VW Delivery Elétrico surpreende na distribuição urbana da Ambev

e-Delivery para distribuição de bebidas

Quem diria que começaria pelo Brasil um dos lances mais ousados do Grupo Traton (holding que controla marcas como a MAN, Volkswagen Caminhões e Ônibus e a Scania) para a sustentabilidade do transporte de cargas do futuro do mundo. É no Brasil que começa de fato a primeira operação elétrica.

Lançamento do e-Delivery para distribuição de bebidas

Em parceria com a MAN, a Ambev apresentou ontem, em São Paulo, os primeiros resultados dos testes realizados com um protótipo do Delivery 100% elétrico, que enfrentou durante 30 dias as reais condições do tráfego na capital paulistana para o pesado abastecimento de bebidas em bares da Zona Oeste e Sul de São Paulo.

Os números de emissões de carbono próximos de zero animaram a gigante mundial da produção e distribuição de bebidas a manter a encomenda de 1.617 caminhões elétricos com fabricação pela VW em Resende (RJ).

Com os primeiros resultados, a fabricante pretende levar adiante seu plano de eletrificar toda sua frota de 10 mil veículos no Brasil até o final da década que vem, se, até lá, não surgirem tecnologias ainda mais eficientes.   

Veja entrevista:

Durante o teste de 30 dias, um Delivery 6×2, de 13 toneladas feito sob encomenda para o operador,rodou 932 quilômetros, fazendo a distribuição de um total de 149,2toneladas de produtos. A jornada envolveu 224 horas de trabalho, num total de 369 entrega em bairros com tráfego intenso.

Além de vencer todos esses desafios, a operação do Delivery Elétrico apresentou uma economia de 200 litros de diesel. O consumo do veículo nos 30 dias foi de 950 KWh, equivalente ao gasto de quase cinco residências.

O transporte de bebidas sempre requer muito esforço de um caminhão. Sua estrutura precisa ser bem reforçada para aguentar o peso, o relevo difícil das cidades brasileiras, numa operação de para e anda intensa e desgastante para os componentes do veículo.

De acordo com a MAN, o caminhão elétrico requer 3 horas para ter suas baterias recarregadas para uma autonomia de 200 quilômetros. Em 15 minutos, é possível recarregar até30% de sua autonomia. Os testes demonstraram uma capacidade de 40% de recuperação de energia com o sistema desenvolvido em parceria entra a MAN e a Metra.

Mesmo ainda não tendo definido um modelo que garanta a sustentabilidade econômica entre fabricante e operador, o presidente da MAN, Roberto Cortez, afirmou que as duas companhias estão trabalhando juntas para encontrar a fórmula da viabilidade financeira, ao detalhar como se dará a manutenção, troca de baterias e recarga, entre outras questões.

“Como existe uma necessidade grande do nosso cliente, estamos dando um passo definitivo para a mobilidade do futuro, onde a eletrificação vai trazer mudanças e muitas vantagens competitivas”, afirmou Cortez, ao comemorar o fato de o Brasil estar liderando a inovação do transporte de cargas.

Guilherme Gaia - e-Delivery para distribuição de bebidas

Guilherme Gaia, diretor de sustentabilidade e suprimentos logísticos da Ambev, disse que o caminhão elétrico está dentro de um de cinco pilares que a companhia definiu internamente para  atingir metas cada vez mais sustentáveis em sua operação.

Além de reduzir emissões,a Ambev adota, entre outras, ações para melhorar a captação e disponibilidade da água e ter fontes limpas de energia (como eólica, solar e hídrica) e embalagens recicláveis ou retornáveis.

Atualmente, um caminhão elétrico custa até seis vezes que o preço de um caminhão convencional a diesel.Mas um operador de porte da Ambev projeta o futuro. “Quando se leva em consideração o custo de operação durante 10, 15 anos, compensa o investimento até antes do que a gente imagina”, disse Gaia.

O chefão do Grupo Traton esteve no Brasil para dirigir o caminhão. Durante o último IAA, a direção da Traton deu suporte para que Ambev e MAN encontrem uma solução financeira que garanta o início da operação.

Com a viabilização do negócio, o mercado deve se mexer. Os concorrentes da MAN também vão apontar novas soluções sustentáveis. Outros fabricantes e distribuidores de bebidas também não ficarão parados, pois a Ambev sai na frente e ganha pontos entre seus consumidores.

100 mil caminhões em 2019?

O diretor de vendas, marketing e pós-vendas da MAN, Ricardo Alouche, afirmou que o mercado pode chegar a 100 mil caminhões em 2019. “Não vou cantar a bola já, mas que as condições já estão dadas, isso estão”, acredita. Para ele, o período pós-eleitoral trouxe a tranquilidade necessária para que os investimentos sejam realizados nas cadeias de suprimentos. Para este ano, com um mercado crescendo a 48% até outubro, a indústria deve fechar com 70 mil unidades emplacadas.

Segundo turno

 A MAN anunciou ontem a contratação de 350 pessoas para dar início ao segundo turno parcial na fábrica de Resende. Com pedidos em carteira para pesados até março do ano que vem, a montadora precisa acelerar a produção para dar conta dos novos pedidos. Se o crescimento se mantiver, poderá haver novas admissões.

Sucesso monumental

A família Delivery é um grande sucesso da MAN. Ela é responsável pelo fato de a MAN avançar em 4% em seu market share neste ano. Enquanto o mercado cresce ao ritmo de 48%, a montadora de Resende está em 52%, já assumindo novamente a liderança do mercado. Segundo Ricardo Alouche, diretor de vendas, só o Delivery já tem 40%do segmento de pesados. A MAN está vendendo 1.000 unidades do caminhão – quando a expectativa inicial mais otimista era de 800 unidades por mês.

Chiadeira

 A indústria automobilística está preocupada com a reação negativa da aprovação do Rota 2030 pelo presidente Michel Temer. Divulgada junto com o aumento salarial do STF, a medida está sendo encarada na grande mídia como mais uma regalia do governo federal ao setor, cujo lobby organizado sempre consegue benesses de Brasília. O que ninguém disse é o que o carro brasileiro ficará muito mais competitivo, trazendo mais exportações, mais empregos e sustentabilidade ambiental.

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