Com queda de 99% na produção, Anfavea critica crises diárias e pede plano coordenado

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Junto com o anúncio do pior resultado da história, fruto da crise provocada pela pandemia, que fez com que as montadoras paralisassem, de forma voluntária, suas linhas de produção, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tece críticas à atuação das autoridades brasileiras. Para Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea, “parte desta crise poderia ser evitada se houvesse uma ação coordenada e se a gente pensasse no Brasil”.

Moraes ressaltou que além da crise sanitária, instalou-se também uma crise institucional que se reflete na economia como um todo. Segundo o presidente da Anfavea, falta sensibilidade da classe política na coordenação na enfrentamento da pandemia. “Vemos crises pela manhã, à tarde e à noite todos os dias. E temos políticos discutindo aumento de salários dos servidores públicos. Não consigo entender como conseguem colocar este assunto em pauta”, concluiu.

Especificamente no setor automotivo, os números dão uma mostra do tamanho do problema: em abril foram produzidas apenas 1.847 unidades. Um tombo de 99% em relação ao mês anterior e de 99,4% em relação a abril de 2019, conseguindo ser o pior resultado da história da Anfavea, desde 1957.

A queda na produção de veículos comerciais foi menor, mas não menos significativa: redução de 95,2% em relação a março de 2020, quando foram produzidas 8,4 mil unidades.

Para Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea, qualquer previsão feita neste momento será pura especulação, salientando que montadoras estão retomando sua produção por conta da necessidade de atender aos pedidos pré covid-19, feitos pelo agronegócio bem como a continuidade de renovação de frotas de alguns transportadores, sem que isto signifique uma retomada de volumes.

Em relação à retomada de atividades das montadoras, a Anfavea salienta que a preservação de vidas é o principal objetivo da entidade e, para tanto, preparou um protocolo com 34 regras inspiradas nas experiências das matrizes na Alemanha, Itália, França, Estados Unidos e Ásia e que será seguido pela indústria na retomada lenta, gradual e segura de suas atividades.

Para a entidade, a recessão é um fato e já está instalada e os contratempos políticos institucionais só aprofundam a crise. Como o País vai lidar com o problema poderá determinar, em um futuro próximo, se iremos mitigá-la ou aprofundá-la.

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