Com queda de vendas, setor de importados cobra retomada da economia

O setor de veículos importados vive mais um ano de sobressaltos no Brasil. No primeiro semestre, segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), as vendas registram recuo de quase 10% ante a igual período do ano passado.

Em razão disso, a entidade revisou de 50 mil para 40 mil sua meta de emplacamentos para este ano.

Gandini, presidente da Abeifa

O presidente da entidade, José Luiz Gandini, afirma que o foco do setor agora está concentrado em medidas que possam reaquecer logo a economia, como as reformas da Previdência e Tributária.

Neste momento, Gandini avalia que mais importante que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, anunciado na última sexta-feira, são os resultados de curto prazo para a sobrevivência do setor. “Antes (do acordo), torcemos para que o Brasil dê certo.”

Por isso, o “mais importante agora é um pacto nacional pela retomada do crescimento da economia brasileira”, insiste. “O setor de veículos importados, e o setor automotivo como um todo, precisa de resultados de curto prazo.”

A Abeifa também comemora a aprovação do Acordo de Livre Comércio do Mercosul e União Europeia, depois de vinte anos de negociações entre os dois blocos comerciais

“Mas as informações ainda estão desencontradas”, ponderou. “De qualquer forma, se concretizar, de imediato poderemos ter uma cota de 32 mil unidades com alíquota de importação reduzida de 17,5%”, disse.

A Abeifa informou que ainda não está clara como será a divisão dessas cotas, mas já assegura que o volume “é muito pequeno.”

Números

Foram emplacadas, no semestre, 16.219 unidades importadas por 16 associadas à Abeifa, ante as 17.948 veículos licenciados em igual período de 2018.

Mas os veículos produzidos no Brasil por quatro montadoras associadas da Abeifa cresceram 44,1% no acumulado do ano. Foram 14.527 unidades contra 10.078 unidades do ano passado. As projeções iniciais de produção local, que eram de 55 mil unidades para 2019, foram mantidas.

Em junho, as marcas da Abeifa apontaram o licenciamento de 2.679 unidades em junho último – queda de 13,4% em relação a maio de 2019, quando foram vendidas 3.094 unidades importadas. Ante a junho de 2018, quando foram comercializadas 3.013 unidades, a queda foi de 11,1%.

Destaques entre as marcas

As cinco marcas que mais venderam, em junho, foram a Volvo (624 / -11,1%), Kia Motors (598 unidades / -32,7%), BMW (488 / -7,9%), Land Rover (229 / +15,1%), e Jac Motors (179 / -5,3%).

Somados os emplacamentos de unidades importadas e produzidas localmente, o ranking das cinco marcas, por volumes, aponta, a CAOA Chery com 1.608 unidades (só produção nacional), a BMW com 1.117 unidades (629 nacionais + 488 importadas), a Volvo com 624 unidades (só importadas), a Kia Motors com 598 veículos (só importados) e Land Rover com 403 veículos (174 nacionais e 229 importados).

A produção nacional da BMW, CAOA Chery, Land Rover e Suzuki indica, em junho último, o emplacamento de 2.564 unidades, total que representou queda de 3,4% em relação a maio de 2019, quando totalizaram 2.655 unidades e significaram alta de 40% ante junho de 2018, quando anotaram 1.831 unidades.

Por marcas, a CAOA Chery, com 1.608 unidades emplacadas, registrou queda de 8,1% ante igual período de maio de 2019; a BMW, com 629 unidades, alta de 10,7%; a Land Rover, com 174, queda de 8,9% e a Suzuki, com 153 unidades licenciadas, alta de 4,1%.

Share de importados

Em junho último, ao considerar somente os veículos importados por associadas à entidade – total de 2.679 unidades -, o setor significou market share de 1,25%.

Com 5.243 unidades licenciadas (importados + produção nacional), a participação das associadas à Abeifa foi de 2,46% do mercado total de autos e comerciais leves (213.438 unidades).

Para Gandini, os importados continuam tendo uma baixa penetração no mercado nacional, prejudicando o consumidor e o mercado pela falta maior de competitividade.

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