Além da crise, revolução tecnológica tira passageiros do transporte público

Em momentos de crise, empresas que operam o transporte público sempre perdem passageiros por conta da queda da atividade econômica. Com o desemprego, há menos pessoas circulando, menor número de viagens, deslocamentos, passeios … e assim por diante.

Mas o atual ciclo econômico negativo trouxe novos fatores que ampliam ainda mais os desafios para os empresários que operam o transporte público. Uber, ferramentas virtuais de busca de emprego, motocicletas e home-office estão ajudando a desfalcar ainda mais o caixa das empresas, que antes tinham um certo monopólio sobre o passageiro.

Neste contexto, os especialistas afirmam que o empresário tem de profissionalizar ainda mais sua operação para oferecer mais pelo passageiro. Caso o operador não se atente para a nova realidade, tende sofrer ainda mais com os novos tempos, que ainda prepara novas surpresas, como o carro compartilhado.

Para discutir essa e outras questões, toda a indústria do ônibus se reuniu esta semana durante a Transpúblico, feira do ônibus realizada em São Paulo. Promotora do evento, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) há muito tempo vem orientando empresários e autoridades para a necessidade de ampliar cada vez mais as práticas de eficiência do transporte público.

No Brasil, ainda é baixo o uso de tecnologias de geolocalização e infraestrutura, tidas como essenciais para que o transporte dê um salto e ganhe a preferência na mobilidade de milhões de brasileiros.

Só que a atual crise exauriu a capacidade de investimentos públicos pela queda de arrecadação, tumultuando ainda mais o jogo na disputa pelo passageiro, num instante em que as possibilidades oferecidas pelas tecnologias da internet só crescem.

Por outro lado, a indústria automobilística e de serviços evoluiu muito nos últimos anos. Reconhecidamente hoje, o Brasil tem os melhores modelos de ônibus do mundo à disposição tanto no transporte urbano quanto rodoviário.

Já temos até a possibilidade de ônibus elétrico, biomassa, etanol, além do tradicional diesel com motores Euro 5. A bilhetagem eletrônica também trouxe muitas facilidades. Os veículos estão mais confortáveis e menos barulhentos.

“Neste momento de dificuldades, a indústria vem fazendo seu papel para motivar tanto os empresários quanto os legisladores com produtos que garantam vantagens competitivas ao negócio e ao passageiro, com maior comodidade, pontualidade e confiabilidade”, diz Alan Barteis Frizeiro, gerente de Operações de Vendas de ônibus da Scania.

Com a redução de até 20% no número de passageiros em algumas praças, grandes operadores do transporte público retardam suas compras. O aproveitamento da frota é maximizado com veículos mais novos e venda dos mais antigos.

Com isso, a idade média de uso dos veículos aumenta, impulsionando maior gasto com a manutenção. Com a menor necessidade de circulação, também há aumento do desemprego no setor.

Todo esse ciclo só será revertido com quando a economia se recuperar. No Brasil, o aumento do transporte público está diretamente ligado à atividade econômica.

Na Transpúblico, ninguém arrisca um prazo para o mercado voltar a decolar. O certo é que estamos longe de um mercado que já chegou a mais de 35 mil veículos e este ano não deverá passar das 11 mil unidades.

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