Das eleições ao Black Friday, a tecnologia ajuda a logística no Brasil

black friday

Duas grandes operações logísticas realizadas neste segundo semestre mobilizam os novos canais de tecnologia do setor, que vem sendo constantemente aperfeiçoados.

A principal delas envolve as eleições, com toda sua complexidade em torno da checagem, armazenagem, transporte, validação, votação e apuração das urnas em todo o vasto território nacional.

Responsável por comandar todo o processo, a Justiça Eleitoral lida com uma pressão cada vez maior neste pleito: a suspeição de parte do eleitorado na confiabilidade das urnas, uma desconfiança que cresce com a polarização política.

Neste contexto, a tecnologia a serviço da logística, mais do que nunca, é colocada a prova. Todo o transporte, instalação e vigília das urnas nos colégios eleitorais, tem de aumentar eficiência e transparência para evitar acirramento dos ânimos.

Outro grande desafio logístico é a Black Friday, evento que cresce ano a ano não só no e-commerce, como também nos pontos físicos do grande varejo em todos os cantos do Brasil.

Entidades empresariais estimam que o comércio virtual e físico irão movimentar mais de R$ 3 bilhões na última sexta-feira de novembro, data em que tradicionalmente ocorre liquidações e promoções no evento, que importado dos Estados Unidos, cada vez mais se fortalece no Brasil.

Satélites

Na logística eleitoral, barcos, aviões, caminhões, furgões e satélites são utilizados para distribuir 660 mil urnas por todo o país, que tem 147 milhões de eleitores aptos a votar, numa das operações logísticas mais complexas por envolver desde regiões urbanas aos mais remotos rincões.

Para que todos os brasileiros tenham o mesmo direito, localidades remotas, como aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas dependem da tecnologia de ponta para a legitimidade das eleições para deputado federal e estadual, senador, governador e presidente da República.

Por meio de um equipamento portátil de não mais de dois quilos, que funciona a bateria, técnicos da Justiça Eleitoral de estados como Amazonas, Pará e Tocantins, por exemplo, se deslocam para as localidades mais remotas do país e de lá enviam os votos para as sedes dos respectivos TREs.

A Justiça Eleitoral dispõe de 1.262 antenas de satélite. As antenas emitem um sinal sonoro (bip) que, à medida que são movimentadas, passam de intermitentes a contínuos. Quando o bip torna-se contínuo, é sinal de que a antena está perfeitamente alinhada com o satélite.

Antes da utilização do sistema SMSat, a Justiça Eleitoral demorava mais de 48 horas para totalizar uma eleição. Com a utilização desse serviço, a Justiça Eleitoral passou a publicar o resultado das eleições no mesmo dia do pleito.

De acordo com o coordenador de Infraestrutura de Tecnologia de Informação do TSE, Cristiano Andrade, as antenas de satélite têm conexão a microcomputadores através de cabo e telefone, sendo utilizadas também para que os técnicos da Justiça Eleitoral se comuniquem com as bases ao longo, por exemplo, de travessias de barco que, em alguns casos, podem levar de dois a três dias.

De acordo com Andrade, a segurança nesse tipo de transmissão é assegurada por mecanismos de criptografia e assinatura digital para que não exista qualquer possibilidade de modificação de dados. Após a transmissão, os dados são conferidos com os boletins de urnas que são impressos antes da transmissão.

As antenas de satélite estão à disposição dos TREs para utilização em localidades de cerca de 350 municípios em 16 estados: Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Aplicativos

Antes da logística, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza seis aplicativos que podem ser facilmente instalados no celular para que o próprio eleitor fiscalize e acompanhe em tempo integral a apuração das urnas.

Entre esses aplicativos, destaca-se o “Boletim na Mão”. Por ele, pode-se acessar as informações dos boletins, que são impressos após o encerramento da votação e afixados em quadros de aviso nas seções eleitorais no dia da eleição.

Outro aplicativo que chama atenção é o “Pardal”, instrumento através do qual é possível encaminhar à Justiça Eleitoral fotos e vídeos de atitudes suspeitas de candidatos fazendo boca-de-urna ou tentando comprar votos.

Apenas para dar suporte à lisura e à operação logística, o TSE autorizou o envio de tropas federais para 361 localidades do país, com a partição das Forças Armadas.

Varejo

A mesma tecnologia também é eficiente para o e-commerce e o varejo físico durante a Black Friday. Rastreamento, modulagem, armazenamento, pesagem, classificação, transporte e distribuição já vem sendo estudados e aperfeiçoados pelas empresas de tecnologias e de logística para que o grande evento varejista ocorra com sucesso.

Vanessa Reis da Mandaê - Black Friday

“Já estamos trabalhando para que tudo funcione perfeitamente nesta grande data que é a Black Friday”, diz Vanessa Reis, coordenadora de transporte da Mandaê, uma empresa de tecnologia especializada em logística.

Rastreaê - Black Friday

Para aprimorar o trâmite de encomendas, a Mandaê criou recentemente o Rastraê, ferramenta que, por meio de aplicativo, dá visibilidade ao destinatário sobre a movimentação de seus pedidos e, com isso, diminui a sobrecarga no atendimento das empresas.

 “Desenvolvemos o serviço pensando em dois perfis de clientes: o destinatário final e o embarcador. Para a Mandaê, a satisfação de ambos é imprescindível”, explica o head de produto da Mandaê, Douglas Cunha.

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