Como a China está se tornando um grande laboratório de carsharing

Transporte sob demanda

As montadoras globais estão se movimentando rumo ao transporte sob demanda que exigirá, em um futuro próximo, veículos hiperconectado, autônomo e compartilhado – e a China caminha para se tornar o laboratório deste conceito.

Com os serviços conectados de alta velocidade crescendo e com o aumento do compartilhamento, a necessidade de veículos adaptados a essas e outras soluções de mobilidade em evolução é um dos principais assuntos entre as gigantes globais reunidas no Salão de Shanghai.

Quase todos concordam que não há melhor campo de testes do que a China: suas megacidades estão ansiosas por respostas ao impasse e o chinês é ávido pela adoção de novos serviços de alta tecnologia.

Para tirar proveito disso, os fabricantes estão competindo não apenas para vender veículos convencionais e elétricos no maior mercado automotivo do mundo, mas também para desenvolver novas tecnologias e até mesmo sistemas específicos projetados para o mundo on-demand.

“Não podemos apenas desenvolver carros elétricos. Eles terão que ser inteligentes, interconectados e, é claro, compartilhados”, disse Zhao Guoqing, vice-presidente da gigante automobilística chinesa Great Wall Motors.

A ânsia dos chineses em se locomoverem com um clique de smartphone desencadeou um mercado colossal: o transporte sob demanda alcançou US $ 28 bilhões em faturamento na China no ano passado, ou cerca de metade do volume global, e deve dobrar até 2022.

Potencial enorme

O potencial sob demanda está reunindo montadoras e prestadores de serviços.

No ano passado, a Didi Chuxing, a maior plataforma de transporte por aplicativo do mundo, que recentemente adquiriu a 99 aqui no Brasil, revelou uma aliança de fabricantes chineses e estrangeiros, incluindo Renault, Toyota e Volkswagen, dedicados a explorar formas de avançar.

Em fevereiro, os gigantes da tecnologia chinesa Alibaba e Tencent se uniram a vários fabricantes para desenvolver uma futura plataforma para transporte sob demanda.

“Não podemos mais ser um fabricante convencional, precisamos oferecer soluções de mobilidade, conectividade”, disse Stephan Wollenstein, diretor da Volkswagen China.

Apesar de ser relativamente nova no mercado automotivo da China, a Renault está à frente: sua joint venture local com a fabricante chinesa Brilliance Auto entregou 600 minivans para a Didi em fevereiro.

“A Didi quer desenvolver esses veículos com montadoras que consigam se adaptar aos seus negócios, redesenhados em torno do passageiro”, disse Michael Dong, vice-presidente da Renault-Brilliance-Jinbei.

Os veículos convencionais e familiares, por exemplo, têm seus bancos traseiros reservados para crianças. Veículos pensados para compartilhamento devem levar em conta outro perfil de passageiros

Assim como no Brasil, os motoristas de transporte por aplicativos da Didi fornecem seus próprios veículos, mas as autoridades chinesas estão incentivando as empresas de serviços a construir suas próprias frotas para estimular a indústria e impulsionar o conceito deste transporte futurista.

As alemãs apostam em veículos de passeio, como a BMW que oferece um serviço de alta qualidade na cidade de Chengdu, no sudoeste da China, e a Volkswagen e a Mercedes-Benz, em Xangai.

“É verdade que os volumes encomendados ainda são insuficientes para a produção em massa, mas o potencial é enorme”, conclui Dong.

Espera-se que esta evolução automotiva acelere o desenvolvimento de veículos autônomos, que já são vistos como o futuro do transporte geral de automóveis, mas parecem especialmente adequados para serviços urbanos de compartilhamento de veículos.

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