Brasil e México assinam acordo de livre-comércio de veículos

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Em comunicado do Departamento de Comércio Exterior (Decex), subordinado ao Ministério da Economia, o Governo Federal confirmou que Brasil e México assinaram um acordo para garantir o livre-comércio de veículos entre os dois países.

A decisão contraria a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que preferia manter o sistema de cotas para o mercado de veículos entre os dois países, pois considera haver desvantagens competitivas do País em relação aos mexicanos.

Em fevereiro, a Anfavea havia solicitado a manutenção das cotas por mais três anos, alegando que é mais barato produzir carros no México do que no Brasil. A equipe econômica, no entanto, não via motivos para quebrar contratos e rediscutir o acordo como já havia sido feito em 2015 pela gestão passada.

Na visão do governo, o efeito no curto prazo será pequeno, pois o México não vem conseguindo exportar a totalidade da cota de veículos para o Brasil e vice-versa.

O Brasil importa do México 14% menos que o máximo permitido pelas regras. Isto é, só haverá impacto sobre o mercado caso houver crescimento da economia e a demanda de veículos aumentar. Além do mais, o novo tratado aumenta o índice de conteúdo regional de 35% para 40% – proporção de peças dos carros fabricadas nacionalmente em cada um dos países.

Os veículos importados do México são os de maior valor agregado, como VW Jetta e Tiguan, Chevorlet Tracker e Equinox, Ford Fusion, Audi Q5 e Nissan Sentra. Do Brasil para lá seguem modelos de menor porte e valor, como Gol, Up!, Ka, Onix, Civic e EcosSport.

O regime atual expira nesta terça (19/03), quando será substituído pelo novo acordo. As regras ainda vigentes determinava o comprometimento com cotas máximas de exportação e importação entre os dois países – limite que aumentava a cada 12 meses. A última cota, com prazo até março deste ano, considerava US$ 1,704 bilhão tanto para Brasil como para o México.

A mudança vale apenas para automóveis e comerciais leves. Ônibus e caminhões serão inclusos a partir de 2020.

O livre comércio de carros entre Brasil e México acontece em meio a uma reorganização global do setor automotivo, que chegou ao Brasil com o anuncio da Ford que fechará sua fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP). Em janeiro, outra montadora americana, a GM, também ameaçou encerrar atividades. Em face desta pressão, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou uma política de incentivo tributário às montadoras.

Produção e vendas

A produção brasileira de veículos cresceu 29,9% em fevereiro, ante o mês de janeiro, segundo dados da Anfavea. A indústria automotiva produziu 257,2 mil unidades, entre carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, no mês passado. Desta forma, no primeiro bimestre de 2019, houve um crescimento de 5,3%, equivalente à produção de 455,3 mil unidades. Na comparação com fevereiro de 2018, a indústria automotiva aumentou a produção em 20,5% no mês passado.

Já as vendas de veículos novos aumentaram 0,5% em fevereiro ante o mês anterior. Foram 176,7 mil unidades vendidas no mês passado – o melhor resultado para o mês desde 2014.

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