As dificuldades para o pequeno transportador fazer o seguro de carga

segura da carga

A greve dos caminhoneiros chamou a atenção para uma série de problemas que afetam o dia a dia dos transportadores autônomos de cargas, entre eles a questão do seguro da carga, geralmente feito pelo embarcador que é quem tem a obrigação legal de fazê-lo, segundo regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Pesquisa feita pelo TruckPad, aplicativo que conecta os caminhoneiros autônomos às cargas disponíveis, mostrou que 38% dos caminhoneiros que utilizam a ferramenta não têm seguro do caminhão. A questão foi lançada para 22.887 profissionais autônomos que utilizam o aplicativo e 4 mil responderam à pergunta.

Dos transportadores que têm seguro, a maioria optou pelas seguradoras Bradesco (12,8% dos que responderam) e Mapfre (11%). Em seguida aparecem as empresas Porto Seguro (6,8%) e Sulamérica (6,5%). Pouco mais de 25% dos participantes que fazem seguro informam que têm contrato com outras seguradoras, de maneira pulverizada entre diversas empresas do setor.

 

Segundo Carlos Mira, CEO e idealizador do TruckPad, a pesquisa reflete a realidade do mercado atual, mesmo considerando que foi realizada em 2015. “O preço é o fator decisivo para que esses profissionais façam, ou não, o seguro das cargas, já que o valor não é repassado para o frete”, afirma.

Ele aponta duas variáveis que poderiam melhorar o baixo índice de seguros nesse segmento: melhor valor do frete e seguro mais barato.

“Hoje, o seguro da carga é feito pelo embarcador, que é o dono da mercadoria e corresponde a 30% dos contratantes de frete. As pequenas e médias empresas não conseguem contratar seguro de frete, não recebem a visita dos corretores de seguros de transporte porque despacham um baixo volume de carga por mês. A maioria dos representantes das grandes corretoras só visita as empresas que fazem contratos recorrentes, com apólices de seguro anuais”, relata Mira.

Isso acaba dificultando qualquer intenção de fazer seguro de carga por parte dos pequenos embarcadores porque eles simplesmente não sabem como fazer seguro e esse é o principal obstáculo para o segmento, diz Mira. Ele acredita que se as seguradoras disponibilizassem, de maneira didática, um manual acessível e explicativo sobre como fazer seguro de carga, a adesão cresceria.

“A principal dificuldade é que os pequenos embarcadores não sabem como fazer seguro de transporte porque muitas vezes despacham, por mês, apenas uma carga que precisaria de seguro. É mandatário que as seguradoras façam uma plataforma eletrônica estável, coloquem no computador como fazer seguro de uma só carga, um seguro pontual, porque isso ainda não existe no mercado”, afirma. Além disso, vale lembrar que a soma de pequenos e médios potenciais clientes é maior que o total de grandes embarcadores.

Ele dá como exemplo um dos usuários do TruckPad que precisava despachar uma grande quantidade de extintores de incêndio e procurou o seu gerente de banco para pedir informações sobre seguro da carga, mas o gerente do banco não conhecia os procedimentos, não estava preparado para dar essas orientações.

“Antes o pequeno comerciante ia à transportadora que sabe contratar seguro, mas hoje em dia, se ele opta por contratar um caminhoneiro autônomo para transportar sua carga, ele procura o gerente do banco porque é a referência que ele conhece, é quem fez o seguro de vida dele, o seguro de seu automóvel, mas esse gerente também não sabe como fazer um seguro pontual. Com a Uberização, com o compartilhamento dos ativos (caminhões), surge a necessidade pontual de pequenas empresas que não têm conseguido contratar seguros para a carga. As seguradoras não têm um produto pronto para oferecer, só sabem fazer no atacado. E a demanda dos pequenos embarcadores é grande”, declara Mira.

O aplicativo TruckPad foi lançado em 2013, já tem mais de 700 mil instalações da ferramenta em smartphones de motoristas de caminhões e registra mais de dez mil empresas usando essa plataforma.

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