Volvo ajuda Curitiba a resgatar a qualidade do BRT

Curitiba renova frota com biarticulados Volvo

Curitiba, a cidade precursora do BRT (sistema de ônibus que encantou e influenciou 250 cidades mundo afora) passa por uma crise de credibilidade em seu transporte público. Com a queda de qualidade nos últimos anos e o surgimento de novas tecnologias para a mobilidade, os ônibus da capital paranaense perderam conceito entre a população e registra um decréscimo de usuários.

Para reverter a situação, o poder público municipal soma forças com a iniciativa privada para modernizar todo sistema de transporte público – infraestrutura, frota, administração e tecnologia – para reconquistar o público, principalmente, o da classe média, que conta com novas ofertas (na forma de aplicativos) para um transporte mais rápido e eficiente nos dias atuais.

 

 

O primeiro resultado dessa junção de forças pôde ser visto esta semana na capital paranaense. A imprensa nacional e local foi convidada para acompanhar o lançamento do Ligeirão – representando por 25 modernos ônibus biarticulados da Volvo. Os novos coletivos trazem moderno conceito de conectividade para tornar mais eficiente a operação, diminuindo o tempo de trajeto em corredores troncos de Curitiba sem perder uma das pedras fundamentais da Volvo – a segurança.

Com a presença do prefeito Rafael Greca, executivos da Volvo, operadores e coordenadores do transporte público municipal, o lançamento foi feito na nova linha Santa Cândida (ao lado do famoso prédio da Polícia Federal, em Curitiba) e a Praça do Japão, um dos trechos de maior volume de passageiros BRT (Bus Rapid Transit). “Estamos muito orgulhosos por novamente sermos escolhidos neste momento que Curitiba busca modernizar e melhorar a eficiência do seu transporte público”, afirmou Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Buses Latin America.

 

 

Os ônibus biarticulados Volvo, com implementação da Marcopolo, são de última geração. A conectividade permite o recurso exclusivamente desenvolvido para o controle de velocidade por região. Por meio de monitoramento remoto e geolocalização, os ônibus são programados à distância pelo operador do sistema, que limita a velocidade em áreas especiais.

A tecnologia aumenta a segurança perto de hospitais, escolas, dentro terminais outros locais com alto fluxo de pedestres. Toda vez que o ônibus entra em uma destas áreas, o sistema de conectividade detecta automaticamente o local exato e fixa a velocidade de acordo com a programação remota.

“É uma ação ativa no veículo, limitando a aceleração”, afirmou Vinicius Gaensly, gerente de serviços conectados em ônibus da Volvo. “Mesmo que o motorista pise no acelerador não conseguirá passar da velocidade limite programada para aquela região.” A URBS, órgão da prefeitura que faz a gestão pública do transporte público da cidade, programou os ônibus com velocidades de 20 km/h, 40 km/h e 60 km/h.

André Trombini, diretor de desenvolvimento de negócios da Volvo Buses Latin America, afirmou que a tecnologia é um novo passo para a empresa. “Há muitos anos a Volvo usa a conectividade para monitorar seus ônibus para extrair o máximo potencial e eficiência dos veículos. Mas agora estamos indo além, interagindo remotamente, alterando funções em tempo real, agindo e atualizando módulos eletrônicos”, disse. Para ele, o sistema de conectividade está só no começo de uma era de muitas novidades.

Sua casa no Brasil, a Volvo tem uma forte relação com Curitiba. Os biarticulados foram inventados pela montadora especialmente para atender uma demanda da cidade nos anos 1990. Por isso, ônibus em Curitiba é quase sinônimo de Volvo. Desde então, a marca se especializou no produto com grande aceitação no mercado latino-americano. Um dos diferenciais do biarticulado Volvo é o motor central, posicionado abaixo do piso.

De acordo com dados da URBS, o sistema público de Curitiba perdeu 15 milhões de usuários, de um total de 700 milhões movimentados anualmente. Judicialização sobre reajustes e disputas políticas fizeram com que a frota de ônibus envelhecesse, passando para uma média de 8 anos.

Sem renovação e saturado, o sistema entrou num ciclo negativo, provocando atrasos e sobrecarregamento de passageiros em horários de pico. Soma-se a isso uma nova era dos aplicativos e menos necessidades de deslocamento com as facilidades do mundo on-line. Neste contexto, a classe media busca novas opções.

Para resgatar a credibilidade, o Ligeirão vai reduzir em 50% seu tempo de trajeto ao diminuir em igual proporção suas paradas ao longo da linha Santa Cândida – Praça do Japão pela metade. Para isso, a infraestrutura foi atualizada, como o reposicionamento de estações-tubo, que agora permitem a ultrapassagem entre os ônibus. Aplicativos também informa em tempo real o deslocamento dos ônibus. Toda a movimentação é monitorada por uma central da URBS.

Como toda mudança que exige novos hábitos, parte da população vê com certa resiliência as alterações. “Não adianta Curitiba ser referência para o mundo”, afirmou o prefeito. “Curitiba tem de ser referência para os curitibanos. Com o Ligeirão, Curitiba volta a ser Curitiba”, declarou Greca, com certo ar de provincianismo – uma característica da qual o prefeito não faz questão de esconder.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta