Diversidade e inovação global garantem sobrevivência da Volvo no interior paulista

Volvo CE

A visita à fábrica de máquinas e equipamentos da Volvo em Pederneiras (330 km a noroeste de São Paulo) vale pela experiência de se saber como uma fábrica da década de 1970 sobrevive aos movimentos cíclicos da economia mundial ao manter uma produção global diversificada em constantes inovações em produtos e serviços.

Depois de amargar uma queda de mais de 70% do mercado brasileiro há três anos, a planta industrial volta a ampliar sua produção direcionada ao mercado doméstico. Com um crescimento de 47,7% em 2018 ante ao exercício anterior, a Volvo Construction Equipament Latin America e a SDLG, marca do mesmo grupo, ressurge o otimismo para a pequena cidade de 40 mil habitantes às margens do rio Tietê. Só a marca Volvo cresceu sozinha 67,4%.

Volvo CE articulado

Nos três anos de crise, o mercado brasileiro encolheu de 23.000 para 7.000 unidades ano, causando demissões de quase 300 funcionários só em Pederneiras. Para sobreviver, a fábrica brasileira – que tem uma produção diversificada de caminhões articulados, pás-carregadeira, escavadeiras e compactador de terra – chegou a direcionar quase 70% da produção para a exportação. O mercado mundial absorve anualmente 1 milhão desses equipamentos.

A expectativa da direção da empresa para 2019 é repetir o feito do ano passado em crescimento de vendas, abrindo a possibilidade de novas contratações e aumento das atividades industriais da unidade. Em 2018, foram vendidas 12.100 máquinas de construção no mercado nacional.

Com a expectativa de o mercado nacional absorver até 16.000 unidades este ano diante da retomada do ano passado, a Volvo CE já orienta 46% da produção para o Brasil, que, no auge do crescimento econômico interno no ano de 2011, conseguiu absorveu a maior parte dos veículos e máquinas construídos em Pederneiras.

Luiz Marcelo Daniel, presidente da Volvo CE

“Depois de um período bastante difícil, todas as linhas de máquinas voltaram a apresentar um aumento de vendas do Brasil”, disse Luiz Marcelo Daniel, presidente da Volvo CE. De acordo com ele, apenas no segmento de máquinas de grande porte (carregadeiras, escavadeiras e caminhões articulados), a Volvo aumentou suas vendas em 59%, superando o total do mercado.

Máquinas caras e de grande porte, os equipamentos são utilizados no mundo inteiro em operações pesadas de construção, mineração, pedreiras, siderurgia, e movimentação de materiais diversos – serviços essenciais para infraestrutura, indústria de base e manufatura –, além de inúmeras aplicações para a agricultura.

 Wladimir Garcia, vice-presidente e diretor-geral do complexo industrial da Volvo CE

“Somos uma unidade fabril de classe mundial, com portfólio global voltado para os mercados mais exigentes do mundo”, afirmou Wladimir Garcia, vice-presidente e diretor-geral do complexo industrial da Volvo CE na América Latina. “Ser bom já não é mais suficiente. Tem de ser altamente competitivo. Não fosse isso nosso empenho e expertise, talvez não estivéssemos mais em operação aqui em Pederneiras.”

Pederneiras é um satélite da matriz da Volvo na Suécia, onde fica toda a inteligência e o desenvolvimento dos equipamentos. Seu diferencial de produção está em conjugar a produção de vários equipamentos num mesmo espaço, otimizando e diminuindo o tempo de entrega dos produtos.

De Pederneiras, a produção segue para toda a região hispânica da América Latina (19%), Estados Unidos (13%), Europa e Oriente Médio (9%), Ásia e países do Pacífico (9%). Na cidade, são montados os grandes veículos e máquinas, numa linha que envolve soldas, pinturas, fabricação de cabines e eixos, além de testes dos equipamentos.

Tecnologia e agronegócio

Como já acontece em vários segmentos da indústria automobilística comercial, o foco da Volvo CE também está concentrado no aumento da produtividade e rentabilidade da operação com o uso da Tecnologia da Informação (TI) para ampliar o monitoramento e o rastreamento da operação.

Ao corrigir falhas na utilização da máquina, os sistemas conseguem uma manutenção programada com maior eficiência e durabilidade do equipamento. O monitoramento pode reduzir em até 10% o consumo de combustível.  

Outra estratégia da Volvo CE para o Brasil é aumentar a penetração dos produtos da marca no agronegócio. O objetivo é conseguir ampliar venda de máquinas para das duas marcas para a movimentação de adubo e fertilizantes, nos portos, fazendas e atividades correlatas.

Para ampliar o foco na atividade, a Volvo CE lança no mercado nacional a carregadeira L110F customizada para o agronegócio. Com uma série de componentes adaptados para o setor, como pneus mais largos e caçamba maior de 7,5 m², a nova versão busca atender o setor sucroalcooleiro e demais atividades no campo.  

“O agronegócio é um setor que está sempre batendo recordes, sendo um dos mais competitivos do mundo”, afirma Gilson Capato, diretor comercial da Volvo CE no Brasil. De acordo com ele, outros segmentos em destaque para as máquinas Volvo são celulose, exportação de laminados e manejo de madeiras.

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