Indústria tenta recuperar 80 mil veículos ‘perdidos’ na greve dos caminhoneiros

Anfavea registra perda de produção durante as paralisações

Um carro que deixou de ser vendido hoje pode ser comercializado amanhã? Pode, se permanecer intacta a vontade do consumidor. Esta é a esperança da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que registrou perda de produção de até 80 mil veículos – entre carros, comerciais leves, caminhões e ônibus – nos dez dias de paralisações dos caminhoneiros.

Para recuperar o estrago feito, algumas montadoras preveem aumentar horas extras e até trabalho nos finais de semana. A logística atuou fortemente para recompor os níveis de produção. Na última segunda-feira, todas as montadoras já estavam em plena produção. Há falta esporádicas de autopeças, fator que será normalizado ao decorrer dos próximos dias.

Antes da greve dos transportadores, a produção da indústria automobilística girava ao ritmo de 12 mil unidades por dia. Para o presidente da Anfavea, Antônio Megale, é possível ampliar este número e recuperar o tempo perdido. Com reforço na produção, em dez dias a indústria pode repor os volumes que deixaram de ser produzidos.

Entre estes 80 mil veículos, a projeção é que 25 mil seriam emplacados no mercado nacional, parte exportada e o restante seria destinado para recompor estoques nos pátios das concessionárias.

Sem essa realização, a indústria interrompeu uma trajetória de 12 meses de altas consecutivas. Em relação a abril, o mercado interno apresentou, no mês de março, queda de 7,1%. Em relação a maio de 2017, houve aumento de 3,2%.

No acumulado do ano, as vendas cresceram 17%, mas perderam a força do ritmo – deveria estar em 20%. “Mesmo com todo esse brutal movimento de paralisação, estamos numa boa trajetória de alta. Esperamos retomar a trajetória já nas próximas semanas, mantidas as demandas do consumidor”, afirma Megale.

Por conta da greve, a produção caiu 20,2% em maio em relação a abril, e 15,3% ante ao mesmo mês de 2017. Em maio, foram produzidos 212 mil veículos, quando em abril a produção alcançou 266 mil unidades. No acumulado do ano, a produção soma 1.178 mil veículos, crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.

As exportações caíram 17% em maio ante a abril. Foram vendidas ao exterior 60,7 mil unidades enquanto no mês anterior foram exportadas 73,2%.

Caminhões

A greve também prejudicou o desempenho de caminhões, que sofreram impactos negativos no ritmo de venda e produção. Em maio, pelo menos 500 caminhões novos deixaram de ser emplacados por conta da greve. Com isso, foram comercializados 5,6 mil unidades em maio ante 6,2 mil em abril. A entidade acredita que essas vendas não foram perdidas, pois poderão ser recompensadas durante os próximos dias ou meses.

A greve dos caminhoneiros fez a Anfavea recuar de uma nova projeção para o ano. A entidade se preparava para revisar para cima seus números de crescimento de vendas e produção, mas considera mais prudente fazer uma nova avaliação mais à frente.

Outro dado que preocupa a entidade é falta de reformas econômicas e o quadro confuso da sucessão presidencial. Em relação à flutuação cambial, a Anfavea não projeta grandes distorções dos preços dos veículos – pelo menos por enquanto.

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