Bosch e Mercedes-Benz investem em Centro de Testes Veiculares em Iracemápolis

centro de testes veiculares

As demandas por mais segurança e maior eficiência energética no setor automotivo, que deverão crescer ainda mais com as novas legislações ambientais e com o programa Rota 2030, foram alguns dos motivos que levaram a Mercedes-Benz do Brasil e a Bosch a criar um consórcio para implantar um Centro de Testes Veiculares para ensaios e avaliações de automóveis, comerciais leves, motocicletas e máquinas agrícolas. O centro será construído junto ao já existente Campo de Provas da Mercedes-Benz em sua planta de Iracemápolis, no interior de São Paulo, onde a montadora realiza testes em caminhões e ônibus.

Anúncio da criação do centro de testes veiculares
Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e Besaliel Botelho, presidente da Robert Bosch América Latina, durante anúncio da criação do Centro

O investimento está estimado em R$ 70 milhões e será feito em partes iguais pelas duas companhias, com previsão de duração de 20 anos. As obras começarão no primeiro semestre de 2020 e o empreendimento deve ser inaugurado em 2021. Além do aproveitamento para testes e avaliações de produtos e tecnologias das duas empresas, o Centro poderá ser alugado por outras marcas e fabricantes que queiram testar tecnologias, componentes e veículos. Além de dividir o investimento, o consórcio dividirá a administração do centro, custos, receitas e lucros.

O projeto prevê cinco novas pistas que ocuparão uma área de 400 mil metros quadrados e que elevarão o número de pistas do campo de Iracemápolis das atuais 16 para 21.

Para manter a confidencialidade dos produtos testados – fator de extrema importância, principalmente quando se trata de novos modelos de automóveis – o complexo contará com boxes e oficinas conjugados a escritórios individualizados e estacionamento para protótipos confidenciais de veículos em desenvolvimento. A infraestrutura do local terá também áreas para refeições, apresentações e eventos.

As novas pistas

Um dos destaques do projeto é a pista Oval de Alta Velocidade (High Speed Oval – HSO), que será composta por duas retas paralelas, de 960 metros cada, e duas curvas que completam o circuito oval num total de 2,6 mil metros de extensão, três faixas de rolagem, e superfícies irregulares para medições de estabilidade e suspensão que possibilitarão testar, em alta velocidade, consumo de combustível, autonomia, arrefecimento, ruído, conforto veicular e dirigibilidade.

Já a Área de Dinâmica Veicular (Vehicle Dynamic Area – VDA) terá 70 mil metros quadrados de asfalto perfeitamente plano e oferecerá condições ideais para os experimentos ligados ao Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP) e ao sistema de Frenagem Automática de Emergência (AEB). Também será utilizada para desenvolvimento de veículos híbridos, elétricos e autônomos.

Com uma configuração especial, a Pista de Medição de Frenagem (Brake Measurement Track – BMT) terá sete faixas paralelas e irrigáveis para propiciar diferentes situações de aderência. Essa área será indicada para testes com manobras de aprimoramento para sistemas de segurança ativa, como o freio ABS e o sistema ESP.

Para execução de testes de estabilidade dos veículos será feita a Pista de Dirigibilidade Pavimentada (Paved Handling Course – PHC), com curvas e sinuosidades de diferentes raios para verificação da performance de estabilidade e dirigibilidade de veículos de passeio e comerciais leves.

“A criação do Centro de Testes chega no momento certo ao Brasil, a fim de atender às futuras legislações de segurança veicular”, declara Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina. “O ESP, por exemplo, será obrigatório para todos os automóveis zero quilômetro em 2022, incluindo veículos comerciais. Já o AEB, que será obrigatório na Europa em 2022, ainda não tem data para ser exigido no Brasil, mas já está em estudo por grupos de trabalho do Contran (Conselho Nacional de Trânsito)”, comenta.

