Decretar o fim do carro a combustão divide opiniões no Brasil

o fim do carro a combustão

Vários países e empresas já impuseram data para a substituição do motor a combustão pelo carro elétrico. Mas no Brasil o tema está longe de um consenso.

Há vozes no governo brasileiro e na indústria contrárias à redução da carga tributária sobre veículos elétricos por entenderem que os principais beneficiados seriam os ricos, que podem adquirir veículos mais avançados tecnologicamente. Mas outros vão na direção contrária, dizendo que o Brasil não pode perder o bonde.

 

Luiz Gandini

 “É uma visão equivocada não incentivar o aumento dos carros elétricos, pois isso atrasa o avanço tecnológico”, afirmou o empresário Luiz Gandini, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeiva), que participou ativamente do projeto Rota 2030. “Não é assim que avançamos.”

 

 

Sérgio Habib

 “Não vejo condições no momento para o governo brasileiro incentivar os carros elétricos”, afirma o empresário Sérgio Habib, proprietário da JAC. “Num momento de turbulência econômica e com tantos problemas, há pouco espaço para esse tipo de discussão. Ainda vejo por muito tempo a prevalência entre nós dos veículos a combustão”, disse.

 

Para o diretor de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Miguel Nery, o Brasil não pode se excluir do processo de modernização da frota veicular. “Vários países e cidades do mundo já definiram datas para encerrar a venda ou a produção de veículos com motores à combustão. Algumas nações europeias definiram que até 2030, 30% do total de carros, motos e ônibus circulando sejam elétricos”. Já existe uma campanha global, chamada EV30@30, que incentiva os países a adotarem datas para o fim da produção de veículos poluentes.

A diretora do Departamento das Indústrias para a Mobilidade e Logística do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio, Margarete Gandini, vai na mesma linha. “O tema da eletromobilidade já está sobre a mesa. Vários modelos elétricos foram apresentados em salões de carro. O Brasil está atento a isso. É importante destacar também que, no mercado, esses veículos elétricos serão complementares a outros modelos já existentes”, explicou.

É uma avaliação semelhante à do presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale. Para ele, a indústria brasileira ‘deve olhar de forma ampla para todas as tecnologias disponíveis’, mas tendo o etanol como fonte prioritária, já que é uma tecnologia que o Brasil domina.  “Um grande desafio é como vamos nos inserir no mercado. Temos que olhar para o que está sendo feito lá fora. Precisamos inserir essas tecnologias e produtos aqui no Brasil para que possamos, gradualmente, fazer parte da discussão global do assunto”, disse.

O Brasil tem uma pequena frota de carros elétricos. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), eles somam 2,5 mil veículos. Na Noruega, por exemplo, 29% da frota é de elétricos.

Com base nos Registros Nacionais de Veículos Automotores, a Anfavea divulgou que houve um aumento de 58,9% na venda de carros elétricos e híbridos no país quando comparados o primeiro trimestre de 2018 com o primeiro trimestre de 2017. Mas o percentual, que impressiona, esconde o número inexpressivo de veículos vendidos nesse período: aumentou de 562 no ano passado para 893 nesse ano e os elétricos e híbridos continuam equivalendo a apenas 0,2% do total de novos veículos licenciados no Brasil em 2018.

Durante as discussões para a implantação do Rota 2030, o grupo de trabalho incluiu ações de política voltada aos veículos elétricos. Das discussões participaram integrantes do governo federal, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos), ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), ABRAVEI (Associação Brasileira de Proprietários de Veículos Inovadores), produtores de baterias e entidades de classe, entre outros.

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