VW muda outra vez seu board para se reinventar

Herbert Diess

Palavras duras foram anunciadas na mudança do comando global do Grupo Volkswagen. Com a nomeação de Herbert Diess como CEO em substituição a Matthias Mueller, que estava no cargo há menos de três anos, a montadora tenta tranquilizar os investidores ao sinalizar que está determinada a se “reinventar”.

O inferno astral da Volkswagen parece reproduzir a maldição do líder. Montadoras que também brigaram num passado recente pelo topo da liderança mundial de veículos passaram pelas mesmas atribulações. Primeiro foi a General Motors, que só não fechou as portas por causa da ajuda do presidente Barack Obama. Em seguida, foi a Toyota, com uma onda infindável de recalls.

Por acaso ou não, todos os demônios surgiram no mercado norte-americano. No comando da VW, o outrora poderoso Martin Wintercorn, após oito anos no comando da gigante mundial, caiu em desgraça com o escândalo na fraude das emissões de poluentes de carros a diesel nos EUA. Começava ali o pesadelo que dura até os dia atuais.

No Brasil, depois de uma queda assustadora em automóveis e comerciais leves, a Volkswagen vem reorganizando seu portfólio, com o lançamento de uma nova geração de pelos menos 20 produtos até o início da próxima década. Em veículos comerciais, a MAN-VW Caminhões e Ônibus também desenvolve um trabalho reconhecido pelo mercado. Com o novo Delivery, a marca busca expansão global a partir do Brasil.

Diess assume com o objetivo de reduzir o peso e reorganizar a maneira como as 12 marcas do grupo são gerenciadas. O board da montadora informou que vai criar seis novas áreas de negócios e um portfólio especial para a China, seu maior mercado, e dividir suas marcas em três novos grupos de veículos com categorias de placas de valor, premium e super premium.

O anúncio foi feito depois que os diretores da Volkswagen deliberaram maneiras de reformar um império que tem marcas de motocicletas, ônibus, caminhões e carros de passeio, incluindo Ducati, Bentley, Porsche, Audi, Scania e Skoda.

A substituição de Mueller decorre depois dele não conseguir “refocalizar” o portfólio do grupo de marcas de carros, um pilar fundamental do plano Strategy 2025 da empresa, que supostamente transformaria a empresa em líder em carros mais limpos após o escândalo de fraude de emissões de diesel em 2015.

Diess, atual chefe da marca homônima da VW, também supervisionará o P&D e a tecnologia da informação do VW Group, informa a montadora.

O novo CEO disse que considerará a venda de ativos e prometeu acelerar a tomada de decisões da gigante automobilística alemã, uma vez que enfrenta uma mudança sísmica na indústria enquanto supera seu escândalo de emissões de diesel.

Falando em sua primeira coletiva de imprensa como executivo-chefe da sede da Volks, Diess disse que analisaria os diferentes ativos do portfólio do VW Group, que inclui a fabricante de motocicletas Ducatti e a fabricante de transmissão Renk, e verificar se mantê-los faz sentido.

“Vamos rever todas as opções”, disse Diess, acrescentando que isso pode incluir investimentos nas empresas ou a venda.

Diess também disse que a VW seria simplificada em uma estrutura mais compacta. O fabricante criará um novo cargo de diretor operacional para a marca de carros de passeio da VW para aliviar a carga de trabalho de Diess. “Estou confiante de que, ao selecionar o COO certo, muitas coisas funcionarão mesmo sem meu envolvimento direto”, disse Diess.

A reorganização foca o poder nas mãos de Diess, já que ele também ganhará supervisão do departamento de P&D do grupo, além do que a montadora está chamando de “Vehicle IT”, ou conectividade.

O conselho de supervisão aprovou mudanças corporativas abrangentes, incluindo a promoção de Diess para o posto mais alto do grupo. A decisão estrutural mais significativa abre caminho para uma listagem de ações da divisão de caminhões com ativos estimados em até 30 bilhões de euros (US $ 37 bilhões).

A saída abrupta de Mueller após menos de três anos, mesmo após uma melhoria estelar nos lucros do Grupo VW, decorre da decisão dos principais interessados ​​em trazer nova liderança à medida que a empresa emerge de sua crise de montagem de emissões de diesel.

Diess se concentrará em tornar o gigante de 640 mil funcionários mais ágil para lidar com uma mudança para carros elétricos e autônomos e novos serviços digitais, como o passeio.

Diess admitiu que o escândalo do diesel, que entrou em erupção em setembro de 2015, continuará tendo efeitos por mais alguns anos. As provisões para recuperar ou comprar de volta carros e pagar multas e outras penalidades somaram 25 bilhões de euros, e a montadora ainda está disputando ações judiciais.

“Perdemos a confiança de nossos clientes”, disse Diess. “Será um caminho longo e difícil para recuperá-la.”

Além de separar a unidade de caminhões, a VW planeja reagrupar suas 12 marcas de veículos em quatro grupos para forjar laços mais estreitos entre placas semelhantes, como a Skoda e a Seat. O presidente do Grupo VW, Hans-Dieter Poetsch, disse que, independentemente dos movimentos que a empresa faça com a operação do caminhão, a VW não cederá o controle da divisão.

Diess acrescentou que a VW estava aberta a alianças em áreas como carros autônomos. “Eu não descartaria novas parcerias. A direção autônoma requer investimentos imensos”.

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