Cai a demanda por veículos importados

veículos importados

Apesar do crescimento de 4,25% nas vendas de automóveis e comerciais leves no primeiro semestre deste ano – com 991.475 unidades emplacadas de janeiro a junho, frente a 951.098 veículos licenciadas em igual período do ano passado (dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores-Fenabrave) –, o consumidor de automóveis importados continua retraído, o que refletiu em uma queda de 20% nas vendas deste segmento no semestre. De janeiro a junho, foram licenciados 108.945 veículos importados (automóveis e comerciais leves), enquanto no mesmo período de 2016 os emplacamentos somaram 136.224 carros.

 

 

Considerando-se exclusivamente as dezessete empresas filiadas à Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), a retração foi de 27% nas vendas do primeiro semestre deste ano, com o licenciamento de 13.289 veículos, frente a 18.200 unidades emplacadas de janeiro a junho de 2016. As marcas reunidas na Abeifa representaram 12,2% do total de importações brasileiras de veículos no semestre.

Na avaliação de José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, o resultado reflete a insegurança do comprador. Ele acredita que os problemas políticos que o país enfrenta desmotivam o consumidor a comprar um carro importado, que é chamativo, porque para um empresário que está sendo obrigado a cortar despesas e a reduzir o quadro de funcionários diante da crise econômica, comprar um carro importado poderia fazer mal à sua imagem, além dos problemas de segurança que o país enfrenta. “Tudo isso faz a pessoa pensar muito antes de comprar um carro importado”, pondera.

Mas ele destaca que a baixa nas vendas é consequência, principalmente, do regime de tributação adicional de 30 pontos percentuais do IPI para os importados e da cota máxima de importação que limita em 4.800 unidades por ano. “É uma trava que não permite que as marcas vendam mais”, afirma.

Gandini ressaltou ainda que a venda de importados está represada há pelo menos cinco anos e ponderou que um eventual aumento da importação de veículos não afetaria a balança comercial, “hoje extremamente favorável ao Brasil.” “Aliás, as exportações brasileiras de autoveículos vêm aumentando mês a mês. Por isso, não há qualquer sentido em frear as importações. Mas, infelizmente, nossos pleitos, ao menos para a liberação das cotas não utilizadas em 2016, não são atendidos”, reclama o executivo.

As vendas de junho, isoladamente, tiveram uma pequena alta de 1,8% sobre o mês de maio, com 2.603 unidades comercializadas, contra 2.558 carros em maio último. Em comparação a junho de 2016, houve uma queda de 6,6% (2.603 unidades contra 2.788 unidades).

Neste fechamento de semestre, a equipe da Abeifa refez a projeção de mercado para 2017. “No início do ano, havíamos estimado 25 mil unidades para este ano. Mas, como chegamos a pouco mais de 13 mil veículos no semestre, podemos ter um pequeno alento e chegar a 27 mil unidades em 2017. Ainda assim, fecharemos o ano abaixo das 35.852 unidades de 2016”, projeta Gandini.

Entre as associadas à Abeifa, que também têm produção nacional, BMW, Chery, Land Rover, Mini e Suzuki fecharam o semestre com 7.608 unidades emplacadas, alta de 45,6% ante as 5.227 unidades de igual período do ano passado (incluindo a produção da Jaguar Land Rover).

 

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