25 de julho de 2024

Como “pensam” os veículos de direção autônoma

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Nvidia deu um vislumbre de como um software de condução autônoma pode processar informações para aprender a dirigir.

Os veículos autônomos estão fazendo progressos graças a softwares de inteligência artificial (IA) que dão aos automóveis a capacidade da auto condução.

Enquanto os desenvolvedores entendem como fazer o trabalho de IA – ou seja, usando redes neurais e programá-los com algoritmos de aprendizagem profunda -, saber como esses sistemas realmente trabalham e processam informações é desconhecido, de acordo com um relatório da MIT Technology Review.

A Nvidia, conhecida por suas placas de vídeo, quer mudar esse panorama. Observando o que acontece dentro de seu software IA de auto condução, a empresa descobriu uma forma de explorar como a IA conduz um veículo.

Inteligência artificial dirige como humanos, só que melhor

A rede neural da Nvidia “aprendeu” ao estudar como os motoristas humanos veem. “A rede registra o que o motorista viu, usando uma câmera no carro e em seguida, emparelha as imagens com dados sobre as decisões de direção do motorista”, disse Danny Shapiro, da Nvidia, em um post no blog.

A pesquisa da Nvidia mostrou que seu sistema de IA tende a se concentrar nas bordas da estrada, nas marcas de pista e nos veículos estacionados, como os humanos. Ele até ignora imagens consideradas irrelevantes para dirigir.

“O que é revolucionário sobre isso é que nunca direcionamos diretamente à rede para se preocupar com essas coisas”, disse o principal arquiteto da Nvidia para veículos de direção autônoma, Urs Muller.

“Não consigo explicar tudo o que é preciso para o veículo fazer, mas posso mostrá-lo, e agora ele pode me mostrar o que aprendeu.”

Enquanto a pesquisa não explica completamente como um IA “pensa”, ele fornece uma boa visão. No mínimo, poderia nos ajudar a entender como fazer a IA “pensar” mais como seres humanos – ou melhor ainda. Como demonstrou a IA da Nvidia, ele até aprendeu “a reconhecer características que seriam difíceis de antecipar e programar por engenheiros humanos, como arbustos que alinham a borda da estrada e classes de veículos atípicos”.

Parceria com a Toyota

Depois de trabalhar com marcas como Audi e Ford, a empresa divulgou agora uma parceria com a Toyota, que vai utilizar a plataforma NVIDIA Drive PX para acelerar o processo de criação de veículos autônomos.

O anúncio foi feito pelo CEO da companhia, Jensen Huang, que não deu detalhes sobre um possível modelo específico ou uma data de lançamento, mas explicou que os engenheiros da NVIDIA já estão trabalhando com a montadora japonesa na criação de um modelo que deve chegar ao mercado nos próximos anos.

O prazo indicado não é necessariamente um divisor de águas, haja vista que outras montadoras e empresas de tecnologia já estão com um prazo parecido e com projetos caminhando em ritmo acelerado.

Por outro lado, a expectativa é que o carro já possa desfrutar de tudo que a NVIDIA tem para oferecer em termos de direção autônoma – o que inclui um modo chamado “Autopilot”, que pode assumir o volante em trajetos frequentes e também conta com funções de segurança que evitam que o motorista seja colocado em situações de risco, como passar em um sinal vermelho, por exemplo.

Huang disse ainda que “essa será a arquitetura para os modelos futuros da marca”, explicando que os veículos da Toyota deverão utilizar o mesmo supercomputador “Xavier”,  mostrado originalmente na CES 2017 (Consumer Electronic Show) uma das maiores feira de tecnologia do mundo.

O DRIVE PX utiliza quatro câmeras para coletar dados, radares, lasers e vários sensores espalhados pelo carro. O sistema então monitora estas informações e cria um ambiente em 360 graus ao redor do carro, cria um mapa em alta definição e antecipa (ou tenta antecipar) qualquer tipo de situação de risco. Além disso, todo o sistema pode ser atualizado automaticamente com novos dados e códigos, que aumentam sua capacidade de inteligência artificial que ainda é capaz de aprender a dirigir ao ver um humano dirigindo.

Segundo Ken Koibuchi, gerente executivo para Toyota, o principal objetivo dos veículos autônomos na empresa, é de eliminar por completo acidentes fatais. Ainda segundo Koibuchi, outro objetivo é a possibilidade de entregar mobilidade para todos, independente de sua capacidade de reação ao trânsito.

Vale lembrar também que a montadora japonesa já havia firmado parceria com a Microsoft com o intuito de deixar seus carros mais conectados.

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