Hidrogênio com molécula retirada do etanol guiará pesquisas no Brasil

Prius Flex

A Toyota apresentou no Brasil o primeiro protótipo mundial de tecnologia híbrida equipada com o motor flex. A montadora já deu início à fase de testes de rodagem do veículo, que saiu de São Paulo com destino à Brasília para colocar à prova a durabilidade do carro, transmissão e propulsor quando abastecido com etanol.

Antes da eletrificação dos veículos, é nessa tecnologia que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aposta como vantagem competitiva para o Brasil em relação a outras regiões do mundo, onde o processo de eletrificação dos veículos está mais adiantado.

O próximo passo será acelerar a pesquisa para a produção de hidrogênio com molécula retirada do etanol, podendo ser combinada com a eletrificação. Com esse passo estratégico, o Brasil poderá ser um líder na competição global por fontes alternativas de combustíveis limpos.

O investimento na tecnologia faz parte do programa Rota 2030, que o presidente Michel Temer deverá sancionar nos próximos dias. Com o etanol, o Brasil pretende ser o protagonista na América do Sul, África e mercados asiáticos.

“A gente tem de pensar numa forma racional e regional para alcançarmos vantagens competitivas”, afirmou o presidente da Anfavea, Antonio Megale. “Não só na América do Sul, mas em outros continentes onde a gente possa expandir esta tecnologia.”

Em várias partes do mundo, a eletrificação dos veículos está em compasso mais adiantado. Na opinião da indústria, o álcool, no Brasil, tem vantagens mais competitivas em termos de emissões quando analisado todo o ciclo.

Ao longo de mais de 30 anos, o país já tem uma longa cadeia e experiência com o biocombustível, empregando centenas de milhares de pessoas. “Com essa alternativa mais barata, temos condições de fazer essa transição para fontes alternativas muito mais tranquilos”, apontou Megale.

Dados da Anfavea apontam que o etanol é o campeão de produtividade agrícola no país. São 600 milhões de toneladas por ano, enquanto a safra de grãos atinge 240 milhões de toneladas anualmente.

Para que o hidrogênio à base de álcool progrida, é necessário que o país incentive a pesquisa. “Isso tem que ser feito por nossas cabeças que conhecem o etanol e que estão há tantos anos nesta indústria. Isso é um patrimônio nosso.”

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