Antes da eletrificação, Anfavea vê carro híbrido a etanol como vital para o Brasil

híbrido a etanol

Desde sua criação na década de 1980 no Brasil, o etanol vive de altos e baixos. Em mais de 30 anos de aplicação, desde o início do então programa pró-álcool, o combustível nunca chegou a ter adesão igualitária pelo território nacional.

No auge, no final dos anos 1980, chegou a ter mais de 90% da frota saída de fábrica movida a álcool. Mas enfrentou crise de desabastecimento em razão da alta demanda e preços e escassez do produto, desacreditando o consumidor.

Renasceu com a tecnologia flexível nos anos 2000, mas ainda assim não é o combustível mais usado em grande parte dos Estados. A complexidade tributária e a produção concentrada em algumas regiões, faz com que boa parte dos motoristas continue preterindo o biocombustível – embora a gasolina conte com uma mistura de 30% do etanol.

Pois bem, quando o mundo todo fala na eletrificação do automóvel, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) entende que o Brasil ainda tem muito a ganhar com o etanol. Agora na tecnologia do carro híbrido a etanol.

A eletrificação, afirma a entidade, virá, mas nas próximas décadas. Não é uma coisa para já. “O carro elétrico não acontecerá de um dia para o outro”, afirma o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

Antes, a indústria, a academia e o governo brasileiro terão de concentrar forças para desenvolver ainda mais a tecnologia dos motores a etanol. “A gente passa antes pela questão do veículo híbrido. O veículo híbrido a etanol é a grande possibilidade para o Brasil”, acredita.

Por isso, a Anfavea busca convencer o governo federal, que discute as normas do programa Renova Bio e o Rota 2030, que incentivar a pesquisa e o desenvolvimento do veículo à base do biocombustível é a melhor alternativa em termos de competição global.

Para Megale, o Renova Bio é inovador porque finalmente um programa aborda a visão ampla do ciclo do biocombustível. “Estamos falando de biodiesel e o etanol. Temos enfatizando ultimamente que a questão do etanol para nós é fundamental”, reforça.

De acordo com Megale, a avaliação da Anfavea se dá com base em critérios técnicos. “A gente olha o balanço que se faz no mundo, e entende que o melhor sistema de neutralização da emissão de CO2, é justamente a utilização de etanol que nós temos no Brasil”, considera.

Para ele, os índices obtidos no Brasil em ternos de emissões de poluentes são mais eficientes que alguns balanços dos produzidos por veículos elétricos, abastecidos por fontes sujas, como carvão. “Então, quando a gente compara o ciclo de vida, o etanol é mais eficiente”, avalia.

A entidade, que reúne cerca de 50 fabricantes de veículos, afirma ter intensificado ações para convencer as autoridades nacionais de que o novo Programa Rota 2030, que discute a modernização da industrial nacional, tem de ter como prioridade o biocombustível.

Para Megale, a Europa não tem a vantagem competitiva que o etanol dá ao Brasil. Por isso, o presidente da Anfavea diz entender os europeus que “têm de partir para outra linha”. “Nós temos a solução do etanol, que é neutra na emissão do CO2. A gente está numa vantagem competitiva”, diz.

Mais importante ainda para a Anfavea, é promover o desenvolvimento e a pesquisa local. “Se a gente não mantiver a manutenção desse conhecimento no Brasil, de apoio a essa área de inovação que foi instalada nas últimas décadas, temos o receio de que uma transferência de pesquisa e desenvolvimento lá pra fora naturalmente não será dado o foco no biocombustível que é a nossa vantagem”, avisa.

É por isso que a Anfavea aposta no Renova Bio como primordial para o desenvolvimento local. No Rota 2030, o governo federal estuda a criação de um fundo nacional para disponibilizar recursos para ampliar a pesquisa.

“Nós temos de apoiar o nosso País em sua vantagem. E o biocombustível é uma vantagem enorme. Por isso, o Programa Renova Bio, que tem um tratamento também da pegada de carbono quando se observa o ciclo completo, questão do biocombustível é vital para o Brasil”, finaliza.

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