Boas e más notícias no mundo da indústria automobilística

Auto insight, coluna semanal sobre conectividade,tendências e automobilismo escrita pelo jornalista Wagner Oliveira para o portal futuretransport

O licenciamento de automóveis apresentados nesta terça-feira (06.06) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é um alento, revelando que a indústria automobilística pode ter conseguido superar o fundo do poço ao registrar crescimento de 2,3% no número de emplacamentos de veículos de passeio nos cinco primeiros meses de 2017. A entidade registrou entre janeiro e maio a comercialização de 686.540 unidades ante a 671.260 unidades em igual período do ano passado.

No ranking de vendas internas, a General Motors segue na frente, registrando 126.549 unidade vendidas entre janeiro e maio. Segue na vice-liderança de mercado o Grupo FCA (Chrysler, Dodge, FIAT e Jeep), com 96.538 unidades. Em terceiro e quarto, respectivamente estão as montadoras associadas da Anfavea:  Volkswagen (82.185) e Ford (70.257). A Hyundai segue na quinta posição: 67.737 veículos emplacados.

Os números positivos mostram que a expectativa do consumidor conseguiu se deslocar um pouco da política, em que a desestabilização do governo do presidente Michel Temer preocupa principalmente em relação a projetos de investimento de médio e longo prazo.

Vamos ver se os próximos capítulos em Brasília, que podem culminar com a queda do atual governo, não tiram o ímpeto do consumidor, que já vinha correspondendo ao quadro mais otimista previsto pela Anfavea no início de 2017.

 Quadro negro

Se por um lado os carros provocam um certo alívio, não se pode dizer o mesmo em relação aos veículos comerciais pesados. Caminhões e ônibus seguem numa trajetória preocupante, de queda vertiginosa, demonstrando que a atividade econômica ainda está desaquecida.

Segundo o levantamento da Anfavea divulgado nesta terça-feira, o mercado de caminhões caiu 19,4% entre janeiro e maio, quando foram negociadas 17.239 unidades. No mesmo período de 2017, foram emplacadas 21.388.

 Somente em maio foram registradas as vendas de 4.105 caminhões, revelando uma pequenas alta de 0,7% no mesmo mês, comparando-se maio/2017 contra maio/2016.

Entre os principais fabricantes de caminhões, a Mercedes-Benz mantém a dianteira do mercado, com 5.129 unidades comercializadas nos cinco primeiros meses do ano. A MAN-Volkswagen vem a seguir, com 4.354.

A Ford aparece em terceiro, com 2.759. Entre janeiro e maio, a Volvo emplacou 1,900 caminhões; A Scania, 1.843 e a Iveco 674. A DAF aparece com a venda de 293 unidades; a FCA/RAM, com 172; a International, 27; a Caoa Hynday, com 4.

De acordo com os dados da Anfavea, a maior queda se deu no segmento leve – 27,3%. O semipesado retraiu 26,5%. Já o médio recuou 20,4%. No  semileve, o baque foi de 8,9% nos cinco primeiros meses deste ano.

Ao contrário do ano anterior, o pesado caiu menos que os demais segmentos, com 8,6%, revelando que as estradas podem estar assistindo ao renascimento da frota de novos.

Entre as oito associadas da Anfavea para chassis de ônibus, foram contabilizados para os cinco primeiros meses do ano 3.643 veículos ante a 4.701 unidades em igual período de 2016. A queda é de 22,5% no comparativo ano a ano.

A Mercedes-Benz segue na liderança comercial em ônibus no país. Foram 1.639 unidades, seguidos da MAN-VW (646); Iveco Bus (552); Agrale (463);  Volvo (145); Scania (137), Outros (57) e International (4).

 

 Distância

Antes da crise econômica, o Brasil vinha diminuindo muito a distância em termos de lançamentos de caminhões. Modelos apresentados na Europa eram quase que imediatamente anunciados no Brasil, descontando, claro, limitações da legislação, como Euro 5 nacional, atrás do Euro 6 europeu.

Com o gigantesco tombo nas vendas verificado nos últimos anos, é bem provável que o fosso volte a se alargar, deixando, provavelmente,  o Brasil defasado em termos tecnológicos no mundo dos pesados.

O país, que já assistiu a este filme no passado, sabe que só vai voltar a atrair a atenção dos grandes fabricantes quando a economia demandar produtos que gerem competitividade para os negócios dos transportadores.

O ganho tecnológico dos veículos de ponta ajuda os operadores nacionais do transporte de cargas a compensar perdas provocadas por uma das piores infraestruturas rodoviárias do mundo.

woliveira@futuretransport.com.br

 

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta