Volvo provoca a concorrência ao desenvolver sistema que reduz em até 10% consumo de diesel

Aceleração Inteligente Volvo

Na dinâmica do mercado, a Volvo julga ter dado mais um passo à frente da concorrência. Depois de dois anos de testes em diversas aplicações do transporte nacional – urbano, rodoviário e fora de estrada –, a montadora apresentou o que denomina de Aceleração Inteligente, sistema em que promete reduzir em até 10% o consumo de diesel, reduzindo, assim os custos operacionais dos operadores.

Tecnologia já disponível na rede de concessionários do mercado brasileiro e latino-americano para as linhas Volvo FH, FM e FMX, a Aceleração Inteligente é ativada por um novo software de motor, combinado com modificações em componentes internos e novo lubrificante.

De acordo com a área técnica da Volvo, algoritmos de última geração são capazes de identificar a necessidade real de torque e potência conforme a topografia de determinada rota e a carga, controlando a injeção do combustível de forma precisa com o objetivo de reduzir o consumo.

Aceleração inteligente - Alcides Cavalcante

“Testes de campo mostraram ganhos reais de até 10% em consumo”, afirmou Alcides Cavalcanti, diretor comercial de caminhões da Volvo em evento realizado no interior de São Paulo. “Esta é uma grande novidade da Volvo em um ano em que teremos muitas surpresas na Fenatran (Feira Nacional do Transporte).”

De acordo com o executivo, os caminhões da linha FH sofreram um reajuste de 8%, parte em razão da nova tecnologia, parte em razão da recuperação da margem dos fornecedores em um momento em que a demanda por veículos de carga de grande porte está aquecida.

Já a família FM, que passou por mudanças estéticas e tecnológicas na cabine, chega com aumento de  5% pois a menor procura pelo semipesado ainda não permite um percentual de lucro mais atrativo para o fabricante e fornecedores.

Outra constatação da Aceleração Inteligente é que, ao interferir e oferecer o trabalho mais otimizado do motor, o sistema “nivela” mais os motoristas, ou seja, o rendimento de profissionais menos capacitado torna-se quase igual ao dos mais experientes na condução de caminhões.

A Volvo levou para Itu, onde foi anunciada em primeira mão a tecnologia, dois operadores que trabalham exclusivamente com caminhões da marca em duas modalidades completamente diferentes do transporte de cargas.

Com uma frota de 35 caminhões extrapesados, a Usina São Manuel (250 quilômetros distante de São Paulo), conseguiu uma economia de até 10% com o consumo de diesel. Durante a safra de 2018, que vai de abril a novembro, a empresa recebeu um caminhão FH com a nova tecnologia. Um modelo idêntico, mas sem a Aceleração Inteligente, realizou as mesmas tarefas durante o período de testes.

“Um caminhão ia atrás do outro. Nas paradas para o abastecimento, a gente já constatava, na bomba, a diferença de 30 a 40 litros de diesel a menos no FH com o novo sistema”, afirmou um dos funcionários da Usina São Manoel responsáveis por gerir a frota.

Em um circuito fechado, um FH, segundo ele, costuma carregar até 150 toneladas de cana. Por safra, a usina processa quatro milhões de toneladas de cana por ano para a produção de açúcar, álcool anidro e hidratado. Com o novo sistema, a empresa julga atingir uma economia de R$ 700 mil por safra com a redução no consumo de diesel.

Outro operador que realizou o teste com um modelo Volvo foi um transportador rodoviário de cenoura. Ele colhe a produção na lavoura nos Estados de Minas, São Paulo e Goiás, processa no interior paulista, e distribui para grande parte do país.

A frota combina veículos FH, no rodoviário, e o FM, para distribuição de até 400 quilômetros. Nesta aplicação, o operador alcançou uma redução de 5% no consumo. “Com essa economia, eu poderia comprar um caminhão a mais ao final de um ano”, disse Tokiushi Ishima, proprietário da empresa.

Tokiushi disse que, com os últimos avanços tecnológicos, já reduziu de três para seis anos a renovação de veículos na linha pesada, e de cinco para até nove anos, no semipesado. “Com a maior durabilidade e tecnologia dos veículos, é possível prolongar a vida útil em nosso tipo de aplicação”, afirmou ele, que possui uma frota de 17 caminhões.

“Em lançamentos como o da Aceleração Inteligente, é necessário que o fabricante encontre um ponto de equilíbrio que o operador possa pagar pela tecnologia sem que comprometa a sua rentabilidade”, disse Tokiushi.

Um milhão de km

A Volvo afirmou ter feito amplos testes com a Aceleração Inteligente, nas mais diferentes aplicações, durante dois anos. Participaram do projeto as equipes técnicas da engenharia brasileira e sueca, da sede da Volvo. Os resultados foram surpreendendo positivamente as equipes da montadora.

“Foram mais de um milhão de quilômetros rodados em operações rodoviárias e fora de estrada, com clientes da Volvo que transportam em todas as regiões do país, com implementos e cargas variados, enfrentando topografias, rotas e climas diferentes”, reforçou Carlos Paulin, engenheiro de vendas de caminhões da Volvo.

O engraçado é que a tecnologia se mostrou mais eficiente quanto mais pesada for a carga, o que a lógica indicaria ser diferente. “A questão do consumo varia bastante, de acordo com a realidade de cada operação. Mas nas composições mais pesadas, que trafegam por topografias acidentadas, obtivemos maiores ganhos”, disse.

Além do software de gestão de injeção, os motores FH, FM e FMX ganharam novos componentes internos, como camisas de cilindro, de rugosidade mais eficaz; anéis raspadores com menor atrito; unidades eletrônicas com mais memória e capacidade de processamento e turbo com geometria mais eficiente.

Para Alcides Cavalcanti, a nova tecnologia vai tornar o FH ainda mais líder da categoria, se distanciando da concorrência. De acordo com ele, o FH 540 6×4 foi o extrapesado mais vendido no Brasil no ano passado. “Agora, temos um produtor melhor ainda, que vai trazer ainda mais vantagem competitiva para os nossos clientes”, finalizou.

Com a desistência da Ford pelo mercado brasileiro, Alcides afirmou que a Volvo se credencia a abocanhar até 30% da participação do fabricante norte-americano, que detinha 12% das vendas no mercado interno.

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