Angústia no setor automobilístico

Com um presidente da República envolto no olho do furacão, dá para notar nos mais importantes executivos da indústria automobilística a angústia em assistir a deterioração dos negócios em razão da grave crise política – um dos fatores essenciais pelo qual fica mais difícil a retomada da confiança neste instante delicado na história (conturbada) do Brasil.

Brasileiros ou estrangeiros, esses executivos sabem que a volta dos investimentos depende da tomada de decisão de milhares ou milhões de pessoas, que neste instante ainda se encontram anestesiadas com a teia que vem transformando Brasília num verdadeiro buraco negro, tragando tudo e todos.

Daí a angústia desses homens poderosos da indústria por se sentirem, muitas vezes, impotentes diante de uma crise que, em poucos anos, solapou um mercado que estava entre os cinco maiores do mundo, deitando por terra expectativas e geração de riquezas.

Frente a tantas incertezas que conturbam a economia brasileira, fica limitado todo o conhecimento técnico, formação pessoal e conhecimento do mercado, acumulados em anos de experiência desses altos executivos, que têm a seu dispor os melhores quadros de profissionais – desde o chão de fábrica – para oferecer todas as soluções ao consumidor dentro da realidade nacional.

É lógico que eles não ficam olhando o leite derramado e fazem de tudo para tentar reverter ao máximo a deterioração, mas não dá para esconder de suas faces e pensamentos a perplexidade com que o país, mais uma vez, conseguiu jogar no lixo uma década inteira em razão da irresponsabilidade de quem foi justamente eleito para fazer avançar uma das maiores nações do mundo, que, de tempos em tempos se autodestrói e enterra seu futuro.

“Essa volatilidade não vai passar tão rápido”, prevê o presidente da Ford Caminhões, João Pimentel. Enquanto a volatilidade não acaba, Pimentel diz que todo o esforço passa pela otimização de todos os processos para que a Ford saia mais forte da crise.

O presidente da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer, afirmou que a atual crise deixa muitos aprendizados aos executivos, entre eles, o de não confiar excessivamente num mercado nacional que, desde o início da indústria automobilística, conviveu com altos e baixos, mas nunca em igual escala ao que está passando. “Temos de aprender com os erros do passado”, afirma. “Não dá mais para confiar só no mercado nacional, as empresas daqui vão ter de conviver agora com o mercado externo.”

Sérgio Zonta, integrante da diretoria executiva da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), afirmou que a crise liquidou com centenas de concessionárias, empregos, além de deixar uma instabilidade nos que conseguiram sobreviver pela falta de capital de giro e os altos custos que o baixo volume de vendas, principalmente em veículos pesados, mal cobre.

Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Venda da MAN, afirmou que a preocupação é com os fornecedores que estão sem fôlego para investir na produção caso haja a retomada das vendas num ritmo mais forte que o previsto. “Estamos monitorando isso, pois existe falta de capital de giro para alguns fornecedores”, diz.

Depois da lambança feita, fica para esses executivos a tarefa de desatar o nó que eles não deram. Mas é do talento, dedicação e esforço deles que dependem centenas de milhares de empregos em todo o país, que sabem em quem podem e em quem não devem confiar.

 

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