Heavy Tipper: o futuro na mineração será mais inteligente

heavy tipper da scania

Antes da autonomia total dos caminhões nos campos de mineração, a Scania quer preparar os operadores para o inevitável futuro. Para dar o próximo passo, a montadora entende que, antes, é preciso melhorar todos os processos na extração mineral, desde a infraestrutura viária nas minas, a conectividade e evolução dos veículos, o suprimento total de peças, além da melhoria continua dos motoristas – enquanto eles ainda estiverem atrás do volante.

Foi pensando em todas as etapas do processo que a Scania desenvolveu o novo Heavy Tipper, caminhão que se descolou dos caminhões rodoviários antes adaptados à mineração. Com toda a  estrutura reforçada de molas, eixos, freios, câmbio e motores, além da concepção modular, o caminhão é capaz de transportar 25% a mais de carga líquida, superando, segundo a Scania, seus próprios e os de toda a concorrência.

De quebra, a montadora afirma que a disponibilidade do caminhão aumenta em 5%, além de atingir 5 mil horas de vida útil, se operado dentro das especificações do fabricante. Na mineração, a média da durabilidade de um caminhão é de três anos. Cinco mil horas a mais significam mais um ano de uso. Tanta eficiência significa que o Heavy Tipper custará entre 15% e 20% a mais. O caminhão é feito na fábrica da Scania brasileira. As primeiras unidades serão entregues em novembro.

“Demos um salto, na medida em que oferecemos um produto acima das expectativas do mercado”, afirma Fabricio Vieira, responsável pelas vendas da Scania nas operações de mineração do Brasil. “Além disso, mais importante é que a Scania deixa de ser só um fabricante de caminhões para oferecer soluções integradas em todas as etapas da mineração.”

Por concentrar algumas das atividades mais intensas de mineração do mundo, como a extração de ferro, a Scania escolheu o Brasil para fazer o lançamento mundial do Heavy Tipper. São dois modelos: o G 480 8X4 e o P 440 6X4.

Concebido como “lego”, o modelo pode ser ‘montado’ em diversas versões, conforme a severidade da aplicação. O Heavy Tipper tem motor de 13 litros, que oferece 480 cv de potência, na versão 8X4. Na versão 6X4, o propulsor é de 440 cv.

Para Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), a Scania convidou clientes e jornalistas especializados da Rússia, Índia, Austrália, América do Sul, além de outros países com tradição na atividade mineral.

Ao lado de um luxuoso hotel da cidade, a montadora usou a estrutura de uma mina de caulim para mostrar na prática como pensa o processo de forma integrada, não somente como uma tradicional fabricante de caminhão.

 

“Apresentamos ao mercado uma solução completa que agrega valor por meio da redução do custo por tonelada transportada e dos ganhos expressivos de conectividade”, afirma Bjorn Winblad, diretor global da Scania Mining. A apresentação vem agradando e convencendo os visitantes, tanto que a montadora já vendeu 200 caminhões – 40 para clientes brasileiros.

 

Na mina de Mogi podemos observar que a solução envolve uma estrutura com estoque de peças e espaço conectado para avaliação em tempo real do desempenho de caminhões e motoristas, diagnosticando problemas que interferiam no ganho de produtividade. Como minas geralmente ficam isoladas em lugares distantes, a estrutura pode ser montada em contêineres.

Uma câmera instalada na cabine do caminhão é o ponto de partida para a montadora fazer um diagnóstico da operação e assim, em parceria com o cliente, identificar deficiências e traçar estratégias para gerar ganhos de eficiência e a produtividade.

Além de observar como funciona na prática o serviços de peças e a conectividade, que transmite dados dos caminhões para um provedor na Suécia e depois os repassa aos operadores em gráficos de simples compreensão, o FutureTransport também teve a oportunidade de dirigir o Heavy Tipper.

Mesmo numa operação complexa de uma mina, o novo Scania tem a leveza e a dirigibilidade de um carro de passeio de primeira classe. Na condução do veículo, se percebe que, de fato, a autonomia está muito próxima, já que todos os sistemas do câmbio de 14 velocidades semiautomatizado e retarder são mais fáceis de acionar do que ligar uma máquina de lavar roupas.

“Nosso objetivo é compartilhar o conhecimento adquirido no decorrer dos anos produzindo veículos e ajudar nossos clientes a reduzir o desperdício e melhorar seus fluxos logísticos”,  explica Winblad, que se deslocou da Suécia para, junto com a equipe da Scania do Brasil, fazer a apresentação mundial do Heavy Tipper.

Os clientes Scania de mineração podem optar por cinco programas de manutenção – os mesmos da linha rodoviária. As categorias são: Premium, Mais, Trem de Força, Standard e Compacto, que vão desde a manutenção preventiva até a completa.

A conectividade é garantida pelo Site Optimisation, um conjunto de ferramentas e métodos que identifica potenciais de aumento de eficiência. Em pouco tempo lançado no Brasil, a Scania já tem 4.000 caminhões conectados  – 200 deles na mineração. No mundo todo, já são mais 200 mil caminhões conectados pela Scania, claro, a grande maioria no rodoviário.

O Heavy Tipper passou por dois anos de testes no Brasil. A engenharia brasileira teve participação no desenvolvimento do veículo. A montadora ainda disponibilizará as atuais versões derivadas do rodoviária, sendo eles os modelos G 400, 440 e 480.

Futuro

Sobre o futuro inevitável da autonomia e eletricidade dos veículos, George Rizopulos, também deslocado pela Scania da Suécia para fazer a apresentação do Heavy Tipper, afirmou que a evolução dos caminhões e processos nas minas é irreversível. “Não será mais necessário um motorista, mas o homem continuará na operação, numa posição mais confortável, controlando os veículos por uma tela de computador”, avalia.

‘’O emprego existirá, porém, de formas diferentes”, avalia. “O que vemos ao longo da história, é que a tecnologia sempre chega para melhorar o bem-estar. Mas, é preciso que as pessoas também se preparem para ela. Como sempre, quem não estiver preparado para os novos tempos, não terá mais espaço na mineração”,  pensa.

Rizopulos lembra que, sem a extração mineral, a civilização, tal como a conhecemos hoje, não seria possível. Desde o computador, até nossas moradias, dependem da extração mineral. “O mundo não seria como é sem as minas, que, realmente, são um ambiente onde é preciso se ter muita eficiência, seriedade e trabalho duro”, avalia.

Mercado

Fabricio Vieira, da Scania do Brasil, afirma que, após três ou quatro anos de estagnação, o mercado de caminhões para a mineração volta a crescer este ano no país. Em 2017, serão vendidos cerca de 800 caminhões para o setor – no ano passado foram 600. Para 2018, a expectativa é de se chegar a 1.200 unidades. A Scania, com 30% dessas vendas, divide a liderança com a Volvo.

Segundo Fabricio, depois de a tonelada do minério de ferro ter chegado ao U$ 40 na China, atualmente está estabilizada num patamar de U$ 80. Nos bons momentos do começo esta década, chegou a valer U$ 200 a tonelada. Com a recuperação parcial, empresas de mineração estão controlando e tirando seus balanços do vermelho, voltando a investir.

Muitas compraram uma frota maior na mudança da tecnologia para o Euro 5, só que, como não renovaram os veículos os últimos anos, estão gastando mais com a manutenção. O responsável pelas vendas na Scania lembra que o caminhão de mineração não dura quatro anos pelo uso intenso e a severidade.

Tudo somado, o tempo é de novas jazidas.

 

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