimento que vemos agora é o do retorno gradual da confiança, principalmente de uma parcela da população com maior poder de compra – 52% das vendas de veículos atualmente são feitas à vista em razão ainda do crédito restritivo e caro.

Mesmo assim, de acordo com Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas voltaram a romper a marca de 10 mil veículos por dia no Brasil – no começo deste ano, elas não passavam de 6,6 mil, desempenho que inviabilizou muitos negócios e exterminou cerca de mil concessionárias nos últimos anos.

Em novembro, foram emplacados 204 mil novos veículos – entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus –, uma alta de 0,7% ante outubro, ou crescimento de 14,6% em relação ao mesmo mês do ano passado.

No acumulado entre janeiro e novembro, o crescimento é de 9,8% frente ao mesmo período de 2016, sempre de acordo com os dados da Anfavea, que registrou nos 11 meses de 2017 emplacamento de 2.028 mil veículos – em 2016 o número era de 1.846 mil.

Ao ritmo de vendas na casa das 10 mil unidades mensais, o ano deverá se encerrar com cerca de 2.250 mil veículos licenciados, o que dá a certeza para as montadoras de dias melhores em 2018, ano de fortes emoções em razão das eleições polarizadas que se anunciam e podem afastar consumidores das compras.

Exportações recordes

Em 2017, as montadoras se esforçaram para recompensar a diminuição do mercado interno. E o trabalho apresenta resultados pra lá de excelentes. Novembro foi o melhor mês de todos os tempos, com a marca de 73,1 mil veículos vendidos a outros países, principalmente, os da América do Sul.

A Anfavea espera registrar este ano exportações acima de 760 mil unidades, o que deverá fazer de 2017 um ano recorde. A melhor marca de exportações havia sido registrada em 2005, quando o setor exportara 725 mil veículos. Novos mercados, como o da Colômbia, país com o qual o Brasil negocia um acordo de exportação, e a Rússia, devem continuar melhorando o desempenho do setor.

Com as exportações e o crescimento do mercado interno, até novembro a produção de veículos alcançou alta de 27,1%, com 2.486 mil unidades, quando comparados com a mesma base de 2016. Com isso, o ano deverá encerrar perto dos 2,7 milhões de veículos produzidos no Brasil, o que reforça o país como um dos maiores produtores mundiais.

Caminhões

Resultado do trabalho da Fenatran, feira do transporte realizada em outubro, as vendas de caminhões cresceram 44% em novembro em relação ao mesmo mês de 2016, com o emplacamento de 5,5 mil unidades. No acumulado do ano, as vendas somam 45,9 mil caminhões, o que representa queda de 0,5% ante o mesmo período do ano passado.

Mas existe a possibilidade de o ano terminar com um pequeno crescimento, já que as vendas vem se recuperando mês a mês – 2017 começou com quedas expressivas de 20% em janeiro. A venda de caminhão é um bom indicador de que a economia poderá ter um Produto Interno Bruto (PIB) mais consistente em 2018.

Apesar de todas boas notícias, o lado ruim é que a indústria ainda continua com uma ociosidade de 45% em carros de passeio e comerciais leves. Em caminhões, o sub aproveitamento das fábricas é maior ainda: ociosidade de 75%.

O marco do Programa Rota 2030, cujo teor a Anfavea espera ver aprovado pelo governo federal ainda este ano, deve dar um novo rumo para o setor. O Brasil precisará de maior competitividade para sobreviver no mercado global cada vez mais disputado e com profundas mudanças tecnológicas.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta