Como a indústria automobilística brasileira se comportará diante de um governo que nega o aquecimento global?

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A indústria automobilística nacional certamente sofrerá impactos diante da visão do futuro governo brasileiro, que, por tudo o que lemos e sabemos, não considera nocivos os efeitos das emissões de gases sobre o clima do planeta. A negação do Acordo de Paris é só uma pista do que vem por aí.

Nos últimos dois anos, todo o setor automotivo, uma das maiores fontes de emissões de gases do efeito estufa em todo o mundo, empregou grande esforço político para ver aprovado no Congresso e no Executivo Federal uma nova política industrial em prol de veículos e uma produção mais sustentável e eficientes, não só visando o bem-estar do consumidor interno, como também uma maior competitividade internacional.

Qual não foi a surpresa, após definidas as eleições presidenciais de 2018, que parte da mídia, especialmente a não-especializada, e agentes do alto escalão do governo Bolsonaro interpretaram o imenso avanço de mais uma nova fase do Inovar-Auto como mais uma benesse do governo federal à indústria automobilística, “um setor constantemente privilegiado”.

Chegaram a equiparar a aprovação do Rota 2030 como aumento salarial para os magistrados – uma comparação infeliz e desproporcional pelo de serem matérias completamente diferentes.

De acordo com entidades respeitáveis, como a Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE-Brasil), a primeira fase do Inovar-Auto (2012-2017), aprovado na última gestão federal, produziu resultados significativos em termo de eficiência energética e redução das emissões.

Carros mais seguros e econômicos, dotados de motores eficientes, foram possíveis com os arranjos proporcionados pela política industrial setorial – mesmo que o governo tenha aberto parte mão de uma parte da arrecadação, que, em termos de veículos, continua excessivamente alta no Brasil.

Em caminhões também, a cobrança do governo e de toda a sociedade por movimentação de cargas terrestres com a emissão de menos poluentes resultou no Euro 5. Mesmo com o aumento de preço dos novos caminhões, é inegável o salto que o transporte de cargas deu com a nova tecnologia.

Será que se prevalecer a opinião do futuro governo negando o aquecimento do planeta pela emissão de poluentes, o Euro 6 virá para o Brasil? É uma grande incógnita.

No último Salão do Automóvel, várias montadoras apresentaram modelos elétricos para o mercado brasileiro. O preço ainda é um fator que vai limitar a expansão desse tipo de veículo.

Mas pelo o que se depreende das declarações do futuro presidente, o governo federal não fará nenhum esforço para que o valor caia, já que não há problema nenhum com os efeitos causados pelos combustíveis fósseis.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) fez um enorme esforço para incentivar a pesquisa e o desenvolvimento local com a aprovação desta nova fase Rota 2030. Sem incentivar o conhecimento local, a entidade prevê que o Brasil perca a grande disputa global em termos de inovação da mobilidade.

Se o Brasil não cuidar da política do nosso competitivo etanol, nenhuma parte do mundo se importará com isso. A célula de hidrogênio a partir do álcool e o motor híbrido a etanol, tudo isso se perderá, se incentivos ao conhecimento não houver.  

Mas se, para quem governa, não há riscos das emissões para o futuro do planeta, pra que melhorar, se está tudo bem?

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