Importadores projetam “recomeço” com alta das vendas e esperam Rota 2030 para 2019

Importadores de veículos

Após seis anos de uma crise que “apequenou” o segmento de carros importados, A Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) prevê um “recomeço” da atividade no Brasil.

Os números registrados pela entidade no primeiro bimestre deste ano reafirmam a confiança num futuro melhor de um setor que quase sucumbiu após uma canetada do governo da presidente Dilma Rousseff.

No acumulado entre janeiro e fevereiro, foram licenciadas 5.002 unidades, o que significa alta de 37,8% se comparado a igual período de 2017. Com isso, os importadores já projetam um mercado de 40 mil unidades este ano ante as 29 mil de 2017.

“É um recomeço após um período longo de resultados negativos”, disse José Luiz Gandini, recém-eleito presidente da Abeifa por um mandato de mais dois anos e também representante da marca coreana Kia no Brasil.

“Com o fim do Inovar-Auto, as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) voltaram ao que eram antes do programa. Sem a cota limitadora de 4.800 unidades/ano nem os 30 pontos percentuais no IPI, as vendas de veículos importados começaram uma reação, mas sobre uma base muito fraca”, reforça Gandini.

De acordo com o executivo, em 2011 (último ano de ouro), foram comercializados no Brasil 199 mil importados ante a 29 mil unidades em 2017. Há seis anos, o percentual representava 5,8% do mercado interno – atualmente os importadores detêm 1,37% de participação.

A crise e a decisão da então presidente Dilma Rousseff em acrescentar 30 pontos percentuais ao imposto do carro importado além de uma cota pré-estabelecida, reduziu o número de concessionários de 850 para 450 pontos de venda.

Os que sobreviveram estão com pontos de venda reduzidos em espaço e serviços, além de estarem desestimulados com a baixa remuneração da atividade. “São tempos bem difíceis”, disse Gandini.

Os importadores, segundo o presidente da Abeifa, chegaram a gerar 35 mil empregos – hoje são apenas 14 mil postos de trabalho direto. Os impostos gerados com importados caíram no período de seis anos de R$ 4,1 bilhões para US$ 400 milhões.

Outra coisa que dificulta muito para importados é a variação cambial ocorrida entre 2011 e 2017. Neste período, o dólar passou de R$ 1,67 para R$ 3,25, uma majoração de 95%. Enquanto isso, o preço dos automóveis só foi corrigido em 21,06%.

“Por tudo isso, nós dificilmente iremos retornar aos volumes de 2011”, cravou Gandini. “O que estamos vendo agora é um recomeço de uma atividade que é muito importante para a sociedade no sentido de provocar uma evolução do mercado nacional de veículos”, disse.

Toda essa queda nos importados, que, junto com importação das montadoras, chegaram a dominar quase 30% (5,2% só as marcas importadoras) do mercado de veículos no Brasil, foi provocada em razão do Inovar-Auto, que sobretaxava a importação de veículos.

O objetivo do governo era incentivar a produção local e a eficiência dos veículos. Objetivos que foram alcançados, já que o veículo brasileiro se preparou para uma competição maior e atualmente traz mais tecnologia, acabamento, menor consumo e segurança.

Mas, com a super proteção do governo, liquidou a concorrência com o importado, fazendo com que a Organização Mundial do Comércio (OMC), penalizasse o Brasil em razão da reserva de mercado.

Parâmetros

Para dar um novo rumo à indústria automobilística, a Abeifa participou intensamente das discussões para a criação do programa Rota 2030, que vai estabelecer novas metas para a indústria automobilística nos próximos 15 anos, com aferição de resultados a cada período de cinco anos.

Em razão de um estímulo em forma de redução de impostos de R$ 1,5 bilhão ao ano que as montadoras reivindicam do governo para realizar novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o Rota 2030 está em compasso de espera – já deveria ter sido promulgado pelo presidente Michel Temer no ano passado.

De acordo com Gandini, há um impasse entre os Ministérios da Fazenda e do Planejamento em razão de o governo não querer ou poder abrir mão de nenhuma receita com a crise econômica que comprime o Orçamento da União.

“Meu feeling é que a aprovação desse programa Rota 2030 só fique para o próximo governo em razão do ano político que se aproxima”, disse hoje em São Paulo na coletiva de imprensa em que apresentou os números de mercado dos veículos importados.

“Ministros vão se desincompatibilizar em abril, os que chegarem levarão algum tempo pra tomar ciência das coisas. Até lá teremos as eleições e nada é aprovado”, prevê.

Gandini afirmou que os importadores sabem que terão que conviver com uma alíquota de 35% de IPI, mas buscam no programa Rota 2030 isonomia em relação aos veículos fabricados aqui. “Precisamos de uma competição justa para seguirmos no negócio”, disse.

Segundo Gandini, “agora, embora tenhamos isonomia tributária e sem cotas limitadoras, aos importadores fica muito difícil trazer carros de alto volume, os chamados carros mais populares, até porque a indústria local tem ofertas muito competitivas e atualizadas.

Com o dólar no patamar de R$ 3,25 e o imposto de importação de 35%, a mais alta alíquota permitida pela OMC, aos importadores fica quase impossível atuar fora de nicho de mercado. Esses nichos incluem SUVs e comerciais leves, entre outros segmentos.

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