Exportação e vendas internas puxam produção de veículos

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Puxada pelas exportações recordes, a produção de veículos cresceu 23,3% no primeiro semestre deste ano. De acordo com levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram fabricados 1,263 milhão unidades entre janeiro e junho deste ano ante a 1,024 milhão em igual período de 2016.

O crescimento surpreendente de vendas externas fez com que a Anfavea revisasse para cima a previsão de exportações deste ano. Agora, a entidade que representa os fabricantes de veículos estima que o setor alcance uma alta de 30,7% – a estimativa anterior era de um aumento de 7% para este ano.

Com a nova perspectiva, o Brasil deve somar vendas externas de 705 mil unidades neste ano, chegando perto do recorde do setor registrado em 2005, quando foram comercializados em mercados estrangeiros de 730 mil veículos.

No primeiro semestre, as exportações foram as maiores da história, com 372 mil unidades vendidas principalmente em mercados da América Latina – Argentina, México, Colômbia, Chile e Peru, além de outros países na África e Oriente Médio, onde representações da indústria nacional buscam novos negócios. Em valores, o crescimento no primeiro semestre foi de 50,3%, registrado receita de US$ 7,4 bilhões.

As exportações somadas ao crescimento de 4% no mercado interno no primeiro semestre projetam uma nova perspectiva à indústria automobilística, que registrava sucessivas quedas desde 2014. Não fosse a conturbação política, a Anfavea poderia até cravar um novo crescimento de vendas para 2017, já que o segundo semestre costuma sazonalmente ser melhor que o primeiro.

“Vamos aguardar mais um mês para avaliarmos melhor o mercado (e ver se o crescimento interno será maior que as nossas previsões iniciais)”, afirmou o presidente da Anfavea, Antonio Megale. “Eu sou mineiro e prefiro ter um pouco mais de prudência”, disse em relação aos fatos políticos que podem atrapalhar a recuperação do setor caso o presidente Michel Temer perca o seu mandato.

Mantendo a projeção anterior, a Anfavea projeta vendas 13,2% maiores no mercado interno este ano em relação a 2016, quando foram vendidos 2,050 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Em 2017, o mercado nacional deverá somar 2,133 milhões de veículos, ainda longe do 3,8 milhões vendidos em 2011.

Mesmo com prudência para revisar as projeções para cima, Megale acredita que a economia vem se “descolando” da política, o que faz com que a indústria automobilística melhore seus resultados em 2017.

Para ele, outro fator que contribuiria para deixar ainda mais azul o cenário seriam melhores condições de financiamentos, mas os bancos ainda continuam restritivos na liberação de crédito. As vendas de caminhões, que registram queda de 16,5% no primeiro semestre em relação a 2016, também ainda deixam dúvidas, já que veículos de carga são um bom indicativo de reativação da economia.

Emprego

Entre janeiro e junho deste ano, as vendas internas somaram 1,019 milhão de veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, ante 983 mil em igual período do ano passado.

O crescimento das exportações e vendas domésticas, porém, ainda não foram suficientes para a recuperação do emprego nem tão pouco da capacidade ociosa. A indústria ainda usa do expediente de lay off, ainda com disponibilidade de empregados dentro de seus quadros, e tem uma ociosidade de 50% – sua capacidade atualmente é de uma produção de 5 milhões de veículos. O ideal seria uma ociosidade de 15%.

“Caso os números continuem melhorando, podemos já pensar num quadro melhor de emprego”, disse Megale. O presidente da Anfavea afirmou ainda que as exportações poderiam ser ainda melhor se o Brasil tivesse melhores condições de competitividade. “O aumento das exportações mostram que a nossa indústria tem expertise para reagir em momentos difíceis”, disse.

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