Reformas tributária e previdenciária são essenciais, segundo a Anfavea

Anfavea soca a mesa

O tema das reformas tributária e previdenciária ocupou boa parte da coletiva de imprensa na sede da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa cerca de 18% de toda a produção da indústria nacional.

presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes

“Ou nós acabamos com este sistema tributário ou ele acaba com o Brasil”, declarou na manhã desta quinta-feira (06/06), o recém-empossado presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes, encampando uma posição mais crítica e pró-ativa contra uma carga tributária que consome cerca de 44% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Moraes se apoia em estudos realizados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para atacar mazelas da economia nacional responsáveis, segundo ele, por dificultarem o desenvolvimento e derrubarem a competitividade dos veículos produzidos aqui.

Ao falar sobre a confiança do consumidor e expectativa de investidores, o executivo, que é diretor da Mercedes-Benz, realçou a importância da rápida aprovação da reforma da Previdência para a retomada do crescimento brasileiro. “(A reforma) pode não pôr dinheiro na mesa, mas estabelece as condições para a retomada do desenvolvimento”, disse Moraes.

Entre os dados do estudo da Fiesp, Luiz Carlos destacou o esforço que as empresas nacionais têm de fazer para cumprir as regras do pagamento de impostos, consumindo energia, pessoal e recursos financeiros que poderiam estar sendo utilizados para o aprimoramento e competitividade dos produtos nacionais.

“É uma posição crítica sim (da Anfavea)”, disse Moraes, ressaltando que é chegada a hora de agir para que o país reduza seu déficit fiscal e crie as condições para a redução da carga tributária, a partir, primeiramente, da reforma da Previdência.

Por um novo conjunto de medidas para a economia, a entidade tem se aproximado de representantes do governo e de parlamentares para entender o trâmite e como as novas leis deverão turbinar a economia nacional.

Com expressões como “manicômio”, o executivo buscou ilustrar como o ambiente de negócios têm sido cada vez mais prejudicado e contaminado pelo excesso de tributos e burocracia, em que os profissionais de contabilidade são responsáveis por ter de acompanhar (pasmem) 112 milhões de páginas para dar conta do entendimento da legislação de impostos nacionais.

Números

Apesar das críticas ao quadro macroeconômico, os números da Anfavea continuam apontando para uma recuperação do setor – que já chegou a um mercado interno de quase 4 milhões de veículos seis anos atrás.

Entre abril e maio deste ano, a produção nacional cresceu 5,3% frente ao mesmo período do ano passado, alcançando 1,24 milhão de unidades. Maio subiu 3,1% em relação a abril.

Já as vendas subiram 12,5% no ano até maio, perfazendo 1,08 milhão de unidades. Maio contra abril, cresceu 5,8% em vendas.

Os números positivos também têm relação com a greve dos caminhoneiros em maio do ano passado, que deixou a base de comparação muito baixa.

A Argentina continua impactando negativamente os números do setor. Entre janeiro e maio, queda em número de unidades comercializadas com o exterior é de 42,2%, prejudicada pela baixa demanda dos argentinos, que são o terceiro parceiro comercial do Brasil atrás da China e Estados Unidos.

Caminhões

Os veículos de carga continuam com saltos impressionantes tanto de vendas quando de produção.

Nos cinco primeiros meses do ano, a produção cresceu 10,9% e as vendas 48,5%, num salto que deve fazer o setor ultrapassar as 100 mil unidades comercializadas internamente em 2019.

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