15 de agosto de 2022

Como Santiago do Chile tornou realidade o e-bus

ônibus elétricos no Chile

A cidade de Santiago do Chile vem transformando seu sistema de transporte público desde 2018, em um momento em que o sistema contava com 6.800 ônibus, muitos deles no final de sua vida útil, e uma operação que oferecia um serviço muito abaixo do padrão mínimo.

O sistema da capital chilena, conhecido como Transantiago, que atende a três milhões de viagens por dia, começou a passar por uma transformação sem precedentes na América Latina e, para cumprir seus objetivos de sustentabilidade e meio ambiente, o sistema mesclou uma renovação de frota com propulsores menos poluentes (Euro 6) com a eletrificação de parte da frota.

Atualmente, Santiago tem cerca de 800 ônibus elétricos com bateria de zero emissão que circulam pela cidade diariamente, juntamente com uma frota renovada de quase 1.500 ônibus diesel Euro 6 e se tornou uma líder global na transição para frotas elétricas.

A cidade está realizando um processo de licitação para substituir mais dois mil ônibus. Até o final de 2022, mais de cinco mil terão sido substituídos, em grande parte e-buses, complementados com ônibus com motorização Euro 6 e até 2035 toda a frota deverá ser elétrica.

Fernando Saka, ônibus elétricos no Chile

De acordo com Fernando Saka, diretor executivo da autoridade metropolitana de transporte público de Santiago, a experiência de operar ônibus elétricos no Chile nos últimos dois anos mostrou que os maiores gastos de capital para os elétricos, comparados aos a diesel, podem ser compensados ​​por seus menores gastos operacionais.

Fernando cita o fato de que, para a operação de ônibus elétricos no Chile, foi desenvolvido um novo modelo de negócios que tem sido fundamental para cumprir essa tarefa e elenca algumas ações adotadas pela cidade:

1- Teste de novas tecnologias em seu sistema para dar confiança aos stakeholders envolvidos

Trabalhando com os operadores de transporte público e fabricantes de ônibus, a autoridade de transporte público realizou estudos para avaliar quais rotas eram mais viáveis ​​para operar com ônibus elétricos, usando um ciclo de direção modelado desenvolvido para combinar com a paisagem de Santiago. Descobriu que mais de 70% das rotas testadas podem ser operadas diariamente com uma única carga completa e que os ônibus elétricos podem ser cinco vezes mais eficientes que os ônibus a diesel. Os estudos também ajudaram a determinar as especificações técnicas e os requisitos operacionais mínimos para a licitação de renovação de frota.

2 – Separar a propriedade do ônibus da operação e manutenção para desenvolver um modelo de negócios atraente e sustentável

O modelo de negócio desenhado para a renovação da frota em Santiago separa a propriedade dos ônibus de sua operação e manutenção. Até agora, o modelo foi implementado por uma parceria público-privada – os frotistas (empresas privadas, neste caso) fornecem ônibus para os operadores de transporte público por meio de um contrato de arrendamento em que os ônibus são pagos pela autoridade de transporte público. O contrato de locação regula sua relação e garante os ônibus no sistema até que as obrigações financeiras sejam pagas. Esse modelo provou reduzir os riscos de pagamento, o que reduz as taxas de crédito e os custos de captação. Ao mesmo tempo, permite lidar com contratos mais curtos com os operadores e a cidade não é mai obrigada a pagar o custo dos ônibus durante o contrato do operador de transporte público.

3. Definir condições favoráveis ​​nos contratos e concedê-los com base no custo total de propriedade

Os ônibus elétricos têm uma vida útil mais longa do que os ônibus a diesel. Por isso, estabeleceu-se um contrato de 14 anos para ônibus elétricos, enquanto para ônibus a diesel é de apenas 10 anos. Isso reduz os pagamentos mensais dos ônibus elétricos e aumenta sua competitividade em termos de custo total de propriedade. Os pontos acima estão todos integrados em licitação em andamento para fornecedores de frota de ônibus renovarem até 2.000 ônibus, onde as ofertas serão pontuadas com base também em seu Custo Total de Propriedade (TCO). Devido à competitividade dos e-buses, a cidade de Santiago espera atribuir uma percentagem significativa da frota a fornecedores desta tecnologia. Os fornecedores de frotas de ônibus fornecerão os operadores, que serão escolhidos por meio de outro processo de licitação inter-relacionado.

As experiências e lições com os ônibus elétricos no Chile foram compiladas no documento “De pilotos a escala: Lecciones sobre el despliegue de buses eléctricos en Santiago do Chile”, bem como o estudo de caso da Metbus sobre o modelo de negócios mencionado anteriormente, e de acordo com Fernando Saka, eles podem servir de subsídio para outras cidades que se propoem a acelerar a transição para vias mais saudáveis ​​e a desacarbonização do sistema de transporte público.