Besaliel Botelho, presidente da Robert Bosch América Latina, relata que, desde 2016, a Bosch sentia a necessidade de investir em uma área para testes e validações de  sistemas de eficiência energética, de segurança e de assistência ao condutor. “Depois de estudar diferentes possibilidades, encontramos na Mercedes-Benz a parceira ideal para esse projeto. Juntos, construiremos um Centro de Testes Veiculares que beneficiará toda a cadeia automotiva na América Latina. Esse empreendimento está diretamente alinhado ao nosso objetivo estratégico de ‘local for local’, ou seja, ter centros de competência locais para atendimento das demandas de nossos clientes”, declara Botelho.

O novo complexo de testes veiculares ajudará a acelerar o desenvolvimento de produtos e tecnologias por meio de uma estrutura similar às existentes em países como Alemanha, Estados Unidos, China e Japão.

Primeiro teste do complexo

Segundo Schiemer, o primeiro projeto da Mercedes-Benz que deverá ser avaliado quando o empreendimento for concluído será o Programa Eletrônico de Estabilidade (ESP). Também estão na ensaios para desenvolvimento de sistemas como o de Frenagem Automática de Emergência, proteção de pedestres e ciclistas (AEB), Sistema de Assistência ao Condutor (ADAS) e projetos de condução autônoma/semiautônoma e de maior eficiência energética.

Já por parte da Bosch, Botelho diz que a empresa ainda não definiu qual dos 35 projetos em andamento será o primeiro a ser avaliado nas futuras pistas do complexo de Iracemápolis. A empresa investe anualmente cerca de 3,5% de seu faturamento em Pesquisa e Desenvolvimento.

A participação da Bosch agregará à investida seu amplo conhecimento em projetos de campos de provas ao redor do mundo. Segundo informações da empresa, os mesmos responsáveis pela criação dos Centros de Testes de Boxberg (Alemanha), Donghai (China), Memambetsu (Japão), Vaitoudden (Suécia) trabalharão em conjunto com as equipes da Mercedes-Benz e da Bosch no Brasil durante a concepção e detalhamento das pistas e demais dependências do Centro de Testes Veiculares.

Campo de Provas Mercedes-Benz

Atualmente, o Campo de Provas da Mercedes-Benz em Iracemápolis tem 16 pistas, com extensão total de 12 quilômetros, sendo 14 pistas para verificação de durabilidade estrutural, uma de conforto acústico e térmico e uma de terra.

As 14 pistas de durabilidade são de uso exclusivo da Mercedes-Benz para testes de caminhões e ônibus da marca. Já as pistas de terra e de conforto acústico e térmico podem ser alugadas por qualquer fabricante de caminhões, ônibus, automóveis, comerciais leves, motos, máquinas agrícolas e componentes.

De olho no futuro do transporte

“No horizonte da nossa parceria olhamos para os veículos autônomos e também para os híbridos e elétricos, todos conectados, digitais e compartilhando informações que visam trazer mais segurança e conforto aos motoristas e passageiros. Nesse sentido, o Centro de Testes Veiculares é mais um passo marcante da Mercedes-Benz do Brasil no desenvolvimento de veículos cada vez mais seguros e inteligentes”, diz Schiemer. “Com o Centro de Testes, reforçamos o posicionamento de nossas empresas como referências mundiais em soluções inovadoras para veículos comerciais e automóveis, com reflexos positivos para os clientes, para a indústria automotiva nacional e consequentemente para o próprio País”, complementa.

“Os ensaios com as tecnologias de segurança ativa, assistência de direção por radar, ultrassom e vídeo, que em breve serão realizados no Brasil, irão acelerar conquistas importantes rumo à uma condução mais segura, confortável e livre de estresse”, ressalta Botelho. “Esse será um espaço não somente para Mercedes-Benz e Bosch, mas para que toda a engenharia brasileira possa desenvolver seus projetos com redução no tempo e maior eficiência logística por não precisar recorrer à outras dependências fora do País”, acrescenta.

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