Fabricantes preveem aumento de 11,7% nas vendas de veículos em 2018

Anfavea projeta crescimento de 11,7% nas vendas

A Anfavea projeta crescimento de 11,7% nas vendas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2018, o que deverá resultar num mercado de 2,5 milhões de veículos.

Se a bola de cristal estiver correta, será mais um passo firme na recuperação doméstica, que, em 2017, ao subir 9,2%, interrompeu três anos consecutivos de queda, naquele que é considerado o pior tombo da indústria automobilística nacional desde sua criação em 1958 – simplesmente o país viu quase 50% de ser mercado desaparecer.

Ano passado, foram emplacadas 2,2 milhões de unidades, ante a 2,05 milhões em 2016. No geral, veículos leves tiveram crescimento nas vendas de 9,4% enquanto os pesados registraram alta menor, de 3,2%.

Em dezembro, as vendas atingiram a melhor média diária desde 2015, com 10.600 sendo comercializadas. Dezembro fechou com 212,6 mil veículos vendidos, uma alta de 4,1% sobre o mesmo período do ano passado. Os dados geram boa expectativa para 2018.

Mas 2017 fica marcado pela reação da produção: alta de 25,2%, com 2,7 milhões de veículos fabricados. O fenômeno foi puxado pelas exportações recordes de 726 mil unidades (alta de 48,6% ante a 2016), câmbio favorável e saída da zona de conforto dos fabricantes, que se esforçaram para cobrir a lacuna deixada pelo mercado doméstico.

Com atuação mais decisiva no exterior, a Anfavea tem como meta atingir a exportação de 1 milhão de unidades. Acordos de livre comércio com o qual o Brasil fechou com a Colômbia no final do ano passado devem contribuir para isso, além da prospecção incessante de novos mercados.

Caso o Brasil atinja 2,5 milhões de unidades neste ano de 2018, as montadoras devem seguir a trajetória de recuperação do emprego – no auge da crise, em 2015, cerca de 38 mil trabalhadores foram afastados com base em acordos para a preservação do emprego, como o PSE e o layoff.

No final do ano passado, 1.800 empregados ainda estava nessa condição. Diretamente, a indústria automobilística fechou o ano com 126,7 mil trabalhadores, um crescimento de 4,6% em relação aos 121,2 mil empregados em 2016.

Mas o país ainda estará distante do mercado doméstico de veículos de 2013, quando chegou a emplacar 3,7 milhões de unidades. Por conta disso, a ociosidade é grande ainda na indústria automobilística, atuando com 55% da capacidade na produção de carros leves e 35% na de pesados.

A Anfavea acredita que o país só volte aos índices de cinco ano atrás por volta de 2022, quando deverá ter condições de superar a barreira dos quatro milhões de veículos vendidos anualmente no país.

Com a alta na produção de 2017, o Brasil deve galgar uma posição entre os maiores fabricantes mundiais de veículos. O país, que chegou a ficar entre os quatro maiores do mundo no início desta década, este ano deve se fixa na oitava posição.

Elétricos

Com 3.296 carros elétricos e híbridos licenciados no ano passado, o Brasil triplicou suas vendas de veículos que destacam os motores mais eficientes em termos de emissões. Existe a expectativa que o governo reduza de 25% para 7% o IPI sobre carros eletrificados, o que daria um enorme impulso a essa nova tecnologia.

Embora considere o elétrico uma tendência, a Anfavea aposta no carro híbrido a etanol como vantagem competitiva para o Brasil, pois entende que o ciclo de emissão de CO2 é mais positivo. “Essa é uma vantagem da qual o Brasil não pode abrir mão se não quiser perder espaço na competitividade mundial por tecnologias mais sustentáveis”, disse Antonio Megale, presidente da Anfavea.

Para Megale, se o Brasil não incentivar a tecnologia, com o desenvolvimento e pesquisa local, perderá o foco. É por isso que a Anfavea apoio o presidente Michel Temer, que sancionou no final de dezembro a Política Nacional de Biocombustíveis, RenovaBio, com o objetivo de garantir o papel dos biocombustíveis na segurança energética e na redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

De acordo com o Ministério das Minas e Energia, o plano possui três focos: criar ferramentas para que o Brasil possa cumprir os compromissos firmados no Acordo de Paris, incentivar a expansão dos biocombustíveis com foco na regularidade do abastecimento e oferecer previsibilidade.

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